O estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) Felipe Pereira Nascimento Santos, de 17 anos, morreu na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto, enquanto aguardava transferência do Hospital Municipal de Simões Filho para uma unidade de saúde de maior complexidade.
Felipe estava internado desde a terça-feira, dia 4, após sofrer um acidente de bicicleta quando seguia para o campus do IFBA em Simões Filho. A transferência hospitalar teria sido solicitada diante da gravidade do quadro e da necessidade de atendimento especializado.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o adolescente permaneceu no Hospital Municipal enquanto aguardava a disponibilização de uma vaga por meio do sistema de regulação. Na manhã desta quarta-feira, ele não resistiu.
Até a publicação desta matéria, não havia sido divulgado um laudo médico detalhando oficialmente a causa da morte. Também não foi apresentada uma manifestação pública dos órgãos responsáveis pela regulação esclarecendo os horários da solicitação, a classificação do caso e os procedimentos adotados durante a espera.
Felipe estudava Metalurgia no IFBA
Felipe era aluno do 2º ano do Curso Técnico Integrado em Metalurgia do IFBA Campus Simões Filho. Ele morava no bairro Jardim Eldorado e, além de frequentar as aulas, trabalhava no período da tarde em um estabelecimento comercial da cidade.
A morte provocou comoção entre familiares, colegas, professores, servidores e moradores do município. Nas redes sociais, amigos publicaram mensagens de despedida e recordaram a convivência com o adolescente.
O caso ganhou repercussão ainda durante o período de internação, quando familiares e pessoas próximas começaram a compartilhar pedidos de ajuda para tentar acelerar a transferência.
Como aconteceu o acidente
De acordo com o relato atribuído à mãe do estudante, Felipe seguia de bicicleta para o IFBA quando perdeu o equilíbrio depois de atingir o meio-fio. O adolescente teria batido contra um poste, sofrendo uma fratura na mandíbula e um corte.
Após o acidente, ele foi socorrido e levado para o Hospital Municipal de Simões Filho. Diante do quadro apresentado, teria sido solicitada uma transferência urgente para uma unidade equipada para prestar atendimento de maior complexidade e realizar o procedimento cirúrgico indicado.
A família iniciou uma mobilização nas redes sociais, pedindo ajuda para localizar uma vaga hospitalar. Parentes, amigos e moradores compartilharam as publicações na tentativa de ampliar a visibilidade do caso.
Apesar da mobilização, a transferência não foi concretizada antes da morte do estudante, conforme as informações publicadas inicialmente sobre o caso.
Família aguardava vaga em hospital de maior complexidade
A regulação hospitalar é utilizada para organizar o acesso dos pacientes aos serviços disponíveis na rede pública de saúde. A transferência pode depender, entre outros fatores, da avaliação clínica, da especialidade necessária e da existência de leito ou estrutura compatível em uma unidade de referência.
No caso de Felipe, a família afirma que passou o dia aguardando o surgimento de uma vaga em outro hospital. A demora gerou uma mobilização pública, mas o adolescente permaneceu internado no Hospital Municipal de Simões Filho até a manhã desta quarta-feira.
O Hospital Municipal oferece atendimento de urgência, centro cirúrgico e outros serviços, mas as próprias informações institucionais da rede municipal reconhecem que os pontos de atenção possuem diferentes níveis de complexidade tecnológica.
A confirmação de que uma pessoa morreu durante a espera por transferência, isoladamente, não permite concluir que a demora tenha provocado o óbito. Essa eventual relação dependerá de análise médica, dos prontuários e da apuração dos procedimentos adotados.
IFBA suspende atividades acadêmicas
Após a confirmação da morte, a Direção-Geral do IFBA Campus Simões Filho divulgou uma nota de pesar e anunciou a suspensão das atividades acadêmicas dos cursos integrados nos dias 5 e 6 de agosto.
Na manifestação, a instituição prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de turma e servidores. O campus também informou que a suspensão das aulas ocorre em respeito à memória do estudante e como sinal de luto.
“Neste momento de imensa tristeza, a comunidade acadêmica solidariza-se com seus familiares, amigos, colegas de turma e servidores, expressando suas mais sinceras condolências e desejando força para enfrentar esta irreparável perda.”
A direção destacou ainda que as lembranças da trajetória de Felipe deverão permanecer vivas entre as pessoas que conviveram com ele.
Caso amplia preocupação com a regulação em Simões Filho
A morte de Felipe ocorre poucos dias depois de outro caso relatado no município envolvendo espera por transferência hospitalar.
Maria Eurides, de 76 anos, morreu na segunda-feira, dia 3, enquanto também aguardava uma vaga em outra unidade de saúde, conforme as informações apresentadas pelos familiares. Durante a mobilização, parentes e moradores chegaram a realizar protestos e bloqueios de ruas para cobrar a transferência da paciente.
Os dois episódios aumentam a preocupação da população sobre o acesso a leitos especializados e unidades de maior complexidade. Familiares das vítimas cobram explicações sobre os critérios, os prazos e a disponibilidade de vagas no sistema público.
Os casos, entretanto, precisam ser analisados individualmente. A apuração deve considerar o estado clínico de cada paciente, o horário da solicitação, a prioridade definida pela equipe médica, as unidades procuradas e a disponibilidade de atendimento especializado.
Órgãos de saúde ainda devem esclarecer o atendimento
Entre os pontos que ainda precisam ser oficialmente esclarecidos estão o momento em que a regulação de Felipe foi solicitada, qual procedimento era necessário, qual prioridade foi atribuída ao caso e quais unidades foram consultadas durante a busca por uma vaga.
Também será necessário esclarecer as condições clínicas do estudante durante a internação e se houve alguma mudança no quadro enquanto ele permanecia no Hospital Municipal.
O posicionamento dos órgãos envolvidos é fundamental para esclarecer a sequência dos acontecimentos e evitar conclusões antecipadas. A matéria poderá ser atualizada caso a Prefeitura de Simões Filho, a Secretaria da Saúde da Bahia ou outro órgão responsável apresente novas informações.
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