Uma correspondência aparentemente oficial, a promessa de uma quantia em dinheiro disponível para saque e uma cobrança que precisava ser paga antes da liberação do suposto benefício. Esse era, segundo a Polícia Civil da Bahia, o roteiro utilizado em um esquema investigado na Operação Carta Premiada, que tinha principalmente idosos como vítimas.
Ao menos 14 pessoas entre 60 e 80 anos procuraram a Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) para denunciar o golpe. A investigação resultou na prisão de duas mulheres, de 26 e 34 anos, e um homem, de 22 anos, na sexta-feira (7).
Os suspeitos foram encontrados nos bairros de Pernambués e Vila Rui Barbosa, em Salvador. Eles são investigados por crimes relacionados a estelionato e à apropriação de bens e rendimentos de pessoas idosas.
A Polícia Civil agora tenta determinar a dimensão financeira do esquema, descobrir se há outros envolvidos e localizar possíveis vítimas que ainda não registraram ocorrência.
Como funcionava o golpe da “carta premiada”
O esquema começava longe de aplicativos de mensagem, redes sociais ou ligações telefônicas. Os criminosos recorriam a um método mais tradicional: o envio de correspondências.
Segundo as investigações, os idosos recebiam cartas informando que possuíam determinado valor disponível para receber.
A mensagem criava a expectativa de que a vítima havia sido contemplada ou tinha algum tipo de crédito pendente.
Depois disso, começava a segunda etapa.
As vítimas eram orientadas a procurar um endereço informado pelos responsáveis pelo esquema. No local, recebiam a explicação de que o dinheiro somente poderia ser liberado depois do pagamento de determinadas taxas, encargos ou despesas antecipadas.
O suposto procedimento dava aparência de legitimidade à negociação.
O problema é que o dinheiro prometido nunca existiu.
Após efetuarem os pagamentos solicitados, os idosos percebiam que não receberiam qualquer quantia e que os valores pagos haviam sido apropriados pelos golpistas.
14 idosos procuraram a polícia
Até o avanço da investigação, 14 vítimas com idades entre 60 e 80 anos haviam registrado denúncias junto à Deati.
O número pode aumentar.
Parte do trabalho policial após a operação será justamente analisar os documentos, recibos e registros encontrados durante as buscas para tentar localizar pessoas que possam ter sido enganadas pelo mesmo método, mas ainda não procuraram uma delegacia.
Crimes desse tipo podem apresentar subnotificação porque algumas vítimas sentem vergonha de admitir que foram enganadas ou acreditam inicialmente que ainda conseguirão recuperar o dinheiro diretamente com os responsáveis.
A recomendação é procurar imediatamente a polícia ao perceber qualquer indício de fraude.
Três suspeitos foram presos em Salvador
A Operação Carta Premiada levou à prisão de três investigados.
Duas mulheres, de 26 e 34 anos, e um homem, de 22 anos, foram localizados durante a ação policial.
As prisões ocorreram nos bairros de Pernambués e Vila Rui Barbosa.
O grupo é investigado por estelionato e apropriação de bens ou rendimentos de pessoa idosa, além de outras eventuais condutas que poderão ser identificadas ao longo do inquérito.
A investigação é conduzida pelo Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), por meio da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso.
Computadores, recibos e documentos foram apreendidos
Além das prisões, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no bairro 2 de Julho, também em Salvador.
Durante a operação, os investigadores recolheram:
- três computadores;
- recibos referentes a pagamentos efetuados por vítimas;
- documentos;
- uma agenda contendo anotações.
O material deverá ser encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para realização de perícia.
A análise dos equipamentos eletrônicos pode revelar arquivos, registros de comunicação, listas de contatos e movimentações relacionadas ao esquema.
Já recibos e anotações podem permitir que os investigadores reconstruam o caminho percorrido pelo dinheiro e identifiquem novos nomes ligados à operação.
Polícia tenta descobrir quanto o grupo movimentou
A investigação ainda busca determinar quanto teria sido obtido com o golpe.
De acordo com o delegado Francisco Tálisson, titular da Deati, os materiais apreendidos podem fornecer informações importantes sobre o funcionamento do esquema.
A perícia poderá ajudar a identificar outras vítimas, rastrear o fluxo financeiro dos pagamentos e apontar possíveis participantes que ainda não tenham sido alcançados pela operação.
O objetivo também é verificar se os três presos atuavam sozinhos ou se existia uma estrutura maior por trás do envio das cartas e da cobrança das falsas taxas.
As investigações continuam.
Por que a promessa de dinheiro exige atenção
Um dos principais sinais de alerta nesse tipo de golpe é a exigência de pagamento antecipado para receber um prêmio, benefício, indenização ou quantia supostamente disponível.
Quando uma pessoa recebe uma comunicação inesperada afirmando que tem dinheiro para receber, é importante verificar diretamente com a instituição mencionada na correspondência antes de realizar qualquer transferência.
Dados bancários, documentos pessoais e informações de cartões também não devem ser fornecidos antes da confirmação da autenticidade do contato.
Outro cuidado importante é desconfiar de situações em que o responsável pressiona a vítima para pagar imediatamente, alegando que a oportunidade será perdida caso o depósito não seja realizado rapidamente.
Familiares podem ajudar a evitar novos golpes
O acompanhamento de familiares também pode reduzir os riscos, especialmente quando idosos recebem correspondências ou contatos envolvendo movimentações financeiras fora da rotina.
Antes de realizar pagamentos, a orientação é buscar uma segunda opinião e confirmar a origem da cobrança por canais oficiais.
No caso investigado na Bahia, justamente a promessa de receber uma quantia em dinheiro teria sido utilizada para convencer as vítimas a desembolsarem valores antecipadamente.
A apreensão de computadores, recibos e documentos poderá indicar se o esquema atingiu um número de pessoas maior que as 14 vítimas já identificadas.
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