Um homem apontado pelas investigações policiais como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV) com atuação na região de Cajazeiras, em Salvador, foi preso no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (4). Identificado como Marisson dos Santos Silva, conhecido pelos apelidos de “Nino”, “NB” e “Nino Brown”, ele foi localizado durante uma operação integrada entre forças de segurança da Bahia e do Rio de Janeiro.
A captura ocorreu na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), na região da Serra das Araras, em Piraí, no interior fluminense. A ação contou com participação das polícias civis dos dois estados e apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Além da suposta atuação em uma organização criminosa, Marisson é investigado pela morte do adolescente Gustavo Barbosa dos Santos, de 17 anos, ocorrida em Cajazeiras, e por duas tentativas de homicídio. Contra ele havia um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça de Salvador.
Nino Brown foi localizado durante operação na Serra das Araras
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, equipes de segurança chegaram à localização do investigado após troca de informações entre as forças policiais da Bahia e do Rio de Janeiro.
Marisson foi interceptado na Serra das Araras, importante trecho da Via Dutra entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Informações divulgadas pela imprensa fluminense apontam que ele estava deixando o estado do Rio em direção a São Paulo quando foi abordado.
Durante a prisão, policiais apreenderam o veículo utilizado pelo suspeito e aparelhos celulares. O material poderá ser submetido a análises para identificar contatos, comunicações e possíveis conexões relacionadas aos crimes investigados.
Após a captura, o homem foi levado para a Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro, onde foram realizados os procedimentos relacionados ao cumprimento da ordem judicial.
Suspeito é investigado por morte de adolescente em Cajazeiras IV
Uma das principais linhas de investigação envolvendo Marisson está relacionada à morte de Gustavo Barbosa dos Santos, de 17 anos.
O crime aconteceu em 4 de julho de 2026, em Cajazeiras IV, segundo a Polícia Civil. O adolescente estava dentro de um carro acompanhado do pai, de 53 anos, e de um amigo, de 19, quando o veículo foi alvo de disparos efetuados por ocupantes de outro automóvel.
Gustavo morreu após o ataque. As outras duas pessoas são apontadas como vítimas de tentativas de homicídio no mesmo episódio.
As investigações ficaram sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Homicídios da Central, que avançou na identificação dos suspeitos e nas circunstâncias que teriam motivado o ataque.
O mandado de prisão temporária contra Marisson foi expedido pelo 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador.
Polícia relaciona suspeito a disputa entre grupos criminosos em Cajazeiras
A investigação também busca esclarecer uma sequência de disputas territoriais envolvendo grupos criminosos na região de Cajazeiras.
De acordo com informações atribuídas à Polícia Civil, Marisson teria pertencido anteriormente ao Bonde do Maluco (BDM) e posteriormente rompido com o grupo para se aproximar do Comando Vermelho.
Autoridades investigam se essa mudança teria contribuído para o aumento dos conflitos entre grupos rivais pelo controle de territórios em Salvador.
Reportagem publicada no Rio de Janeiro afirma que, segundo as investigações, o suspeito teria permanecido escondido no estado fluminense e passado a atuar à distância na articulação de ações contra integrantes de sua antiga organização. Essa participação ainda é objeto de investigação policial.
A possível ruptura entre organizações criminosas é considerada relevante pelos investigadores para compreender episódios recentes de violência registrados em Cajazeiras.
Histórico policial inclui investigações por diferentes crimes
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, Marisson dos Santos Silva já possui registros relacionados a crimes como receptação, roubo, tráfico de drogas e homicídio.
A prisão realizada no Rio, entretanto, está ligada ao mandado temporário expedido no âmbito da investigação conduzida em Salvador.
Por se tratar de investigação em andamento, a eventual responsabilidade do suspeito pelos crimes atribuídos a ele deverá ser definida no decorrer do processo judicial, respeitando o direito de defesa.
Operação também encontrou pistola e munições em Salvador
Enquanto equipes atuavam no Rio de Janeiro para localizar Marisson, outra frente da investigação realizava diligências em Salvador.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um imóvel da capital baiana, policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) encontraram uma pistola calibre 9 mm, dois carregadores e 33 munições, segundo as informações divulgadas sobre a operação.
O armamento deverá passar pelos procedimentos periciais e investigativos previstos para verificar eventual relação com crimes sob apuração.
A apreensão amplia as linhas investigativas e pode contribuir para esclarecer a estrutura e a atuação do grupo acompanhado pelas equipes de homicídios.
Outros suspeitos de envolvimento no homicídio continuam procurados
A prisão de “Nino Brown” não encerra a investigação sobre a morte de Gustavo Barbosa dos Santos.
Outros dois suspeitos apontados como possíveis envolvidos no ataque já foram identificados e continuam sendo procurados, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil.
As equipes também trabalham no cumprimento de outros mandados ligados ao grupo investigado por homicídios na região de Cajazeiras.
A expectativa é que os aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a operação possam fornecer novos elementos para esclarecer a dinâmica dos crimes, identificar possíveis participantes e reconstruir a cadeia de decisões por trás dos ataques investigados.
Prisão reúne forças policiais de três instituições
A localização do suspeito a centenas de quilômetros de Salvador exigiu integração entre diferentes forças de segurança.
Participaram da operação equipes ligadas às polícias civis da Bahia e do Rio de Janeiro, além da Polícia Rodoviária Federal. A abordagem ocorreu em um corredor rodoviário estratégico entre Rio de Janeiro e São Paulo.
A investigação continua na Bahia, principalmente para esclarecer o homicídio ocorrido em Cajazeiras IV, localizar outros suspeitos e apurar a dimensão da disputa entre grupos criminosos que atuam na região.
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