
O abandono do Cine Jandaia, localizado na tradicional Baixa dos Sapateiros, no Centro de Salvador, voltou a acender um alerta entre comerciantes e frequentadores da região. Com sinais visíveis de deterioração estrutural, o prédio histórico corre risco de desabamento, após mais de três décadas sem uso e sem intervenções efetivas do poder público.
Estruturas comprometidas, infiltrações severas e até árvores crescendo entre as paredes transformaram o antigo cinema em um cenário de ruína urbana — e, segundo relatos locais, potencialmente perigoso.
“Pode cair a qualquer momento”: alerta de quem vive o dia a dia da região
Para quem acompanha de perto a situação, o risco não é exagero. Comerciantes que trabalham em frente ao imóvel relatam preocupação constante com a possibilidade de desabamento.
José Nunes, conhecido na região como “Zé das Bolsas”, afirma que observa diariamente o avanço da deterioração. Segundo ele, a estrutura já apresenta sinais críticos, com ferros de contenção improvisados e rachaduras visíveis.
A situação também foi destacada pelo produtor cultural Sérgio Siqueira, que alertou nas redes sociais sobre o risco iminente. Ele descreve o local como uma espécie de “ruína moderna”, onde a vegetação já tomou conta da fachada, agravando o comprometimento estrutural.
Patrimônio histórico abandonado há mais de 30 anos
O Cine Jandaia não é apenas um prédio antigo — trata-se de um dos espaços culturais mais importantes da história de Salvador. Inaugurado em 1931, o local já foi o maior cinema da cidade, com capacidade para mais de 2 mil pessoas.
Durante décadas, o espaço recebeu filmes, peças teatrais, eventos culturais e até apresentações de artistas renomados como Carmen Miranda. Também foi palco de bailes, concursos e atividades que marcaram gerações.
No entanto, após enfrentar dificuldades financeiras, o cinema encerrou suas atividades em 1993. Desde então, permanece fechado e sem manutenção adequada.
Promessas de revitalização nunca saíram do papel
Apesar de ter sido doado ao governo estadual há cerca de uma década, o imóvel segue sem um projeto concreto de recuperação. Diversas propostas de revitalização foram discutidas ao longo dos anos, mas nenhuma avançou.
Em 2024, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, chegou a visitar o local, o que gerou expectativa entre comerciantes. No entanto, não houve anúncio de medidas práticas ou cronograma de obras.
Enquanto isso, o prédio segue sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), sem respostas claras sobre intervenções futuras.
Impacto econômico e turístico preocupa comerciantes
Para quem trabalha na Baixa dos Sapateiros, o abandono do Cine Jandaia representa mais do que um problema estrutural — é também um entrave para a revitalização econômica da região.
Comerciantes acreditam que a recuperação do espaço poderia transformar o Centro Histórico, atraindo turistas, investimentos e movimentando o comércio local.
A localização estratégica, entre a Barroquinha e o Pelourinho, reforça o potencial do imóvel como um polo cultural e turístico.
De símbolo cultural a risco urbano
O contraste entre o passado e o presente do Cine Jandaia evidencia um problema recorrente nas grandes cidades brasileiras: o abandono de patrimônios históricos.
O que já foi um dos principais centros culturais da capital baiana hoje se tornou um símbolo de negligência e risco. Sem intervenção urgente, especialistas e moradores temem que o próximo capítulo dessa história seja um colapso estrutural — com possíveis consequências graves para quem circula pela região.
A situação levanta um debate urgente sobre preservação, segurança urbana e responsabilidade pública na gestão de patrimônios históricos.
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