Morto em ataque na Liberdade comemorava resultado de jogo do Bahia


A animação iria atravessar a madrugada, afinal, o Bahia havia empatado com o xará de Feira de Santana na primeira partida da final do Campeonato Baiano. Fábio Soares dos Santos, 37 anos, assistiu à partida no segundo largo da Feira do Japão, na Liberdade, onde nasceu e se criou, contrariando a esposa. “Ele sempre voltava muito tarde. Tinha medo”, disse a mulher dele ao CORREIO. A comemoração acabou quando ocupantes de um carro atiraram em quem estava no largo.

 “Ele era torcedor do Bahia doente. Ele estava no lugar errado e na hora errada. Quem fez isso, não quero saber. Não vai mudar em nada. Quero só enterrar ele e pedir a Deus que a alma dele descanse em paz. Ficam agora só as boas lembranças”, declarou a mulher de Fábio, na manhã desta segunda-feira (15) no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Ela preferiu não revelar o nome.

Fábio morreu após ter sido baleado durante um ataque efetuado por bandidos que, segundo testemunhas, chegaram num GM Meriva, de cor verde, e dispararam contra as pessoas que estavam no largo – outras quatro ficaram feridas.  “Não foram poucos tiros, não. Foram muitos. Vários”, disse desolada a mulher da vítima. O corpo de Fábio foi enterrado às 15h desta segunda-feira (15) no Cemitério da Quinta dos Lázaros.

Moradores do local atribuem o ataque ao traficante Bruno, o Bruxo, um dos integrantes da facção Comando da Paz (CP), que atua na Avenida Peixe, trecho da Caixa d’Água. No entanto, em relação ao ataque, a assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS) e que a autoria e motivação estão sendo apuradas.

Local onde ocorreu o atentado (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Crime
Era por volta das 22h quando os criminosos chegaram ao Segundo Largo da Feira do Japão. O local é cercado de bares e casas residenciais e comumente ponto de encontro entre os moradores e visitantes nos finais de semana.

“O que ficamos sabendo é que os criminosos chegaram atirando. As pessoas correram para o bar onde Fábio já estava. Ele, acreditando que poderia ser morto dentro do bar com os demais, saiu correndo em direção à moto que estava estacionada na rua. Foi quando pegaram ele”, contou a mulher de Fábio.

Na manhã desta segunda-feira, o CORREIO esteve no local do crime. Abalados, moradores afirmaram que Fábio era uma pessoa querida na localidade.

“Ele não morava mais aqui, mas sempre vinha para cá. Uma pessoa com quem todo mundo poderia contar. Um amigo para toda hora”, disse um amigo de infância de Fábio que preferiu não revelar o nome.

Vídeo
“Era uma pessoa muito alegre. Gostava de fazer vídeos com todo mundo para tirar sarro de todo mundo. Era um brincalhão. Ninguém aqui tem o que falar dele”, contou outra amiga de infância. Não fugindo do hábito, Fábio fez um vídeo momentos antes de ter sido morto.

A imagem que circula nas redes sociais o mostra em um vídeo frontal, bebendo e brincando com os amigos. Era noite e a rua estava movimentada. “Ele estava muito feliz ontem, feliz demais, como se estivesse despedindo da gente. E pensar que quem atirou já morou aqui, Bruno”, declarou um amigo de Fábio.

Bruno
De acordo com moradores, com a prisão de Coruja, Thiago Adílio dos Santos, em fevereiro deste ano, o tráfico de drogas na Avenida Peixe está desordenado. Coruja era líder da facção chamada OP (Ordem e Progresso) – dissidência da CP – e controla as “bocas” da região.

A todo custo, Bruno da CP quer dominar o local. “Ele quer fazer isso nem que seja preciso derramar sangue de inocentes. Até agora, só gente de bem foi vítima dele”, disse um dos amigos de Fábio.

CORREIO