Uma horta que aproveita água da chuva, atividades de leitura durante o recesso escolar e estratégias de atendimento individualizado estão entre os 12 projetos certificados no I Fórum dos Educadores de Simões Filho, realizado nesta terça-feira, 20 de outubro. Desenvolvidas por profissionais da rede municipal, as propostas abordam desafios de aprendizagem, inclusão e participação das famílias no cotidiano escolar.
O encontro reuniu experiências da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Além da leitura e da escrita, os trabalhos contemplam educação antirracista, prevenção à dengue, sustentabilidade, Matemática, cidadania e uso de tecnologias no ensino de Ciências.
A proposta agora é fazer essas práticas circularem pela rede. Segundo a secretária municipal de Educação, Héliene Mota, todas as unidades receberão uma coletânea com os projetos, suas metodologias e os resultados esperados, para apoiar a reprodução das experiências em outras escolas.
Experiências das escolas serão compartilhadas
De acordo com Héliene Mota, as iniciativas partiram de temas trabalhados desde o início do ano letivo. O fórum abriu espaço para apresentar as estratégias adotadas pelos educadores e discutir como elas podem contribuir com outras unidades.
“O objetivo é disseminar essas experiências exitosas para toda a rede, para que o que está dando certo em uma escola possa ser replicado em outras”, afirmou a secretária.
O prefeito Del Soares visitou os estandes e destacou a dedicação dos profissionais e a participação dos estudantes. Durante o encontro, defendeu a valorização dos educadores, a qualificação profissional e a realização de atividades que deem visibilidade ao trabalho desenvolvido nas escolas.
Conheça os 12 projetos apresentados e os objetivos de cada iniciativa.
1. Leitura e escrita desde os primeiros anos
Na Escola Municipal Professora Antonia Gonçalves de Souza, o projeto “Ler é dar asas à imaginação” atende estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A proposta combina contação de histórias, rodas de leitura, jogos, cantigas e produção textual.
As atividades procuram desenvolver a leitura e a escrita, incluindo a consciência fonológica, relacionada à percepção dos sons da fala. O trabalho também busca aproximar famílias e comunidade escolar das práticas leitoras, ampliando as oportunidades de contato das crianças com textos e histórias.
2. Horta escolar une cultivo e aproveitamento da chuva
A dificuldade de manter a irrigação ao longo do ano motivou o projeto “Horta Pedagógica Sustentável, com estufa e irrigação por gravidade”, da Escola Municipal Diácono Fernando Britto.
A proposta prevê uma estrutura que utiliza água da chuva para irrigar o cultivo. Além de incentivar o uso consciente da água, a iniciativa tem como objetivo produzir alimentos orgânicos destinados ao consumo na escola.
O projeto aproxima a educação ambiental de uma necessidade concreta da unidade: cuidar da horta e de seu abastecimento. Durante o fórum, o trabalho foi apresentado como vencedor do Prêmio EcolNOVAR Bahia, promovido pela A TARDE Educação.
3. Prevenção à dengue começa na Educação Infantil
O projeto “Todos contra a dengue”, da Escola Municipal Professora Antonia Souza de Santana, trabalha a identificação de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti com crianças da Educação Infantil.
Brincadeiras, desenhos, rodas de conversa e atividades práticas integram a abordagem. A intenção é apresentar o tema de maneira adequada à faixa etária e estimular hábitos de prevenção.
A participação das crianças também busca ampliar o alcance das orientações: o que é discutido na escola pode ser compartilhado com familiares e outras pessoas da comunidade.
4. Planejamento individualizado para reduzir barreiras
Na Escola Municipal Professora Juciete Souza Mota Soares, a implantação do Plano Educacional Individualizado (PEI) foi apresentada junto ao fortalecimento do Atendimento Educacional Especializado.
A experiência começou com dois estudantes, um da Educação Infantil e outro do Ensino Fundamental. A equipe observou as necessidades e as potencialidades de cada aluno para estabelecer metas e estratégias específicas.
O foco está em ampliar a participação, a autonomia e as condições de aprendizagem. A proposta também destaca a parceria com as famílias e aponta a possibilidade de expansão do atendimento especializado na rede municipal.
5. Cultura nordestina inspira formação de professores
Também desenvolvido na Escola Municipal Professora Juciete Souza Mota Soares, o “Arraiá da Leitura” é um workshop voltado aos professores dos anos iniciais.
A formação relaciona leitura e escrita à cultura nordestina por meio de contação de histórias, literatura de cordel, brincadeiras com palavras, dobraduras e outras vivências.
O objetivo é ampliar o repertório dos educadores para o planejamento das aulas. A cultura popular aparece como referência para criar atividades contextualizadas e aproximar as práticas pedagógicas das experiências culturais dos estudantes.
6. Livros acompanham os alunos no recesso junino
A Escola Municipal Cristo Rei apresentou o projeto “Excelência não sai de férias”, criado para manter o contato dos estudantes com a leitura durante o recesso junino.
Ao longo de 15 dias, as famílias foram orientadas a acompanhar leituras diárias de textos adequados ao nível de cada aluno. A dinâmica incluiu o envio de registros à professora e devolutivas pedagógicas.
A iniciativa busca fortalecer a fluência leitora e a autonomia, além de envolver os responsáveis no acompanhamento das atividades. A continuidade da prática durante a pausa nas aulas é o eixo central da proposta.
7. Acolhimento e acompanhamento pedagógico caminham juntos
O Centro Municipal de Educação Maria Senhorinha de Oliveira apresentou “Afetividade e efetividade no desempenho de uma comunidade escolar em Simões Filho”.
A unidade, que atende crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, relaciona a aprendizagem ao vínculo entre estudantes, profissionais e famílias.
Entre as estratégias estão mentoria parental, reforço pedagógico, clubes de leitura e oficinas de escrita. A avaliação contínua das necessidades dos alunos orienta o acompanhamento, com atenção ao contexto de cada criança e à escuta da comunidade escolar.
8. Matemática ligada a problemas do cotidiano
O “Clube de Letramento Matemático em Simões Filho: protagonismo e recomposição de aprendizagens”, ligado à Escola das Adolescências, abrange 16 escolas municipais, conforme o material apresentado.
Voltada aos anos finais do Ensino Fundamental, a iniciativa prevê oficinas práticas e investigativas para retomar conteúdos nos quais os estudantes apresentam defasagens.
Jogos, resolução de problemas e atividades de modelagem fazem parte da metodologia. A proposta procura desenvolver o raciocínio lógico e mostrar como os conceitos matemáticos podem ser utilizados para compreender situações do dia a dia.
9. Escrita, música e teatro como formas de expressão
O projeto “Quando eu escrevo, me vejo”, do Clube de Letramento Literário e Corporeidade, também integra a Escola das Adolescências.
As atividades aproximam estudantes e professores por meio de rodas de leitura, escrita criativa, música, teatro e apresentações. O trabalho reúne diferentes linguagens para incentivar a expressão dos alunos.
A valorização das experiências pessoais, da identidade e do pertencimento orienta a proposta. Ao produzir textos e participar de atividades corporais e artísticas, os estudantes são convidados a construir e compartilhar suas próprias narrativas.
10. Cidadania a partir da realidade da comunidade
Nas escolas municipais Dom Francisco Leite e Vereador Péricles Renê Souza, o projeto “Meus valores, minha comunidade” articula letramento, humanidades e cidadania.
A iniciativa utiliza rodas de conversa e dinâmicas participativas com estudantes do Ensino Fundamental II. As discussões abordam valores, convivência e relações no ambiente escolar e na comunidade.
O objetivo é incentivar o protagonismo juvenil e a participação social. Respeito, acolhimento e reflexão sobre a realidade local aparecem como elementos centrais das atividades.
11. Gincana coloca a educação antirracista em pauta
A Escola Municipal Professor Enock Pimentel Tourinho apresentou “Minha cor, meu orgulho!”, uma gincana que aborda diversidade étnico-racial, identidade e enfrentamento ao racismo.
O trabalho reúne debates, pesquisas, rodas de conversa e oficinas de produção textual e artística, além de atividades em equipe.
A proposta busca ampliar a compreensão dos estudantes sobre o racismo estrutural e valorizar a história e a cultura afro-brasileira. Também tem como objetivos fortalecer a autoestima dos alunos e promover relações de respeito no cotidiano escolar.
12. Recursos digitais ajudam a explorar os biomas brasileiros
Na Escola Municipal Professor Hilderico Pinheiro de Oliveira, o projeto “Tecnologias da Informação e Comunicação no ensino de Ciências” utiliza o estudo dos biomas brasileiros como ponto de partida para atividades digitais.
Integrada à Escola das Adolescências, a iniciativa envolve mapas interativos, pesquisa em fontes digitais e elaboração de apresentações.
Os estudantes são incentivados a pesquisar, selecionar informações, organizar ideias e comunicar o que aprenderam. A proposta busca desenvolver autonomia, pensamento crítico e trabalho colaborativo, associando o uso da tecnologia à investigação científica.
Fórum também apresenta balanço da rede municipal
Durante o encontro, Héliene Mota afirmou que Simões Filho registrou o maior crescimento no Ideb entre os municípios da Região Metropolitana de Salvador, considerando os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. A declaração apresentada no material não informa a edição do indicador nem as notas utilizadas na comparação.
Com a distribuição anunciada da coletânea, as metodologias apresentadas no fórum deverão chegar às demais unidades da rede. O material reunirá as propostas e seus resultados esperados, oferecendo aos educadores referências para avaliar a aplicação das experiências em suas escolas.
