
A Marcha Estadual pela Reforma Agrária, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chegou à região de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, nesta segunda-feira (13). A mobilização reúne mais de 2 mil participantes, entre famílias acampadas e assentadas de diversas regiões da Bahia, e segue em direção à capital baiana, com chegada prevista para o dia 17 de abril.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os manifestantes encerraram a caminhada por volta das 9h10 e montaram acampamento em frente ao Condomínio Fazenda Real, nas proximidades do novo posto da PRF, no sentido Salvador. A presença do grupo requer atenção dos motoristas que trafegam pela região, embora não haja registro de interdições significativas até o momento.
Mobilização relembra os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás
Com o tema “30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: por memória, justiça e Reforma Agrária Popular”, a marcha teve início no dia 8 de abril, partindo do município de Feira de Santana. O percurso total ultrapassa 120 quilômetros, simbolizando a luta histórica dos trabalhadores rurais pelo acesso à terra e por políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do campo.
O Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, no estado do Pará, é considerado um dos episódios mais marcantes da luta pela reforma agrária no Brasil, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos durante uma ação policial. Desde então, a data é lembrada nacional e internacionalmente como o Dia Internacional da Luta Camponesa.
Objetivos da marcha e reivindicações
Além de homenagear as vítimas do massacre, a mobilização busca chamar a atenção para a necessidade de avanços na reforma agrária popular, defendendo:
- Democratização do acesso à terra;
- Fortalecimento da agricultura familiar;
- Incentivo à produção de alimentos saudáveis;
- Investimentos em infraestrutura e assistência técnica para assentamentos;
- Ampliação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável.
A marcha também promove atividades culturais, debates e momentos de formação política ao longo do trajeto, reforçando o caráter social e educativo do movimento.
Avanços recentes na reforma agrária
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem publicado medidas importantes para a criação de novos assentamentos. Entre elas, destaca-se a Portaria nº 999, que destinou a Fazenda Renata e outras áreas, totalizando 9,8 mil hectares nos municípios de Itapicuru e Ribeira do Amparo, na Bahia, possibilitando a criação de 233 unidades agrícolas familiares.
Além disso, o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que o governo federal pretende intensificar as ações de desapropriação de terras, com a expectativa de que 2026 concentre o maior volume de entregas de assentamentos durante o atual mandato presidencial. A declaração foi feita durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).
Impactos para a Região Metropolitana de Salvador
A passagem da Marcha do MST por Simões Filho reforça a relevância da cidade como ponto estratégico de mobilização social e logística na Região Metropolitana de Salvador. A presença de milhares de participantes pode gerar impactos temporários no trânsito e na rotina local, especialmente nas rodovias que ligam o município à capital.
Autoridades de segurança e trânsito acompanham a mobilização para garantir a fluidez viária e a segurança tanto dos manifestantes quanto dos motoristas. A expectativa é de que a caminhada prossiga de forma pacífica até a chegada em Salvador.
Importância da reforma agrária para o desenvolvimento social
A reforma agrária é considerada uma política pública essencial para a redução das desigualdades sociais no campo, promovendo:
- Geração de emprego e renda;
- Segurança alimentar;
- Desenvolvimento regional sustentável;
- Fixação das famílias no meio rural;
- Estímulo à economia local.
Especialistas apontam que assentamentos bem estruturados contribuem significativamente para o abastecimento de alimentos e para o fortalecimento da agricultura familiar, responsável por grande parte da produção de alimentos consumidos no país.
Expectativa de chegada a Salvador
De acordo com o MST, a marcha deve ser concluída no dia 17 de abril, quando estão previstas atividades políticas e culturais na capital baiana, marcando o encerramento da mobilização e a reafirmação das reivindicações do movimento.
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