Animais capturadas no Aeroporto são encaminhados para reprodução em Simões Filho; entenda o caso


SIMÕES FILHO
Filhote de quero-quero no Aeroporto de Salvador (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

 A cidade de Simões Filho  na Região Metropolitana de Salvador é uma das escolhidas pela empresa Vinci Aiports, que administra o Aeroporto de Salvador para colocar em pratica o seu Projeto Ambiental “Aeroporto Verde”. O projeto tem como principal objetivo recolher diversas espécies de animais que frequentemente circulam pela região do aeroporto e algumas vezes chegam a atrapalhar os voos. Estes animais estão sendo recolhidos por Biólogos contratados pela empresa, os bichos recebem tratamento quando necessário e são devolvidos à natureza.

De acordo com a empresa,  animais como Urubus, carcarás e quero-queros são aves comuns na região do Aeroporto de Salvador. Essas espécies costumavam ser afugentadas com o barulho de fogos de artifício para evitar que causassem riscos na aviação.  Ainda segundo a empresa, essa técnica é antiga usada em terminais aeroportuários em todo o mundo,porém tal prática foi abolida em Salvador do ano passado para cá e, agora, os pássaros são capturados e soltos em áreas a 300 km do local.  Entre esses locais está a cidade de Simões Filho, por apresentar uma vasta área verde adequada para que essas espécies possam sobreviver e reproduzir.

O PROJETO

De acordo com a empresa, o projeto teve inicio em 2018, depois que a  Vinci Aiports conseguir licença de manejo de fauna através do Instituto do Meio Ambiente (Inema). Posteriormente com a autorização  o aeroporto passou a capturar não apenas as aves, mas diversos outros bichos. Também naquele ano, 200 animais chegaram a ser capturados em um único mês. 

Desde então, 222 espécies já foram catalogadas pela equipe de biólogos e veterinários, entre elas saracuras, pombos, corujas buraqueiras, rasga-mortalha e também gatinhos.

A Vinci Airports, concessionária que administra o terminal, diz que a iniciativa é pioneira no país. Além de um maior cuidado com os bichos, a empresa adotou outros compromissos ambientais como instalação de painéis solares, tratamento de esgoto para reúso de água, substituição de lâmpadas convencionais por LED e ainda um centro de reciclagem. Ao todo, o investimento nessas ações de sustentabilidade somam R$ 25 milhões. E os resultados já estão no ar. 

Com a adoção da captura de animais, reduziu-se em 80% o número de colisões com danos entre aves e aeronaves, comparando-se 2017 e 2018.

Outras espécies de animais, como cobras e sapos, se estiverem na pista, também podem torná-la inoperante, interrompendo pousos e decolagens. Só em 2018, as pistas ficaram fechadas por 16h, somadas todas as paradas por causa de bichos. Este ano o número caiu para 4h, conforme dados da Vinci. 

As confecções e adaptações das armadilhas para os bichos, sobretudo para captura de aves, ficam por conta do médico veterinário e ornitólogo Pedro Lima, da terceirizada Prime Ambiental.

O aeroporto foi dividido em 20 pontos estratégicos e, diariamente, a equipe sai para observar esses locais. Além de levar os animais para longe do terminal, a equipe também tenta minimizar os focos atrativos dos animais, como água e alimentos, para evitar que eles continuem buscando o aeroporto como abrigo. Os sapos, por exemplo, que parecem oferecer baixo risco, devem ser pensados dentro do conceito da cadeia alimentar. Se o réptil morre na pista, sua carcaça atrairá um urubu. 

“O grau de representação de risco das aves é calculado de acordo com critérios como peso, se andam sozinhas ou em bando e o histórico de colisões. Depois de apreendidas e analisadas, elas podem ser devolvidas à natureza e ganhar nova vida nas cidades de Simões Filho, Entre Rios (Massarandupió) e Jeremoabo”, informou o ornitólogo Pedro Lima.

Para proteger as especies e garantir sua reprodução livre na natureza o local especifico da cidade onde os animais são soltos não pode ser divulgado.

 

*Com informações do Correio