A partir desta segunda-feira, 25 de maio de 2026, trabalhadores já podem consultar o saldo disponível do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para uso no Novo Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas. A medida permite que parte dos recursos do fundo seja direcionada para quitar ou amortizar débitos em atraso, especialmente dívidas bancárias.
Segundo o governo federal, a estimativa é que até R$ 8,2 bilhões do FGTS possam ser movimentados dentro do programa. O dinheiro não será depositado diretamente na conta do trabalhador: após a autorização e validação da renegociação, a Caixa Econômica Federal fará o repasse diretamente à instituição financeira credora.
Como funcionará o uso do FGTS no Desenrola 2.0
O primeiro passo é a consulta do saldo disponível no aplicativo do FGTS. Depois, o trabalhador poderá autorizar a instituição financeira com a qual possui dívida a verificar o valor que pode ser usado na renegociação.
A negociação será feita diretamente com o banco ou instituição credora. Após a consulta, as instituições terão prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa. Somente depois dessa validação o valor será transferido para abater a dívida.
Quanto do FGTS poderá ser usado
A regra prevê que o trabalhador poderá usar até 20% do saldo disponível no FGTS ou R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor. Na prática, isso significa que quem tiver saldo suficiente poderá usar parte do fundo para reduzir o valor da dívida renegociada.
| Regra do programa | Como funciona |
|---|---|
| Limite de uso do FGTS | Até 20% do saldo disponível ou R$ 1 mil, o que for maior |
| Destino do dinheiro | Repasse direto à instituição financeira |
| Prazo das instituições | Até 30 dias para formalizar e registrar contratos |
| Estimativa de recursos | Até R$ 8,2 bilhões do FGTS |
| Público-alvo | Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos |
Quem pode participar do Desenrola 2.0 com FGTS
Para usar o FGTS na renegociação, o trabalhador precisa ter saldo disponível no fundo, renda mensal de até cinco salários mínimos e dívidas vencidas elegíveis. Entre os débitos que poderão ser renegociados estão cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e outras operações bancárias incluídas nas regras do programa.
O Novo Desenrola também prevê condições específicas para diferentes públicos, com frentes voltadas a famílias, estudantes com dívidas do Fies, empresas e agricultores rurais. No caso das famílias, o governo informa que o programa poderá oferecer descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês, conforme a linha de crédito e o prazo negociado.
Saque-aniversário também entra no radar
Trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025 também foram citados nas medidas do governo. Além da possibilidade de uso do FGTS no Desenrola, há previsão de liberação de valores residuais para esse grupo, com depósitos automáticos nas contas cadastradas no aplicativo do FGTS.
Essa frente é diferente da renegociação de dívidas, mas pode coincidir para parte dos trabalhadores que tenham saldo disponível, dívidas bancárias e interesse em aderir ao programa.
Calculadora deve ajudar trabalhador a simular descontos
O Ministério da Fazenda também lançou uma calculadora para simular condições de renegociação. A ferramenta considera critérios como tempo de atraso da dívida e descontos mínimos exigidos pelas regras do programa, ajudando o cidadão a estimar as condições antes de procurar o banco.
A simulação não substitui a proposta final da instituição financeira, mas pode servir como referência para o trabalhador entender se a renegociação é vantajosa e qual impacto o uso do FGTS terá no abatimento da dívida.
Participante ficará bloqueado em apostas online por um ano
Uma das regras de maior impacto do programa é a restrição para quem aderir à renegociação: o participante ficará bloqueado por um ano em plataformas de apostas online. A medida foi apresentada pelo governo como forma de evitar que o alívio financeiro concedido pelo programa seja direcionado para apostas.
O que o trabalhador deve observar antes de autorizar o uso do FGTS
Antes de aderir, o trabalhador deve avaliar o tamanho do desconto oferecido, o valor final da dívida, os juros aplicados, o prazo de pagamento e o impacto de usar parte do FGTS, que originalmente funciona como reserva de proteção em situações como demissão sem justa causa.
A medida pode ajudar quem está com dívida cara, especialmente em linhas como cartão de crédito e cheque especial, mas exige atenção. O ideal é comparar a proposta de renegociação com o saldo disponível e verificar se o desconto compensa o uso do fundo.
