Lula promete tornar a vida de Bolsonaro um inferno


O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva prometeu protestar contra o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e as autoridades que ele acusa de aprisioná-lo injustamente, dizendo que “tornaria a vida deles um inferno”.

Discursando em uma conferência do Partido dos Trabalhadores de esquerda (PT) em São Paulo na sexta-feira, Lula disse que estava “mais disposto a lutar por este país do que em qualquer outro momento” após sua libertação da prisão, há duas semanas.

“Hoje me sinto muito mais forte do que no dia em que me entreguei à polícia federal”, disse o torcedor de 74 anos, que passou 19 meses atrás das grades devido a uma condenação por corrupção. “Você me verá viajando por este país, não apenas tornando suas vidas um inferno, mas também defendendo o povo brasileiro que não merece experimentar o que está experimentando”, acrescentou o ex-líder sindical.

Lula foi libertado da prisão em 8 de novembro, após uma decisão da Suprema Corte que anulou a opinião da corte há três anos, de que criminosos condenados enfrentam prisão compulsória se perderem seu primeiro recurso.

Após sua libertação, especulou-se se Lula – um membro fundador do PT que governou o Brasil de 2003 a 2010 – poderia ser o candidato do PT nas eleições presidenciais de 2022 no país, mesmo que ele esteja atualmente impedido de concorrer ao cargo devido ao condenação por corrupção que o levou à prisão.

De acordo com a legislação brasileira “Clean Slate”, as pessoas com graves condenações criminais são impedidas de se candidatar a um cargo dentro de oito anos após serem consideradas culpadas.

Em 2018, Lula recebeu uma sentença de quase nove anos depois de ser considerado culpado de receber propinas de empresas de construção civil em troca de contratos públicos como parte de uma investigação abrangente sobre corrupção conhecida como Lava Jato, ou Car Wash. Ele também está enfrentando várias outras acusações de corrupção.

Lula sempre refutou as alegações, insistindo que o caso contra ele era politicamente motivado e acusando promotores e Sergio Moro – então juiz e agora ministro da Justiça no governo de Bolsonaro – de manipulações.

Ele está recorrendo de sua condenação relacionada à suposta compra de um apartamento à beira-mar, bem como à sentença em um caso envolvendo propriedade de uma fazenda em Atibaia, nos arredores de São Paulo.

Se ele perder seus apelos em qualquer uma das condenações, no entanto, poderá ser preso novamente. Os casos podem continuar sendo discutidos nos tribunais por anos.

Nascido no nordeste rural do Brasil em 1945, o carismático Lula deixou o cargo com índices de aprovação pessoal de aproximadamente 90%, tendo presidido um período de prosperidade e redução da pobreza.

Apesar dos casos de corrupção instaurados contra ele e sua prisão na época, Lula também liderou as pesquisas de opinião nas vésperas da eleição presidencial altamente polarizada do Brasil em 2018 – eventualmente vencida por Bolsonaro – antes de ser forçado a retirar sua candidatura para o país primeiro lugar um mês antes da votação.

A popularidade de Bolsonaro parece estar em declínio, com sua taxa de aprovação caindo para pouco mais de 30% nos últimos meses, abaixo dos 49% no início deste ano, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.

O ex-capitão do exército de 64 anos disse que o Brasil não deve “dar espaço para se comprometer com um condenado” após a libertação de Lula e pediu aos apoiadores que se unam à agenda de seu governo, que inclui um severo aperto nos gastos públicos.

Lula, por sua vez, acusa Bolsonaro de querer “destruir todas as conquistas democráticas e sociais” que o país fez desde a transição para a democracia em 1985, após duas décadas de regime militar, ao mesmo tempo em que pedia uma diminuição da polarização política.

“Lamento que o Brasil esteja se tornando um país onde a disseminação do ódio está se tornando parte da vida cotidiana das pessoas”, disse ele ao jornal The Guardian em entrevista publicada na sexta-feira.