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Cidades

Casas Bahia fecha 13 lojas e mantém só 4 em Salvador

Cerca de 300 trabalhadores foram desligados na Bahia, segundo o sindicato; unidades de grandes shoppings da capital estão entre as que encerraram as atividades.
Por Naiane Santana18 de agosto de 20265 Minutos de Leitura
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A Casas Bahia fechou 13 lojas em Salvador e reduziu drasticamente sua presença física na capital baiana. De acordo com o Sindicato dos Comerciários de Salvador, somente quatro unidades continuam funcionando na cidade, localizadas em Cajazeiras, Pau da Lima, Calçada e Itapuã.

O encerramento das atividades atingiu inclusive lojas instaladas em alguns dos principais centros comerciais da capital, como Shopping da Bahia, Salvador Shopping e Shopping Paralela. Segundo o sindicato, aproximadamente 300 trabalhadores foram desligados na Bahia.

O fechamento ocorreu na sexta-feira, 14 de agosto, em meio a uma ampla reestruturação nacional do Grupo Casas Bahia. A companhia anunciou o encerramento de 298 estabelecimentos, o equivalente a cerca de 29% de sua estrutura física registrada em junho. A medida também provocou milhares de desligamentos em diferentes estados.

Quais lojas da Casas Bahia permanecem abertas em Salvador?

Conforme as informações divulgadas pelo Sindicato dos Comerciários, as quatro unidades mantidas na capital estão nos seguintes bairros:

  • Cajazeiras;
  • Pau da Lima;
  • Calçada;
  • Itapuã.

As demais lojas foram incluídas no processo de encerramento, inclusive todas as unidades que funcionavam em shoppings de Salvador. Mercadorias dos estabelecimentos fechados estariam sendo retiradas e encaminhadas para o depósito da empresa.

Até o momento, a Casas Bahia não divulgou uma relação pública detalhada com endereços, horários de atendimento ou eventuais mudanças na operação das quatro lojas remanescentes.

Trabalhadores relatam surpresa com as demissões

O diretor de comunicação do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Moisés Teles, afirmou que os empregados não teriam recebido aviso prévio sobre o fechamento das unidades.

Teles, que trabalhou durante seis anos como vendedor da Casas Bahia, relatou que os funcionários foram convocados para uma reunião e informados, naquele momento, de que as lojas seriam fechadas e os contratos de trabalho encerrados.

“Ninguém foi avisado. Informaram que haveria uma reunião na sexta-feira e, no momento, fomos informados de que a loja seria fechada e que seríamos desligados”, declarou.

A falta de comunicação prévia aumentou a preocupação dos empregados com o pagamento das verbas rescisórias, liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego e continuidade temporária do plano de saúde.

O Sindicato dos Comerciários de Salvador classificou a situação como uma demissão em massa sem aviso e anunciou que adotará medidas para acompanhar os desligamentos e cobrar os direitos da categoria.

Assembleia reunirá trabalhadores demitidos

O sindicato convocou os ex-funcionários para uma assembleia nesta quarta-feira, 19 de agosto, às 15h. O encontro será realizado na sede da entidade, localizada na Rua Francisco Ferraro, nº 53, em Salvador.

A reunião deverá orientar os trabalhadores sobre documentação, rescisões contratuais e possíveis medidas coletivas. A entidade também busca esclarecimentos sobre a forma como os desligamentos foram conduzidos.

Em São Paulo, sindicatos igualmente cobram o pagamento imediato das verbas rescisórias e avaliam medidas judiciais relacionadas à ausência de negociação coletiva antes das demissões. Nacionalmente, há divergências sobre o total de trabalhadores afetados: fontes sindicais mencionam cerca de 1,9 mil desligamentos, enquanto documentos apresentados pela companhia à Justiça apontam uma redução aproximada de 3 mil postos de trabalho.

Recuperação judicial envolve dívida de R$ 17,3 bilhões

Dois dias depois do fechamento das lojas, o Grupo Casas Bahia apresentou pedido de recuperação judicial à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O processo envolve dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões.

A recuperação judicial não representa, por si só, a falência da empresa. O mecanismo permite que uma companhia em dificuldades tente negociar suas obrigações com credores sob supervisão da Justiça, enquanto mantém parte das operações em funcionamento.

Segundo informações apresentadas no processo, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a créditos sem garantia. Também foram relacionados cerca de R$ 754 milhões em obrigações trabalhistas e R$ 154 milhões devidos a micro e pequenas empresas.

A companhia atribuiu a crise a uma combinação de juros elevados, restrição de crédito, crescimento das despesas financeiras, pressão sobre o consumo e dificuldades para viabilizar novas fontes de liquidez.

O grupo já havia realizado uma recuperação extrajudicial, concluída em 2024, para reestruturar aproximadamente R$ 4,8 bilhões. O novo pedido mostra que a reorganização anterior não foi suficiente para resolver todo o passivo financeiro da varejista.

Recuperação judicial elimina direitos dos funcionários?

Não. A apresentação do pedido de recuperação judicial não apaga automaticamente salários, férias, 13º proporcional, aviso-prévio, FGTS e outras verbas decorrentes do contrato de trabalho.

Os créditos trabalhistas relacionados a fatos anteriores ao pedido podem ser incluídos no processo de recuperação e submetidos às condições previstas no plano que será apresentado aos credores. As regras estão previstas na Lei nº 11.101/2005.

Por isso, os trabalhadores devem guardar documentos como carteira de trabalho, contracheques, aviso de desligamento, extrato do FGTS, termo de rescisão e comprovantes de benefícios. A orientação individual deve ser buscada no sindicato, na Justiça do Trabalho ou com um advogado trabalhista.

O que muda para os consumidores?

Clientes com compras em andamento, garantias, carnês, entregas ou serviços contratados devem acompanhar os canais oficiais da Casas Bahia. Como quatro lojas permanecem abertas em Salvador e a empresa continua operando, o pedido de recuperação judicial não implica suspensão automática de vendas, pagamentos ou atendimento ao consumidor.

Quem tiver problemas com entrega, troca ou garantia deve guardar notas fiscais, protocolos e comprovantes. Caso a solicitação não seja resolvida diretamente, o consumidor pode recorrer ao Procon ou registrar reclamação na plataforma Consumidor.gov.br.

A Casas Bahia ainda não apresentou publicamente detalhes específicos sobre o destino dos trabalhadores desligados em Salvador nem um cronograma completo para o pagamento das rescisões. O espaço permanece aberto para manifestação oficial da empresa.

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Casas Bahia comércio de Salvador demissões na Bahia Destaque lojas fechadas em Salvador recuperação judicial
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Naiane Santana
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Naiane Santana é jornalista e produtora de conteúdo, com experiência na cobertura de notícias da cidade de Simões Filho e da Região Metropolitana de Salvador. Atua na produção de matérias sobre política, segurança, empregos, serviços públicos, eventos, economia e assuntos de interesse da população local.

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