O governo federal confirmou uma nova liberação de valores do FGTS para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. A medida busca destravar recursos que permaneceram retidos mesmo após a demissão, situação comum para quem escolheu essa modalidade de saque.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 10,5 milhões de trabalhadores devem receber valores residuais em 26 de maio. A estimativa atual é de um desbloqueio adicional de R$ 8,4 bilhões, com pagamento automático nas contas cadastradas no aplicativo do FGTS. Inicialmente, o valor citado pelo governo era de R$ 7,7 bilhões, mas a previsão foi revisada.
Quem tem direito ao novo saque do FGTS
A liberação não vale para todos os trabalhadores. O pagamento é direcionado a quem cumpriu três condições principais: aderiu ao saque-aniversário, foi demitido sem justa causa e teve saldo residual bloqueado no FGTS.
Na prática, o saque-aniversário permite retirar parte do saldo todos os anos, no mês de aniversário. Porém, quem escolhe essa modalidade abre mão do saque-rescisão integral em caso de demissão sem justa causa, mantendo direito apenas à multa rescisória de 40%. Foi justamente esse bloqueio do saldo que gerou a necessidade de novas liberações.
| Ponto da medida | Como funciona |
|---|---|
| Público contemplado | Trabalhadores do saque-aniversário demitidos sem justa causa |
| Período considerado | Demissões entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025 |
| Data prevista do pagamento | 26 de maio |
| Valor estimado liberado | R$ 8,4 bilhões |
| Forma de pagamento | Depósito automático na conta cadastrada no app FGTS |
| Quem pode ficar com saldo bloqueado | Quem antecipou saque-aniversário com bancos |
Valores antecipados continuam bloqueados
Um ponto importante é que nem todo saldo será liberado. Permanecerão bloqueados os valores comprometidos com operações de antecipação do saque-aniversário. Isso ocorre quando o trabalhador contratou empréstimos usando saques futuros do FGTS como garantia.
Nesses casos, a parte do saldo vinculada ao contrato continua reservada para pagar a instituição financeira. O desbloqueio vale apenas para o valor residual que não está comprometido com antecipações já contratadas.
Como consultar e receber o dinheiro
O trabalhador deve acessar o aplicativo oficial do FGTS para verificar se há saldo disponível e se existe conta bancária cadastrada para crédito. De acordo com o governo, o pagamento será feito automaticamente nas contas indicadas no app, sem necessidade de comparecer a uma agência da Caixa.
Também pode ocorrer uma mudança temporária na visualização do saldo antes do pagamento. A Agência Brasil informou que parte dos valores pode deixar de aparecer no aplicativo durante o processamento interno necessário para separar os recursos que serão depositados.
FGTS para quitar dívidas no Desenrola é outra regra
Além do saque residual, o governo também anunciou uma medida diferente: o uso de parte do saldo do FGTS no Novo Desenrola. Nesse caso, o trabalhador poderá usar até 20% do saldo do fundo ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor, para amortizar ou quitar dívidas em atraso.
Essa regra não deve ser confundida com o saque liberado para demitidos no saque-aniversário. O saque residual é um pagamento direto ao trabalhador. Já o uso do FGTS no Desenrola depende de renegociação da dívida, autorização no aplicativo do FGTS e transferência do valor diretamente para a instituição financeira.
Quando começa o uso do FGTS no Desenrola
A consulta ao saldo disponível para renegociação pelo Novo Desenrola começa em 25 de maio. Depois disso, as instituições financeiras terão prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa. Após a validação, o valor do FGTS será repassado diretamente ao banco responsável pela dívida.
Podem entrar nessa frente trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 em 2026. Entre as dívidas elegíveis estão cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor, desde que atendam às regras do programa.
O que o trabalhador deve observar antes de usar o FGTS
Apesar de ajudar na renegociação, o uso do FGTS para quitar dívidas exige cuidado. O fundo funciona como uma reserva de proteção em caso de demissão, compra da casa própria, aposentadoria e outras situações previstas em lei. Usar esse dinheiro para abater débitos pode aliviar o orçamento no curto prazo, mas reduz uma proteção financeira importante.
Outro detalhe é que, segundo a Agência Brasil, quem usar o FGTS no Novo Desenrola terá suspensão temporária de novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até a recomposição do saldo.
Entenda a diferença entre as duas liberações
| Medida | Quem recebe ou usa | Data principal | Como funciona |
|---|---|---|---|
| Saque residual do FGTS | Demitidos sem justa causa que aderiram ao saque-aniversário | 26 de maio | Valor cai automaticamente na conta cadastrada no app FGTS |
| FGTS no Novo Desenrola | Trabalhadores com dívidas elegíveis e renda dentro das regras | Consulta a partir de 25 de maio | Valor é usado para amortizar ou quitar dívida após autorização |
Veredito: medida destrava dinheiro, mas exige atenção
A nova liberação do FGTS é uma notícia relevante para milhões de trabalhadores que ficaram com saldo preso após aderirem ao saque-aniversário e serem demitidos sem justa causa. O pagamento residual pode reforçar o orçamento de quem tem direito, especialmente em um momento de endividamento elevado das famílias.
Ao mesmo tempo, o uso do FGTS no Desenrola deve ser analisado com cautela. A medida pode ajudar a reduzir dívidas caras, mas não deve ser tratada como dinheiro extra. Antes de autorizar o uso do saldo, o trabalhador precisa comparar o desconto oferecido, o tamanho da dívida e a importância de manter uma reserva no fundo.
