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Início » Aterro em Simões Filho é alvo de relatório alarmante com risco de contaminação de aquífero
Simões Filho

Aterro em Simões Filho é alvo de relatório alarmante com risco de contaminação de aquífero

Documento técnico aponta falhas operacionais, erosão e possível contaminação hídrica, enquanto empresa e órgão ambiental contestam as conclusões.
Por Naiane Santana28 de março de 20264 Minutos de Leitura
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Um novo relatório técnico sobre o aterro sanitário localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, revelou um cenário considerado crítico, com indícios de irregularidades estruturais e operacionais que podem causar impactos ambientais severos, incluindo a possível contaminação de aquíferos e cursos hídricos da região .

O documento detalha uma série de problemas que vão desde falhas na drenagem até a exposição de resíduos a céu aberto, aumentando o risco de infiltração de chorume no solo e na água subterrânea — uma ameaça direta à segurança hídrica de comunidades locais.

Principais irregularidades identificadas no aterro

O relatório lista uma série de problemas estruturais e operacionais que podem agravar o impacto ambiental da unidade. Entre os principais pontos estão:

  • Destruição de cursos hídricos e drenagens naturais
  • Forte erosão e instabilidade do solo
  • Resíduos expostos sem cobertura adequada
  • Ausência ou falhas no sistema de drenagem de águas pluviais
  • Possível contaminação do solo e da água
  • Aumento significativo na geração de chorume
  • Indícios de descarte irregular de resíduos industriais

Essas condições elevam o risco de contaminação tanto de águas superficiais quanto subterrâneas, incluindo poços utilizados por comunidades próximas .

Risco direto ao aquífero e abastecimento de comunidades

Um dos pontos mais críticos apontados no relatório é a possibilidade de impacto direto sobre o aquífero local, especialmente devido às escavações realizadas para implantação do aterro, que teriam interceptado áreas de umidade natural.

Esse fator, combinado com a ausência de sistemas eficazes de contenção e drenagem, pode facilitar a infiltração de líquidos contaminantes no subsolo.

Além disso, foi coletada água de um poço que abastece moradores da região para análise de qualidade — os resultados ainda não foram divulgados, mas o simples fato da coleta já indica preocupação com a segurança hídrica .

Impactos ambientais e na biodiversidade

O documento também destaca danos relevantes ao meio ambiente local, incluindo:

  • Desmatamento significativo para instalação do aterro
  • Alteração da dinâmica natural do solo
  • Assoreamento de cursos d’água
  • Redução da qualidade da água
  • Impactos diretos sobre fauna e flora

Imagens anexadas ao relatório mostram inclusive sinais de presença de animais afetados pela operação do aterro, indicando interferência direta nos ecossistemas locais .

Suspeita de resíduos industriais e agravamento do problema

Outro ponto que agrava o cenário é a suspeita de recebimento irregular de resíduos industriais, o que violaria as licenças ambientais concedidas, já que o aterro seria destinado a resíduos urbanos.

Foram identificados materiais incompatíveis com lixo doméstico, como:

  • Lodos industriais
  • Cinzas e escórias
  • Resíduos químicos e solventes
  • Embalagens contaminadas

Caso confirmada, essa prática pode aumentar significativamente o potencial de contaminação ambiental.

Ampliação do aterro pode elevar impactos em mais de 550%

O relatório também menciona um pedido de ampliação da capacidade do aterro, que poderia elevar o volume de resíduos de 489 para 3.200 toneladas por dia — um aumento superior a 550%.

Segundo o próprio documento, essa expansão implicaria agravamento dos impactos ambientais, especialmente se as falhas atuais não forem corrigidas.

Conflito institucional e questionamentos sobre licenciamento

A ação judicial relacionada ao caso levanta questionamentos sobre o processo de licenciamento ambiental, incluindo:

  • Ausência de estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA)
  • Mudança de parecer técnico que inicialmente era desfavorável
  • Possíveis irregularidades administrativas

Há ainda investigações envolvendo decisões passadas dentro do órgão ambiental estadual, o que amplia o debate sobre governança e fiscalização.

Empresa e órgão ambiental contestam relatório

Em resposta às denúncias, a empresa responsável pelo aterro afirmou que o relatório não possui validade técnica e classificou as acusações como tentativa de desinformação.

Segundo a empresa:

  • O empreendimento segue a legislação ambiental
  • Não há autuações ou irregularidades registradas
  • Estudos técnicos anteriores comprovariam a viabilidade do projeto

Já o órgão ambiental estadual declarou que todas as questões levantadas já foram analisadas e não há novidades que justifiquem revisão das licenças.

O que pode acontecer agora

A ação judicial pede medidas rigorosas, incluindo:

  • Suspensão imediata das operações do aterro
  • Cancelamento das licenças ambientais
  • Proibição de ampliação da capacidade
  • Afastamento do órgão ambiental do processo

Caso a Justiça acate os pedidos, o funcionamento do aterro poderá ser interrompido, impactando diretamente a gestão de resíduos na região metropolitana.

Cenário exige atenção e acompanhamento

O caso do aterro de Simões Filho expõe um tema sensível: o equilíbrio entre gestão de resíduos e preservação ambiental.

Enquanto o relatório aponta riscos elevados e possíveis irregularidades, a empresa e o órgão regulador defendem a regularidade do empreendimento.

Diante desse impasse, o desfecho dependerá das análises técnicas complementares e das decisões judiciais, que devem definir se há, de fato, risco ambiental ou se as operações seguem dentro dos padrões exigidos.

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Naiane Santana
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Naiane Santana é engenheira de petróleo com mais de 10 anos de experiência no setor de óleo e gás. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Naiane trabalhou em grandes empresas do setor, onde desenvolveu uma profunda compreensão dos processos de exploração e produção de petróleo.

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