Um delegado da Polícia Civil da Bahia foi preso após uma investigação da Corregedoria apontar o uso de uma Toyota Hilux prata que estava apreendida em um inquérito policial. O caso ocorreu em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, e envolve ainda a suspeita de adulteração da placa do veículo.
O policial foi identificado como Odilson Pereira Silva, ex-titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) de Vitória da Conquista. A prisão ocorreu na sexta-feira, 7 de agosto, na residência do delegado, no bairro Candeias. A Polícia Civil informou inicialmente que ele era investigado por adulteração de sinal identificador de veículo automotor, fraude processual e peculato.
O ponto que ampliou a repercussão do caso é que, segundo informações divulgadas posteriormente, a caminhonete teria sido apreendida justamente em uma investigação que estava sob responsabilidade funcional do próprio delegado.
Hilux apreendida estaria sendo usada pelo delegado
De acordo com as informações reunidas na apuração, a Toyota Hilux estava vinculada a um procedimento policial e não deveria estar sendo utilizada normalmente como veículo particular.
A suspeita levantada durante a investigação é de que o automóvel vinha sendo usado em benefício pessoal e familiar, apesar de permanecer formalmente relacionado ao inquérito.
A Corregedoria da Polícia Civil chegou ao veículo depois de identificar indícios de irregularidade na sua identificação. A existência da Hilux prata com placa possivelmente adulterada também consta das informações divulgadas pela Polícia Civil sobre a prisão.
Placa usada na caminhonete seria de uma Volkswagen Saveiro
Segundo os detalhes divulgados sobre a apuração, uma consulta ao sistema de identificação veicular indicou que a placa que estava na Hilux pertencia, na realidade, a uma Volkswagen Saveiro.
A situação teria ficado ainda mais grave durante a chegada dos agentes da Corregedoria à residência do delegado.
Conforme os elementos descritos na decisão judicial citada na apuração jornalística, o delegado teria fechado o portão do imóvel, impedindo temporariamente o acompanhamento dos agentes. Nesse intervalo, a suspeita é de que a identificação da caminhonete tenha sido substituída.
A placa considerada irregular teria sido localizada posteriormente dentro do próprio veículo.
Defesa apresentou outra versão sobre a placa
A defesa do delegado contestou a interpretação apresentada na investigação.
De acordo com a versão atribuída aos advogados na decisão judicial, a placa encontrada teria sido localizada anteriormente na rua pela esposa do delegado, que supostamente pretendia devolvê-la ao proprietário.
A Justiça, entretanto, considerou outros elementos reunidos na apuração, incluindo relatos dos policiais envolvidos na diligência e registros produzidos durante a abordagem.
O caso permanece sob investigação, e as suspeitas ainda deverão ser analisadas no curso do procedimento criminal, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Delegado é investigado por três crimes
Odilson Pereira Silva é investigado por peculato, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. As três suspeitas também foram informadas publicamente após a prisão realizada em Vitória da Conquista.
O peculato, no contexto investigado, está relacionado à suspeita de utilização indevida de um bem que estava sob custódia da administração pública em razão de uma investigação.
Já a fraude processual está sendo apurada diante da suspeita de ações que poderiam ter sido praticadas para alterar ou dificultar a análise dos fatos pelas autoridades.
Justiça manteve delegado preso
Após a prisão em flagrante, o caso passou pela análise do Judiciário.
O Ministério Público defendeu a conversão da prisão em preventiva, enquanto a defesa buscou a concessão de liberdade provisória.
Segundo os elementos divulgados sobre a decisão, a Justiça entendeu que a manutenção da prisão era necessária diante do risco de eventual interferência na investigação.
Entre as preocupações apresentadas estavam o acesso do investigado a procedimentos e sistemas policiais e a possibilidade de influência sobre pessoas vinculadas à apuração.
A prisão preventiva não representa condenação. O delegado continua sendo investigado e terá as acusações examinadas pelo Judiciário durante o andamento do processo.
Quem é o delegado preso em Vitória da Conquista
Odilson Pereira Silva foi titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Vitória da Conquista, unidade justamente ligada à investigação de crimes envolvendo veículos e patrimônio.
A identificação do policial e sua atuação anterior na DRFR foram confirmadas nas informações divulgadas após a prisão.
O caso agora deverá continuar sendo apurado pelas autoridades competentes para esclarecer de que maneira a caminhonete apreendida passou a ser utilizada, há quanto tempo o veículo estava nessa situação e as circunstâncias envolvendo sua identificação.
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