
Um novo relatório técnico sobre o aterro sanitário localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, revelou um cenário considerado crítico, com indícios de irregularidades estruturais e operacionais que podem causar impactos ambientais severos, incluindo a possível contaminação de aquíferos e cursos hídricos da região .
O documento detalha uma série de problemas que vão desde falhas na drenagem até a exposição de resíduos a céu aberto, aumentando o risco de infiltração de chorume no solo e na água subterrânea — uma ameaça direta à segurança hídrica de comunidades locais.
Principais irregularidades identificadas no aterro
O relatório lista uma série de problemas estruturais e operacionais que podem agravar o impacto ambiental da unidade. Entre os principais pontos estão:
- Destruição de cursos hídricos e drenagens naturais
- Forte erosão e instabilidade do solo
- Resíduos expostos sem cobertura adequada
- Ausência ou falhas no sistema de drenagem de águas pluviais
- Possível contaminação do solo e da água
- Aumento significativo na geração de chorume
- Indícios de descarte irregular de resíduos industriais
Essas condições elevam o risco de contaminação tanto de águas superficiais quanto subterrâneas, incluindo poços utilizados por comunidades próximas .
Risco direto ao aquífero e abastecimento de comunidades
Um dos pontos mais críticos apontados no relatório é a possibilidade de impacto direto sobre o aquífero local, especialmente devido às escavações realizadas para implantação do aterro, que teriam interceptado áreas de umidade natural.
Esse fator, combinado com a ausência de sistemas eficazes de contenção e drenagem, pode facilitar a infiltração de líquidos contaminantes no subsolo.
Além disso, foi coletada água de um poço que abastece moradores da região para análise de qualidade — os resultados ainda não foram divulgados, mas o simples fato da coleta já indica preocupação com a segurança hídrica .
Impactos ambientais e na biodiversidade
O documento também destaca danos relevantes ao meio ambiente local, incluindo:
- Desmatamento significativo para instalação do aterro
- Alteração da dinâmica natural do solo
- Assoreamento de cursos d’água
- Redução da qualidade da água
- Impactos diretos sobre fauna e flora
Imagens anexadas ao relatório mostram inclusive sinais de presença de animais afetados pela operação do aterro, indicando interferência direta nos ecossistemas locais .
Suspeita de resíduos industriais e agravamento do problema
Outro ponto que agrava o cenário é a suspeita de recebimento irregular de resíduos industriais, o que violaria as licenças ambientais concedidas, já que o aterro seria destinado a resíduos urbanos.
Foram identificados materiais incompatíveis com lixo doméstico, como:
- Lodos industriais
- Cinzas e escórias
- Resíduos químicos e solventes
- Embalagens contaminadas
Caso confirmada, essa prática pode aumentar significativamente o potencial de contaminação ambiental.
Ampliação do aterro pode elevar impactos em mais de 550%
O relatório também menciona um pedido de ampliação da capacidade do aterro, que poderia elevar o volume de resíduos de 489 para 3.200 toneladas por dia — um aumento superior a 550%.
Segundo o próprio documento, essa expansão implicaria agravamento dos impactos ambientais, especialmente se as falhas atuais não forem corrigidas.
Conflito institucional e questionamentos sobre licenciamento
A ação judicial relacionada ao caso levanta questionamentos sobre o processo de licenciamento ambiental, incluindo:
- Ausência de estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA)
- Mudança de parecer técnico que inicialmente era desfavorável
- Possíveis irregularidades administrativas
Há ainda investigações envolvendo decisões passadas dentro do órgão ambiental estadual, o que amplia o debate sobre governança e fiscalização.
Empresa e órgão ambiental contestam relatório
Em resposta às denúncias, a empresa responsável pelo aterro afirmou que o relatório não possui validade técnica e classificou as acusações como tentativa de desinformação.
Segundo a empresa:
- O empreendimento segue a legislação ambiental
- Não há autuações ou irregularidades registradas
- Estudos técnicos anteriores comprovariam a viabilidade do projeto
Já o órgão ambiental estadual declarou que todas as questões levantadas já foram analisadas e não há novidades que justifiquem revisão das licenças.
O que pode acontecer agora
A ação judicial pede medidas rigorosas, incluindo:
- Suspensão imediata das operações do aterro
- Cancelamento das licenças ambientais
- Proibição de ampliação da capacidade
- Afastamento do órgão ambiental do processo
Caso a Justiça acate os pedidos, o funcionamento do aterro poderá ser interrompido, impactando diretamente a gestão de resíduos na região metropolitana.
Cenário exige atenção e acompanhamento
O caso do aterro de Simões Filho expõe um tema sensível: o equilíbrio entre gestão de resíduos e preservação ambiental.
Enquanto o relatório aponta riscos elevados e possíveis irregularidades, a empresa e o órgão regulador defendem a regularidade do empreendimento.
Diante desse impasse, o desfecho dependerá das análises técnicas complementares e das decisões judiciais, que devem definir se há, de fato, risco ambiental ou se as operações seguem dentro dos padrões exigidos.
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