O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ampliou as investigações técnicas no km 604 da BR-324, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O objetivo é descobrir com maior precisão o que está provocando os abatimentos registrados no aterro da rodovia e definir uma solução capaz de estabilizar definitivamente o trecho.
A ocorrência passou a exigir atenção especial depois do surgimento de trincas e afundamentos no pavimento, que provocaram interdições, mudanças no fluxo de veículos e congestionamentos na principal ligação rodoviária entre Salvador e Feira de Santana.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 30 de julho, o DNIT informou que os levantamentos realizados até o momento ainda não foram suficientes para determinar completamente a origem e a extensão das anomalias encontradas no solo.
Inicialmente, inspeções técnicas apontaram uma falha estrutural em um antigo bueiro localizado sob o aterro. O problema teria provocado a perda de material da camada responsável pela sustentação do pavimento, comprometendo a estabilidade das faixas de circulação.
Agora, o órgão busca verificar se existem outros fatores envolvidos, especialmente relacionados às condições do subsolo e à possível entrada ou circulação de água na estrutura.
Sondagens e estudos geofísicos serão usados na investigação
Equipes especializadas estão realizando sondagens, levantamentos geofísicos e outros procedimentos de engenharia no trecho afetado. Os estudos permitem analisar o interior do aterro sem a necessidade de abrir grandes escavações em toda a pista.
Entre os pontos investigados estão a existência de vazios no solo, o comportamento das camadas de sustentação da rodovia, as condições do sistema de drenagem e a possível influência de águas subterrâneas ou de infiltrações.
O aporte hídrico é considerado um dos fatores que podem contribuir para a perda de resistência do terreno. Quando a água entra de forma contínua no aterro, partículas do solo podem ser deslocadas, abrindo espaços internos e favorecendo novos abatimentos.
Os resultados das análises deverão orientar a elaboração de um diagnóstico mais completo. Somente depois dessa etapa será possível definir o tipo, a profundidade e a extensão da intervenção definitiva.
DNIT prepara injeção de calda de cimento no solo
Paralelamente aos estudos, o DNIT prepara a aplicação de calda de cimento no trecho da BR-324. O procedimento consiste na injeção de uma mistura fluida em pontos específicos do solo para preencher vazios e melhorar a sustentação da estrutura.
Além de ajudar na estabilização do aterro, a técnica também funciona como uma etapa adicional de investigação. O volume de material absorvido pelo terreno e a resistência encontrada durante a aplicação podem indicar o tamanho e a localização das cavidades existentes.
O serviço deverá permitir que os técnicos compreendam melhor a extensão do problema antes da execução de uma obra de maior porte.
A estratégia busca evitar a retirada desnecessária de grandes partes do pavimento ou a abertura de extensas escavações apenas para localizar a origem da ocorrência. Uma intervenção desse tipo poderia aumentar o tempo de bloqueio e provocar impactos ainda maiores no trânsito da BR-324.
Trecho já apresentou novos problemas após intervenções
Os primeiros transtornos no km 604 foram registrados no início de julho. O agravamento do problema estrutural chegou a provocar o bloqueio total da pista no sentido Feira de Santana, além de desvios pela via lateral.
Depois das intervenções iniciais, parte do trecho voltou a apresentar sinais de instabilidade, exigindo novas interdições e avaliações. A ocorrência gerou longas filas e chegou a formar aproximadamente sete quilômetros de congestionamento na região.
Durante diferentes fases do serviço, as faixas da esquerda permaneceram bloqueadas nos dois sentidos, enquanto os veículos eram direcionados para as faixas da direita ou para a marginal.
A repetição dos abatimentos reforçou a necessidade de aprofundar as análises antes da liberação completa da rodovia.
Trânsito permanece com restrições em Simões Filho
Enquanto os trabalhos continuam, a circulação de veículos permanece limitada no km 604. O tráfego está sendo distribuído entre uma faixa da pista principal e uma faixa da via marginal.
A marginal utilizada como alternativa passou por recapeamento para oferecer melhores condições de circulação e suportar o aumento no volume de veículos durante as intervenções.
O DNIT também reforçou a sinalização com equipamentos de maior visibilidade e dispositivos de contenção. Equipes de Operações e Engenharia permanecem acompanhando o comportamento do pavimento, o avanço dos serviços e as condições do trânsito.
Motoristas que passam pela região devem reduzir a velocidade, respeitar a sinalização e manter distância segura dos demais veículos. Como a configuração das faixas pode mudar de acordo com o andamento das obras, também é recomendável consultar as condições da rodovia antes da viagem.
BR-324 é estratégica para a mobilidade e a economia baiana
O trecho afetado está localizado em uma área de intenso movimento de veículos de passeio, ônibus e caminhões. A BR-324 é a principal conexão terrestre entre Salvador e Feira de Santana, além de atender motoristas que circulam por Simões Filho, Candeias, Camaçari e outras cidades da Região Metropolitana.
A rodovia também possui importância para o transporte de mercadorias, por estar próxima a áreas industriais, centros de distribuição e acessos ao Centro Industrial de Aratu.
Por esse motivo, qualquer bloqueio no km 604 pode provocar reflexos em diferentes pontos da região, especialmente nos horários de maior movimento.
Até o momento, não foi divulgada uma data para a conclusão das investigações ou para a liberação integral das pistas. O cronograma da obra definitiva dependerá dos resultados das sondagens, dos estudos geofísicos e da aplicação da calda de cimento.
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