Uma falha estrutural escondida sob o pavimento está no centro das investigações sobre o afundamento da BR-324, no km 604, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
O problema provocou a abertura de uma cratera, interditou parte da rodovia e gerou longos congestionamentos no sentido Feira de Santana. O impacto também chegou às vias urbanas de Simões Filho, utilizadas por motoristas que tentavam escapar do bloqueio.
Embora os estudos técnicos ainda estejam em andamento, as primeiras análises apontam que o colapso está relacionado ao sistema de drenagem e a um antigo bueiro instalado sob o aterro da rodovia.
O que provocou o afundamento da BR-324?

O afundamento não foi causado apenas pelo desgaste da camada de asfalto. O problema ocorreu abaixo da superfície, na estrutura responsável por sustentar a pista e permitir a passagem da água sob a rodovia.
Uma falha no bueiro ou no sistema de drenagem pode permitir que a água carregue, aos poucos, o solo e os materiais compactados existentes debaixo do pavimento. Esse processo é conhecido tecnicamente como erosão interna ou perda de material de suporte.
Sem uma base firme, o pavimento perde estabilidade. Inicialmente, podem aparecer pequenas rachaduras, ondulações ou depressões. Quando a perda de solo avança, o peso dos veículos e da própria estrutura faz a pista ceder.
No caso da BR-324, a suspeita é de que esse processo tenha comprometido o aterro sobre o qual as faixas foram construídas. A abertura visível no asfalto seria, portanto, a consequência de um problema mais profundo.
O DNIT informou que as investigações continuam, especialmente sobre as condições do bueiro e do sistema de drenagem existente no trecho. Por isso, a causa definitiva somente poderá ser confirmada depois da conclusão de todas as análises.
Problema começou em 7 de julho
A primeira ocorrência foi registrada em 7 de julho de 2026, quando o pavimento começou a ceder no sentido Feira de Santana. Por segurança, o trecho precisou ser interditado para inspeções e serviços emergenciais.
A pista chegou a ter circulação parcialmente restabelecida, mas voltou a apresentar problemas. Uma nova cratera levou à ampliação do bloqueio e provocou filas quilométricas na região.
O congestionamento chegou a atingir diferentes pontos da BR-324 e também afetou acessos locais. Motoristas passaram a procurar caminhos por Simões Filho e pela região do Centro Industrial de Aratu, aumentando o volume de veículos em avenidas que normalmente não absorvem o fluxo de uma rodovia federal.
A interdição ocorreu no km 604, um trecho estratégico para os deslocamentos entre Salvador, Simões Filho, Feira de Santana e outras cidades do interior baiano.
Por que a pista voltou a ceder?

Quando ocorre um afundamento desse tipo, apenas preencher a abertura com asfalto ou brita pode não resolver a origem do problema.
Caso ainda exista vazamento, infiltração, erosão ou deslocamento de material no subsolo, a base continuará perdendo sustentação. Isso explica por que uma pista aparentemente recuperada pode voltar a apresentar deformações em pouco tempo.
Para uma solução definitiva, as equipes precisam identificar:
- a extensão da área sem sustentação;
- o estado estrutural do bueiro;
- a presença de vazamentos ou infiltrações;
- o comportamento do solo durante as chuvas;
- a necessidade de substituir ou reforçar a drenagem;
- os pontos que precisarão receber nova compactação.
Somente depois dessa avaliação é possível reconstruir as camadas inferiores e recompor o pavimento com segurança.
DNIT decreta situação de emergência
Diante da gravidade do problema, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes declarou situação de emergência no trecho.
A medida tem caráter administrativo e permite acelerar procedimentos para contratação e execução das obras necessárias. Segundo o órgão, a decisão também busca garantir uma resposta mais rápida diante do risco para os usuários e da importância da BR-324 para a mobilidade da Bahia.
A situação de emergência foi formalizada em 14 de julho, uma semana depois do primeiro afundamento.
Testes tentam revelar o que existe sob a pista
Equipes multidisciplinares formadas por especialistas em geologia, geotecnia e geofísica foram mobilizadas para avaliar o local.
Entre os procedimentos realizados estão sondagens, inspeções, testes hidráulicos e ensaios de eletrorresistividade. Essa última técnica permite investigar diferenças nas propriedades do subsolo sem que toda a área precise ser imediatamente escavada.
Os resultados ajudam a identificar espaços vazios, presença de água, mudanças no tipo de solo e regiões que perderam compactação. Com esses dados, os engenheiros conseguem delimitar a parte comprometida e planejar a reconstrução.
De acordo com as informações divulgadas, os estudos realizados permitiram definir uma solução de engenharia para recompor e reforçar a estrutura da pista. As investigações, entretanto, continuam para verificar se serão necessárias intervenções adicionais na drenagem e no bueiro.
Como deverá ser feita a recuperação?
A solução completa pode envolver a retirada das camadas danificadas, correção ou substituição da estrutura de drenagem, preenchimento das áreas vazias e reconstrução do aterro.
O material colocado sob a rodovia precisa ser compactado em diferentes camadas. Depois disso, são reconstruídas a base, a sub-base e a cobertura asfáltica.
Também podem ser instalados reforços para distribuir melhor o peso dos veículos e evitar novos deslocamentos do solo. Antes da liberação definitiva, a área deverá passar por verificações técnicas para confirmar que recuperou estabilidade suficiente.
O DNIT ainda não havia divulgado um prazo definitivo para a conclusão de todas as intervenções até a atualização desta matéria.
Como está o trânsito na BR-324?
O trecho permanece em situação de emergência e com restrições nas proximidades do km 604. Conforme as informações divulgadas em 16 de julho, a circulação ocorria por áreas sinalizadas, com duas faixas disponíveis em cada sentido.
A configuração pode mudar conforme o avanço das obras e a movimentação das máquinas. Por isso, os motoristas devem reduzir a velocidade, respeitar a sinalização provisória e evitar mudanças bruscas de faixa.
Apesar de períodos sem congestionamento, novas retenções podem surgir nos horários de maior movimento ou durante etapas que exijam bloqueios adicionais.
Rotas alternativas exigem planejamento
Uma das alternativas para evitar o ponto afetado é a BA-526, conhecida como Estrada CIA–Aeroporto. No entanto, o desvio também pode apresentar trânsito intenso quando recebe parte dos veículos que normalmente utilizariam a BR-324.
Vias internas de Simões Filho e acessos ao Centro Industrial de Aratu também passaram a registrar maior movimentação. Essas rotas nem sempre são adequadas para absorver grandes volumes de carros, ônibus e caminhões.
Antes de sair, a recomendação é consultar aplicativos de trânsito, acompanhar os comunicados da PRF e reservar mais tempo para o deslocamento.
Afundamento expõe importância da drenagem
O episódio demonstra que a segurança de uma rodovia não depende apenas da qualidade do asfalto visível.
Bueiros, galerias, canaletas e sistemas de escoamento são essenciais para impedir que a água se acumule ou carregue o solo sob a pista. Quando essas estruturas envelhecem, são obstruídas ou sofrem danos, o problema pode avançar silenciosamente.
Na BR-324, a recuperação definitiva dependerá não apenas do fechamento da cratera, mas da eliminação da falha que provocou a perda de sustentação. A liberação total deverá ocorrer somente quando os técnicos confirmarem que a estrutura oferece condições seguras para receber novamente o fluxo intenso da rodovia.
