Uma embarcação de grande porte está sendo transformada em um verdadeiro canteiro de obras flutuante em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A balsa Belov Jaguaribe será utilizada em uma das etapas mais complexas das obras da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica: a instalação das estacas metálicas no solo da Baía de Todos-os-Santos.
Construída em aço naval, a embarcação tem 77 metros de comprimento, 22,4 metros de largura e capacidade para transportar mais de cinco mil toneladas. A adaptação ocorre em um estaleiro localizado no município e inclui a montagem de equipamentos pesados, áreas operacionais e sistemas de segurança necessários para as atividades em alto-mar.
A movimentação representa uma nova fase do empreendimento. Após trabalhos de preparação, sondagens geotécnicas e mobilização dos canteiros, as equipes avançam na estrutura necessária para realizar serviços diretamente no trecho marítimo da futura ponte.
Belov Jaguaribe será um canteiro de obras sobre o mar
A principal função da Belov Jaguaribe será servir como base para a plataforma de trabalho usada durante a cravação das estacas. Essas estruturas metálicas serão introduzidas no fundo da baía para sustentar instalações provisórias e permitir o avanço dos serviços de construção.
Para desempenhar essa função, a balsa receberá dois guindastes. O maior deles possui capacidade para movimentar até 320 toneladas e será responsável pelo posicionamento das estacas metálicas. Um segundo guindaste, com capacidade para 100 toneladas, será utilizado no apoio às demais operações realizadas a bordo.
A estrutura contará ainda com martelo vibratório, martelo hidráulico e uma guia de cravação com aproximadamente dez toneladas. Segundo a concessionária, esse conjunto de equipamentos permitirá transportar, posicionar, alinhar e fixar as estacas no solo marinho.
Como será feita a cravação das estacas?
A instalação das estacas será realizada em duas etapas. Inicialmente, o martelo vibratório provocará movimentos contínuos para facilitar a penetração da estrutura nas camadas superiores do solo marinho.
Na sequência, o martelo hidráulico executará a cravação definitiva. O equipamento aplicará impactos controlados até que cada estaca alcance a profundidade e a resistência previstas nos cálculos de engenharia.
Durante o procedimento, a guia de cravação será utilizada para manter as peças corretamente alinhadas. Esse controle é essencial para garantir que as estruturas sejam instaladas na posição projetada e possam receber as cargas previstas durante os trabalhos.
Embarcação terá escritórios, refeitório e áreas de descanso
Além dos equipamentos pesados, a Belov Jaguaribe receberá uma estrutura destinada às equipes que trabalharão embarcadas. O projeto prevê escritórios, refeitório, banheiros, vestiários e áreas de descanso.
Também serão instalados sistemas próprios de geração e distribuição de energia, abastecimento de combustível, internet, comunicação e equipamentos de emergência. A intenção é garantir autonomia operacional durante os períodos de trabalho na Baía de Todos-os-Santos.
Guinchos especiais ajudarão a manter a balsa estabilizada durante a movimentação dos guindastes e a cravação das estacas. A embarcação contará ainda com dispositivos de salvatagem e monitoramento por AIS, o Sistema de Identificação Automática utilizado para acompanhar a localização e a movimentação de embarcações.
Antes de entrar em operação, a estrutura passará por estudos de estabilidade conduzidos por engenheiros navais. As análises avaliarão equilíbrio, flutuabilidade, distribuição de peso e condições de segurança após a instalação de todos os equipamentos.
Outras duas balsas apoiarão a operação
A logística marítima contará com o auxílio das balsas Saga 10 e Saga 12. As embarcações serão responsáveis pelo transporte contínuo de estacas metálicas, peças e demais materiais entre o canteiro de São Roque do Paraguaçu e a frente de trabalho na Baía de Todos-os-Santos.
Esse sistema permitirá abastecer a plataforma sem a necessidade de interromper frequentemente as atividades principais. Enquanto a Belov Jaguaribe permanecerá posicionada na área de operação, as balsas auxiliares realizarão o deslocamento dos materiais.
A escolha da Belov Jaguaribe ocorreu após a embarcação ser utilizada na campanha de sondagens geotécnicas da ponte. O desempenho apresentado naquela fase demonstrou que a estrutura poderia ser adaptada para trabalhos mais pesados.
Empresas baianas participam da adaptação
A montagem da estrutura também movimenta a cadeia produtiva local. De acordo com a concessionária, cinco empresas baianas estão diretamente envolvidas na adaptação da balsa.
Os trabalhos incluem engenharia naval, fabricação de equipamentos, produção de peças de apoio e prestação de serviços especializados. A participação dessas companhias amplia os efeitos econômicos da obra sobre Simões Filho e outros municípios da Região Metropolitana de Salvador.
A concessionária estima que aproximadamente sete mil empregos sejam gerados durante a execução do sistema rodoviário. O projeto deverá beneficiar cerca de 250 municípios, principalmente nas regiões Metropolitana de Salvador, Recôncavo e Baixo Sul.
Ponte terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos
O trecho principal da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica terá 12,4 quilômetros de extensão. O projeto prevê 6,9 quilômetros de aproximação pelo lado de Salvador, 4,6 quilômetros no lado de Itaparica e aproximadamente 900 metros no trecho estaiado.
A estrutura estaiada permitirá a passagem de embarcações de grande porte pelo canal de navegação. Além da ponte, o sistema inclui acessos viários em Salvador, uma nova rodovia na Ilha de Itaparica e intervenções na BA-001.
Com a adaptação da Belov Jaguaribe, o empreendimento avança na preparação das operações marítimas. Depois de concluídos os testes, estudos de estabilidade e montagem dos equipamentos, a balsa estará pronta para apoiar a instalação das estruturas no mar.
