
Um dos nomes mais tradicionais da culinária baiana voltou ao centro das atenções em Salvador. O Acarajé da Cira, conhecido por moradores e turistas nos bairros de Itapuã e Rio Vermelho, enfrenta uma disputa familiar envolvendo a administração dos pontos e o uso da marca criada por Dona Cira, quituteira que marcou a história gastronômica da capital baiana.
O caso ganhou repercussão após o perfil Acarajé da Cira Oficial, ligado à operação do Rio Vermelho, anunciar que o quiosque de Itapuã não integraria mais, temporariamente, as operações da empresa. A justificativa apresentada foi a existência de questões administrativas e burocráticas em tratamento interno.
O que aconteceu com o Acarajé da Cira?
A controvérsia envolve duas filhas de Dona Cira: Juçara Santos, ligada à administração do ponto do Rio Vermelho, e Cristina de Jesus Santos, responsável pelo ponto de Itapuã.
Segundo a versão apresentada pela defesa de Juçara, ela seria a inventariante da marca desde a morte de Dona Cira, em 2020, e teria sido escolhida pelos herdeiros para administrar os dois pontos. A defesa afirma ainda que a prestação de contas aos demais herdeiros vinha ocorrendo de forma regular.
O impasse teria se intensificado no fim de março, quando Cristina passou a administrar o ponto de Itapuã de forma independente. A defesa de Juçara informou que Cristina foi notificada extrajudicialmente e que medidas judiciais estão sendo avaliadas.
Ponto de Itapuã segue funcionando
Apesar do anúncio de desvinculação temporária, o quiosque de Itapuã continua funcionando normalmente, sob responsabilidade de Cristina. Ela afirma que o ponto tem administração própria e independente, mas preserva o legado de Dona Cira no bairro onde a história da marca foi construída.
Cristina também declarou que a divergência começou após um pedido de prestação de contas à irmã, já que o faturamento dos dois quiosques seria dividido entre os seis herdeiros. Segundo ela, o ponto de Itapuã é parte essencial da trajetória da família e não deixou de funcionar.
Rio Vermelho mantém operação oficial
Do outro lado, o ponto do Rio Vermelho segue funcionando sob a gestão de Juçara. A nota divulgada pelo Acarajé da Cira Oficial afirma que a unidade mantém o padrão de qualidade e tradição associado à marca.
A principal preocupação apresentada pela defesa de Juçara é a garantia de qualidade dos produtos vendidos sob o nome Acarajé da Cira, já que, segundo a versão dela, o ponto de Itapuã estaria operando fora da gestão oficial da empresa.
Ainda não há processo judicial
Até o momento, não há processo na Justiça sobre o uso da marca Acarajé da Cira. A disputa permanece no campo familiar e administrativo, embora uma das partes admita avaliar medidas judiciais.
Na prática, os dois pontos continuam abertos: Cristina opera o quiosque de Itapuã, enquanto Juçara administra a unidade do Rio Vermelho. O caso, porém, expõe uma disputa sensível envolvendo herança, marca, tradição e reputação de um dos acarajés mais conhecidos de Salvador.
Por que o caso chama tanta atenção?
O acarajé não é apenas um alimento típico da Bahia. O ofício das baianas de acarajé é reconhecido como parte importante da identidade cultural de Salvador e da tradição afro-brasileira. O IPHAN destaca que a feitura das comidas de baiana tem longa continuidade histórica e forte relação com a cultura da cidade.
Por isso, a disputa envolvendo o Acarajé da Cira vai além de uma divergência comercial. O caso toca em um patrimônio afetivo, gastronômico e cultural ligado à memória de Dona Cira e à relação de Salvador com seus tabuleiros mais tradicionais.
O que muda para os clientes?
Por enquanto, o consumidor encontra os dois quiosques em funcionamento. A diferença está na gestão: o ponto de Itapuã está sob responsabilidade de Cristina, enquanto o Rio Vermelho segue vinculado ao Acarajé da Cira Oficial, administrado por Juçara.
A disputa ainda pode ter novos desdobramentos caso alguma das partes leve o caso à Justiça. Até lá, o impasse segue marcado por versões diferentes sobre administração, prestação de contas e legitimidade no uso da tradição construída por Dona Cira.
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