O União Brasil oficializou, nesta quarta-feira, 22 de julho, a candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia nas eleições de 2026. A convenção estadual foi realizada no Centro de Convenções de Salvador e reuniu apoiadores, dirigentes partidários e lideranças políticas de diferentes regiões do estado.
O evento consolidou a chapa majoritária liderada pelo ex-prefeito de Salvador e marcou o início de uma nova fase da campanha da oposição. ACM Neto disputará novamente o comando do Executivo estadual após ter sido derrotado por Jerônimo Rodrigues no segundo turno da eleição de 2022.
Além da candidatura ao governo, a aliança confirmou o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá, do PP, como candidato a vice-governador. João Roma, presidente estadual do PL, e o senador Angelo Coronel, agora filiado ao Republicanos, foram apresentados como candidatos às duas vagas da Bahia no Senado.
A formação da chapa reúne partidos e lideranças que estiveram em campos distintos no pleito anterior. A estratégia da oposição é apresentar uma frente mais ampla e fortalecer a presença da campanha no interior baiano, onde a disputa costuma ter papel decisivo no resultado estadual.
Discurso concentra ataques na gestão de Jerônimo Rodrigues
Durante o discurso e em entrevista coletiva após a convenção, ACM Neto afirmou que a eleição de 2026 será disputada em um cenário diferente daquele encontrado quatro anos antes.
Segundo o candidato, Jerônimo Rodrigues chegou ao pleito de 2022 ainda pouco conhecido por grande parte dos eleitores. Agora, na avaliação do ex-prefeito, o governador petista terá de defender os resultados alcançados durante o mandato e responder diretamente pela condução da administração estadual.
“Hoje, o meu adversário é conhecido. Há quatro anos, ele era completamente desconhecido. Jerônimo Rodrigues era um livro com páginas em branco. Hoje, ele é um governador testado e reprovado”, declarou ACM Neto durante a convenção. A afirmação representa a avaliação política do candidato da oposição sobre o atual governo.
A tendência é que o desempenho da gestão estadual, especialmente em áreas como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego, ocupe o centro da campanha.
Do outro lado, Jerônimo Rodrigues e seus aliados devem defender as ações realizadas pelo governo e destacar projetos entregues ou ainda em execução. A candidatura do governador à reeleição precisará ser homologada em convenção partidária, conforme determina o calendário eleitoral.
Promessas de campanha entram no centro da disputa
Um dos principais argumentos utilizados por ACM Neto foi um levantamento sobre as promessas feitas por Jerônimo Rodrigues durante a campanha de 2022.
Segundo o monitoramento citado pelo candidato, 33 das 92 promessas analisadas foram consideradas integralmente cumpridas ao longo de aproximadamente três anos e meio de mandato. O total representa cerca de 36% dos compromissos acompanhados.
ACM Neto usou o dado para questionar a capacidade de entrega da atual administração e afirmou que existe uma distância entre os compromissos apresentados durante a eleição e os resultados efetivamente alcançados.
“Se eu estivesse no lugar dele, não teria coragem de ser candidato à reeleição. Porque eu não sei com que cara alguém que foi candidato há quatro anos prometendo tantas coisas e não cumpriu participa de mais um pleito”, declarou.
O levantamento deverá ser explorado pela oposição durante a campanha. No entanto, a classificação das promessas pode variar conforme a metodologia adotada, principalmente nos casos de projetos parcialmente executados, iniciativas de longo prazo ou obras ainda em andamento.
João Roma destaca união da oposição
Durante a convenção, João Roma afirmou que o PL chega à campanha para ampliar a frente de oposição e colaborar com a construção de uma atuação unificada em todo o estado.
O ex-ministro ressaltou que a reunião de partidos com presença em Salvador e no interior pode aumentar a competitividade da chapa. O objetivo declarado é organizar palanques regionais e integrar as campanhas para governador, vice, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Bruno Reis, prefeito de Salvador e aliado de ACM Neto, também destacou a tentativa de ampliar a capilaridade da coligação. Segundo ele, o grupo pretende contar com articulações políticas nos 417 municípios baianos.
A ex-prefeita de Juazeiro Suzana Ramos e o ex-prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge foram anunciados para as suplências da candidatura de João Roma ao Senado. A composição busca reforçar a participação de lideranças do interior na chapa oposicionista.
Campanha deve repetir confronto de 2022
A oficialização de ACM Neto encaminha a repetição do principal confronto eleitoral de 2022. Naquele ano, Jerônimo Rodrigues venceu o segundo turno com pouco mais de 52% dos votos válidos, enquanto ACM Neto recebeu aproximadamente 47%.
Desta vez, o candidato do União Brasil deverá concentrar sua campanha na avaliação do governo estadual. Já o grupo governista tende a destacar investimentos realizados, programas sociais, obras e a relação política com o governo federal.
A convenção também evidencia que segurança pública, cumprimento de promessas, desenvolvimento econômico e qualidade dos serviços públicos estarão entre os temas mais explorados na eleição.
Com a chapa homologada, ACM Neto entra oficialmente na disputa pelo Palácio de Ondina e intensifica o discurso de confronto com Jerônimo Rodrigues. O próximo passo será ampliar a presença nos municípios e apresentar as propostas que integrarão o programa de governo da oposição.
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