O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) encerra as eleições de 2026 diante de um dos momentos mais delicados de sua trajetória política. Derrotado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) ainda no primeiro turno, o líder da oposição baiana apostou suas fichas na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), mas viu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistar a reeleição em uma virada nacional.
A sequência de derrotas coloca ACM Neto diante de um cenário de desgaste político e levanta dúvidas sobre sua capacidade de reorganizar a oposição na Bahia. Depois de duas tentativas frustradas de chegar ao governo estadual, o ex-prefeito terá o desafio de reconstruir sua força eleitoral e definir qual caminho pretende seguir nos próximos anos.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Jerônimo Rodrigues foi reeleito em 4 de outubro com 55,79% dos votos válidos. ACM Neto terminou na segunda colocação, com 43,74%, sem conseguir levar a disputa para o segundo turno.
Apoio ao bolsonarismo amplia desgaste de ACM Neto
Após a derrota estadual, ACM Neto decidiu assumir publicamente o apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Em 7 de outubro, o ex-prefeito anunciou a decisão em Brasília e prometeu mobilizar sua base política, incluindo prefeitos, parlamentares e aliados baianos, em favor do candidato do PL.
A movimentação representou uma aproximação explícita com o bolsonarismo, em uma tentativa de fortalecer a oposição ao PT e participar de uma eventual vitória presidencial.
Entretanto, o resultado das urnas contrariou a aposta política.
No domingo, 25 de outubro, Lula foi reeleito presidente da República com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O petista conquistou mais de 64,2 milhões de votos, conforme os números divulgados pela Justiça Eleitoral.
A derrota de Flávio Bolsonaro impôs mais um revés à estratégia de ACM Neto. Embora o resultado nacional não permita medir isoladamente o efeito de seu apoio, a escolha política terminou sem a vitória que poderia fortalecer seu grupo para as próximas disputas.
Duas derrotas e um futuro político incerto
O resultado de 2026 ganha ainda mais peso quando considerado o histórico recente de ACM Neto.
Em 2022, o ex-prefeito já havia sido derrotado por Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo da Bahia. Quatro anos depois, voltou às urnas tentando interromper a sequência de administrações petistas no estado, mas sofreu uma nova derrota.
O resultado reforça uma dificuldade que acompanha a oposição baiana: transformar a força política construída em Salvador e em municípios do interior em uma maioria eleitoral capaz de superar o PT em todo o estado.
A situação também coloca em discussão a liderança de ACM Neto no campo oposicionista.
Apesar de continuar sendo uma figura importante do União Brasil, o ex-prefeito chega ao fim de 2026 sem conquistar o governo estadual e com sua aposta presidencial derrotada.
Esse cenário pode estimular uma reavaliação de alianças, estratégias eleitorais e lideranças dentro da oposição.
Eleições de 2028 podem representar novo teste
Com o encerramento das eleições gerais, a disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028 surge como um dos próximos capítulos da política baiana.
ACM Neto governou a capital entre 2013 e 2020 e mantém vínculos políticos com a administração municipal. Uma eventual candidatura representaria a possibilidade de retornar a um cargo executivo, mas também envolveria riscos consideráveis para sua trajetória.
Uma terceira derrota consecutiva em uma disputa majoritária poderia aprofundar o desgaste de sua imagem e comprometer suas pretensões políticas futuras.
Por enquanto, entretanto, não há confirmação de que ACM Neto disputará a Prefeitura de Salvador em 2028.
Do lado petista, a vitória de Lula e a reeleição de Jerônimo fortalecem politicamente o grupo que pretende ampliar sua presença na capital baiana.
Um dos nomes mencionados nas discussões sobre a sucessão municipal é o ex-governador Rui Costa, eleito senador pela Bahia em 2026.
Apesar das especulações, Rui Costa descartou, em entrevista concedida no dia 19 de outubro, a intenção de disputar a Prefeitura de Salvador em 2028. O petista afirmou que sua prioridade está voltada à atuação no Senado e à agenda política nacional.
ACM Neto conseguirá se recuperar politicamente?
A grande questão para ACM Neto, a partir de agora, é como reconstruir sua posição na política baiana.
A derrota para Jerônimo Rodrigues demonstrou a força eleitoral do PT no estado. Já a vitória nacional de Lula frustrou a tentativa do grupo oposicionista de conquistar um aliado na Presidência da República.
Para ACM Neto, o desafio vai além de escolher a próxima eleição que pretende disputar. Será necessário recuperar a capacidade de ampliar alianças, mobilizar eleitores e apresentar uma alternativa competitiva ao projeto político petista.
A aproximação com o bolsonarismo também deverá entrar nessa avaliação, especialmente diante da necessidade de conquistar eleitores que não se identificam integralmente com nenhum dos dois polos da política nacional.
Com duas derrotas consecutivas pelo governo da Bahia e uma aposta presidencial frustrada, ACM Neto encerra 2026 em uma posição mais vulnerável.
Ainda é cedo para decretar o fim de sua carreira política. Entretanto, as decisões que tomar até 2028 poderão ser determinantes para definir se conseguirá recuperar protagonismo ou se enfrentará um processo de perda de influência dentro da própria oposição baiana.
