O prefeito de Simões Filho, Del Soares, voltou a cobrar do governador Jerônimo Rodrigues medidas para melhorar o sistema estadual de regulação de pacientes. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, 5 de agosto, após a confirmação da morte do estudante Felipe Pereira Nascimento Santos, de 17 anos.
Aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Felipe estava internado no Hospital Municipal de Simões Filho e aguardava transferência para uma unidade com estrutura de maior complexidade, conforme as informações divulgadas sobre o caso.
A morte provocou comoção entre familiares, amigos, estudantes e integrantes da comunidade escolar. O IFBA Campus Simões Filho publicou um comunicado de pesar e informou a suspensão de atividades acadêmicas. A instituição mantém uma área oficial destinada à publicação de notas e comunicados dirigidos à comunidade.
As circunstâncias clínicas do falecimento e o impacto do tempo de espera no quadro do adolescente ainda dependem de esclarecimentos técnicos. Por isso, não é possível afirmar, sem laudo médico ou apuração oficial, que a demora na transferência tenha sido a causa direta da morte.
Prefeito cobra resposta do Governo da Bahia
Ao comentar o caso, Del Soares lamentou a perda do estudante e afirmou que a dificuldade para conseguir vagas em unidades especializadas não representa um problema isolado de Simões Filho.
Segundo o prefeito, a demora na regulação afeta pacientes de diferentes municípios baianos e exige uma resposta estrutural do Governo do Estado, especialmente para os casos que necessitam de atendimento hospitalar especializado, cirurgia, unidade de terapia intensiva ou acompanhamento de alta complexidade.
“Sem dúvida nenhuma, a gente sabe que é algo muito delicado, um problema da Bahia que tem repercutido em todo o estado”, declarou Del Soares.
O prefeito disse ainda que já discutiu o tema diretamente com Jerônimo Rodrigues durante uma audiência. Na ocasião, teria apresentado tanto a preocupação com o funcionamento da regulação quanto a proposta de construção de uma nova unidade hospitalar no município.
“Tivemos uma audiência com o governador pontuando a questão da regulação e também a possibilidade de construir um hospital em Simões Filho, por ser um lugar estratégico, para que a gente tenha mais resolutividade nas ações e consiga melhorar esse sistema”, afirmou.
Del Soares defende hospital de maior complexidade
A construção de um hospital com capacidade para procedimentos mais complexos é apontada pela administração municipal como uma possível alternativa para reduzir a dependência de transferências para Salvador e outras cidades da Região Metropolitana.
Simões Filho possui localização estratégica, próxima à BR-324, ao Centro Industrial de Aratu, ao Polo Industrial de Camaçari e a municípios como Salvador, Lauro de Freitas, Candeias e Dias d’Ávila.
Na avaliação do prefeito, uma unidade regional instalada na cidade poderia ampliar a oferta de leitos, desafogar hospitais da capital e diminuir o deslocamento de pacientes que precisam de atendimento especializado.
“Ficamos preocupados com as famílias que perdem um ente querido, muitas vezes após uma longa espera por atendimento”, acrescentou o gestor.
A proposta, entretanto, depende de estudos técnicos, definição do perfil assistencial, disponibilidade de recursos e negociação entre os governos municipal, estadual e federal. Até o momento, não foram apresentados publicamente cronograma, orçamento ou projeto definitivo para a construção da unidade defendida pelo prefeito.
Como funciona a regulação na Bahia
A regulação organiza o acesso dos pacientes aos serviços do Sistema Único de Saúde quando o atendimento necessário não está disponível na unidade ou no município onde a pessoa se encontra.
Após a solicitação médica, o caso é inserido no sistema e avaliado conforme critérios clínicos, nível de urgência, disponibilidade de leitos, especialidade necessária e capacidade das unidades de referência.
Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado possui uma superintendência responsável por coordenar, supervisionar e monitorar a regulação da assistência, incluindo serviços hospitalares de média e alta complexidade. A estrutura estadual também presta apoio aos municípios na implantação das políticas de regulação.
Isso não significa, entretanto, que toda movimentação de pacientes seja exclusivamente estadual. As responsabilidades no SUS são compartilhadas e variam conforme o procedimento, a pactuação regional, o financiamento e o tipo de atendimento solicitado.
O Tratamento Fora do Domicílio, por exemplo, pode ter responsabilidades diferentes. Segundo a Secretaria da Saúde da Bahia, o deslocamento intermunicipal é administrado pelo município, enquanto o interestadual fica sob responsabilidade da gestão estadual nos procedimentos de alta complexidade não realizados dentro da Bahia.
Município afirma que investe na rede local
Del Soares afirmou que a Prefeitura de Simões Filho tem buscado ampliar os investimentos na atenção básica, melhorar o fluxo de atendimento e fortalecer os serviços oferecidos pelo Hospital Municipal.
“O município tem buscado fazer a sua parte, buscando parcerias e realizando investimentos para melhorar todo o fluxo da saúde na cidade, mas a alta complexidade é responsabilidade do Estado”, declarou.
A atenção básica, formada principalmente por unidades de saúde da família, postos, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e ações preventivas, é administrada prioritariamente pelos municípios.
Já os tratamentos especializados e hospitalares podem envolver unidades municipais, estaduais, federais, filantrópicas ou contratualizadas pelo SUS. O acesso depende da organização regional e da disponibilidade de vagas na rede.
Mesmo quando o paciente recebe atendimento inicial em um hospital municipal, ele pode precisar ser transferido caso necessite de recursos que a unidade não possui, como determinadas cirurgias, exames especializados, neurologia, cardiologia intervencionista ou terapia intensiva.
Fila depende da gravidade e da disponibilidade de leitos
A posição de um paciente no sistema não funciona necessariamente como uma fila comum, organizada apenas pela ordem de chegada. Os pedidos são avaliados de acordo com a gravidade e a urgência de cada situação.
Um caso inserido posteriormente pode receber prioridade quando apresenta risco imediato de morte. Ao mesmo tempo, mesmo pacientes classificados como graves podem aguardar quando não existe leito compatível com a especialidade ou o suporte necessário.
A Central Estadual de Regulação recebe pedidos originados nos 417 municípios baianos. Em balanço divulgado em junho de 2024, a Secretaria da Saúde informou que mais de 131 mil pacientes haviam sido avaliados pelo sistema estadual entre janeiro e 14 de junho daquele ano.
O dado demonstra a dimensão da demanda enfrentada pela rede, mas não esclarece, isoladamente, o tempo médio de espera nem a quantidade atual de pacientes que necessitam de transferência.
Caso amplia pressão por investimentos
A morte de Felipe reacendeu o debate sobre a capacidade hospitalar disponível em Simões Filho e em toda a Região Metropolitana de Salvador.
Além da abertura de novos leitos, especialistas e gestores costumam apontar como medidas necessárias o fortalecimento dos hospitais regionais, a ampliação das equipes, a atualização das informações sobre vagas e a integração mais rápida entre unidades municipais e estaduais.
Também são importantes a manutenção de ambulâncias adequadas, a comunicação com as famílias e a transparência sobre o andamento das solicitações.
A cobrança feita por Del Soares coloca o Governo da Bahia no centro do debate, mas a avaliação das responsabilidades específicas pelo atendimento do estudante dependerá do histórico médico, dos registros da solicitação, da classificação de risco, das vagas disponíveis e das providências adotadas por cada órgão envolvido.
Até a divulgação de informações técnicas mais detalhadas, o caso deve ser tratado com cautela, respeito aos familiares e sem conclusões antecipadas sobre a causa do falecimento.
Comunidade lamenta morte do estudante
A perda do adolescente provocou forte repercussão em Simões Filho. Mensagens de solidariedade foram publicadas por colegas, professores e moradores do município.
Felipe tinha apenas 17 anos e fazia parte da comunidade estudantil do IFBA, instituição federal que oferece cursos técnicos e formação profissional na cidade.
O episódio também aumentou a pressão para que o Estado e o município apresentem medidas concretas capazes de reduzir o tempo de espera por transferências e impedir que situações semelhantes voltem a causar sofrimento às famílias.
Del Soares reforçou que continuará defendendo a instalação de uma unidade hospitalar mais estruturada em Simões Filho e cobrando respostas do governador Jerônimo Rodrigues para os problemas enfrentados pela população que depende do sistema de regulação.
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