
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), uma fase da Operação Poço de Lobato no município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. A ação teve como alvo o escritório de uma empresa ligada a um suposto braço baiano de uma organização criminosa de alcance nacional, suspeita de integrar um esquema estruturado de fraudes fiscais no setor de combustíveis.
O mandado de busca e apreensão foi cumprido pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) após o avanço das investigações conduzidas em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Esquema teria causado rombo de R$ 26 bilhões
Segundo o Ministério Público, o grupo empresarial investigado teria provocado um prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos de São Paulo e da União.
O esquema envolvia:
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Sonegação sistemática de tributos
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Lavagem de dinheiro
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Blindagem patrimonial
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Uso de empresas de fachada
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Uso de fundos de investimento para ocultação de ativos
As ações fazem parte de uma força-tarefa conduzida pelo Cira/SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos) em parceria com:
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Receita Federal
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Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)
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Ministério Público da Bahia e de São Paulo
Como funcionava o esquema, segundo as investigações
A investigação aponta uma rede empresarial altamente sofisticada, criada para dificultar o rastreamento do patrimônio real e das operações ilícitas.
A seguir, uma síntese dos mecanismos utilizados:
1. Empresas de fachada e laranjas
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Criadas para emitir notas fiscais irregulares
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Permitiam a circulação de combustíveis sem pagamento de impostos
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Foram registradas em nome de sócios fictícios ou pessoas sem capacidade financeira
2. Blindagem patrimonial
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Uso de estruturas societárias complexas
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Abastecimento de capital via holdings e subsidiárias
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Transferência constante de bens entre empresas do grupo
3. Fundos de investimento
Diversos fundos eram utilizados para:
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Alavancar artificialmente receitas
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Ocultar movimentação financeira
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Dificultar rastreamento de ativos ilícitos
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Promover lavagem de capitais
4. Lavagem de dinheiro
A lavagem ocorria por meio de:
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Movimentações cruzadas entre empresas
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Simulação de empréstimos
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Falsificação de documentos contábeis
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Distribuição disfarçada de lucros e dividendos
CRIMES INVESTIGADOS
| Crime | Descrição |
|---|---|
| Fraudes fiscais estruturadas | Esquema de sonegação e evasão que afeta toda a cadeia de combustíveis |
| Organização criminosa | Ação coordenada entre empresários, diretores e administradores |
| Falsidade ideológica | Uso de documentação falsa em registros contábeis e societários |
| Lavagem de dinheiro | Ocultação de patrimônio via fundos, empresas de fachada e transações irregulares |
| Crimes contra a ordem econômica | Manipulação de mercado e concorrência desleal |
Impacto nacional do esquema
A fraude praticada, segundo o MPSP, teria influenciado diretamente a arrecadação de tributos e a formação de preços no setor de combustíveis, prejudicando:
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Estados e União, que deixaram de arrecadar bilhões
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Concorrentes, que operam dentro da lei
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Consumidores, que sofreram impactos indiretos na precificação
Próximos passos da Operação Poço de Lobato
A investigação segue em curso e novas fases não estão descartadas. Documentos apreendidos em Camaçari serão analisados pelo Gaeco e compartilhados com o MPSP, que centraliza a operação.
A expectativa é que, com a apreensão de celulares, computadores e contratos, seja possível:
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Identificar novos integrantes do esquema
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Mapear fluxo financeiro oculto
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Rastrear intermediários e consultorias envolvidas
Uma nova rodada de denúncias formais poderá ser apresentada ainda este ano.
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