O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decretou situação de emergência no trecho da BR-324 afetado por uma cratera em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A decisão foi anunciada na terça-feira, 14 de julho, uma semana depois do primeiro afundamento registrado no km 604 da rodovia.
A medida busca acelerar os procedimentos técnicos, administrativos e jurídicos necessários para a recuperação da pista. O trecho permanece parcialmente interditado, com bloqueios nas faixas da esquerda nos dois sentidos e tráfego mantido pelas faixas liberadas. Até o momento, não há previsão para a liberação total da BR-324 no local.
A BR-324 é uma das principais ligações rodoviárias da Bahia, conectando Salvador, a Região Metropolitana e municípios do interior. Por isso, as restrições no km 604 podem afetar milhares de motoristas, trabalhadores, transportadores e passageiros que utilizam diariamente o corredor.
Situação de emergência deve acelerar a recuperação
De acordo com o superintendente do DNIT na Bahia, Roberto Alcântara, a declaração de emergência permite reduzir etapas burocráticas e dar maior rapidez às decisões relacionadas à obra.
A intenção do departamento é aproveitar um contrato já existente para executar os serviços, evitando, inicialmente, a abertura de um novo processo de licitação. A estratégia pode diminuir o tempo necessário para mobilizar empresas, equipamentos e equipes especializadas.
A situação de emergência não representa apenas uma classificação administrativa. Na prática, ela cria condições para que o órgão federal adote providências com maior agilidade diante do risco estrutural identificado na pista e da importância da rodovia para a mobilidade regional.
Problema está a 22 metros abaixo da pista
As análises técnicas mostraram que o afundamento do asfalto era somente a parte visível de um problema mais complexo. Sob a rodovia existe uma antiga estrutura de drenagem por onde passa água.
A galeria está localizada a aproximadamente 22 metros de profundidade e possui quase 180 metros de extensão. Uma falha na estrutura provocou perda de material da camada que sustenta o pavimento, comprometendo a estabilidade das faixas de rolamento.
Em inspeção realizada no trecho, o DNIT identificou trincas e afundamentos causados por uma falha estrutural em um antigo bueiro localizado sob o aterro da rodovia. A perda de solo deixou espaços vazios abaixo do pavimento, aumentando o risco de novos deslocamentos e cedimentos.
Segundo as informações divulgadas, o vazamento que deu origem ao problema já foi controlado. As equipes trabalham agora na recuperação da base da rodovia e na reconstrução das camadas necessárias para receber o novo pavimento.
Geogrelha será instalada para reforçar o solo
A nova fase do serviço prevê a aplicação de materiais para preencher os espaços vazios identificados abaixo da pista. Também será instalada uma geogrelha, estrutura utilizada em obras geotécnicas para reforçar e estabilizar o solo.
A geogrelha funciona como uma rede de sustentação instalada entre as camadas do terreno. Ela ajuda a distribuir o peso dos veículos, reduz o deslocamento do solo e aumenta a resistência da base onde o asfalto será reconstruído.
O objetivo é impedir que a água volte a remover o material de sustentação e evitar a formação de novos afundamentos no mesmo ponto. A técnica é especialmente importante em áreas com aterros elevados, sistemas subterrâneos de drenagem e intenso fluxo de veículos pesados.
Além da instalação da geogrelha, a recuperação poderá envolver o fechamento de vazios por meio de injeções de material, estabilização do terreno, recomposição da base e aplicação das novas camadas do pavimento.
Trecho teve mais de uma interdição
O primeiro afundamento foi identificado em 7 de julho, no sentido Feira de Santana. O trecho chegou a ser totalmente bloqueado para a realização dos serviços emergenciais.
Após mais de 24 horas de intervenção, a pista foi liberada. No entanto, um novo afundamento apareceu no mesmo ponto em 9 de julho, obrigando as autoridades a interditarem novamente parte da rodovia.
Nos primeiros dias das restrições, motoristas enfrentaram congestionamentos de aproximadamente quatro quilômetros. Houve também registros de filas maiores durante os períodos de maior movimento, especialmente no sentido do interior do estado.
Com o avanço dos trabalhos e a liberação de algumas faixas, o trânsito passou a fluir com menos retenções. Ainda assim, o cenário pode mudar conforme o horário, o volume de veículos e a necessidade de movimentação de máquinas na área da obra.
Faixas da esquerda continuam interditadas
Enquanto os serviços prosseguem, as faixas da esquerda permanecem bloqueadas nos dois sentidos da BR-324, na altura do km 604. Os veículos circulam pelas faixas da direita.
A Polícia Rodoviária Federal acompanha o trânsito, realiza a sinalização e orienta os condutores durante a execução das obras. Segundo as informações mais recentes, o fluxo seguia normalmente pelas faixas disponíveis, sem registro de grandes congestionamentos no momento da atualização.
Mesmo com a melhora no tráfego, os motoristas devem reduzir a velocidade ao se aproximarem do trecho, respeitar a sinalização e manter distância segura dos demais veículos. Mudanças temporárias no fluxo podem ocorrer de acordo com as necessidades da obra.
DNIT ainda não definiu prazo para liberação total
O DNIT ainda não apresentou uma data para a conclusão da recuperação ou para a reabertura completa das faixas. O prazo dependerá da estabilização do solo, do preenchimento dos vazios, da instalação da geogrelha e da reconstrução do pavimento.
A complexidade do serviço aumentou depois que os técnicos identificaram que o problema não estava restrito à superfície da pista. Antes de aplicar uma nova camada de asfalto, será necessário garantir que a estrutura subterrânea esteja segura e que o terreno tenha resistência suficiente para suportar o tráfego da rodovia.
A recomendação para quem precisa passar pela região é acompanhar as atualizações do DNIT e da Polícia Rodoviária Federal antes de iniciar a viagem, especialmente nos horários de maior movimento.
