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Início » Grupo usava rastreador para esconder furto de carros na Bahia; entenda o golpe
Polícia

Grupo usava rastreador para esconder furto de carros na Bahia; entenda o golpe

Polícia Civil identificou esquema em que veículos alugados eram desmontados enquanto rastreadores continuavam indicando uma falsa movimentação às locadoras.
Por Nathália Santos5 de agosto de 20266 Minutos de Leitura
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Grupo usava rastreador para esconder furto de carros na Bahia; entenda o golpe
Foto: Divulgação / Ascom-PCBA

Criminosos investigados em Feira de Santana, no centro-norte da Bahia, teriam desenvolvido uma estratégia para dificultar a descoberta do desaparecimento de veículos pertencentes a empresas locadoras. O esquema envolvia a retirada do rastreador do automóvel e a criação de uma falsa movimentação do equipamento enquanto o carro verdadeiro era desmontado, adulterado ou preparado para revenda.

A modalidade foi identificada pela Polícia Civil da Bahia durante as investigações da Operação Reconecta, realizada no bairro Calumbi, em Feira de Santana.

Um homem foi preso por suspeita de receptação após ser encontrado pelos investigadores enquanto desmontava um veículo. Segundo as informações policiais, o automóvel havia sido alugado poucos dias antes.

A apuração indica que o caso não seria isolado. Pelo menos quatro veículos teriam sido desviados utilizando procedimento semelhante nos últimos três meses.

Como funcionava o golpe contra as locadoras

O esquema começava de maneira aparentemente regular: integrantes do grupo alugavam veículos de empresas locadoras.

Depois de retirar o automóvel, porém, o sistema de rastreamento instalado no carro era removido.

Esse procedimento poderia normalmente gerar suspeitas porque a central da locadora deixaria de receber informações sobre a localização do automóvel. Para evitar isso, os investigados teriam criado uma estratégia destinada a manter o equipamento funcionando fora do carro.

Segundo a investigação, o rastreador retirado era conectado a uma bateria automotiva independente.

O conjunto formado pelo rastreador e pela bateria era então colocado no porta-malas de outro veículo, que continuava circulando normalmente pela cidade.

Dessa maneira, os dados enviados à central de monitoramento poderiam dar a impressão de que o automóvel alugado permanecia em circulação.

Na prática, entretanto, quem estava se movimentando era apenas o equipamento de localização.

O veículo original poderia estar em outro endereço.

Carro verdadeiro era desmontado enquanto rastreador circulava

Essa diferença entre a localização indicada pelo rastreador e a localização verdadeira do automóvel era justamente uma das principais características do esquema identificado pela polícia.

Enquanto o equipamento circulava em outro carro, o veículo alugado poderia ser levado para locais utilizados pelo grupo.

Segundo a Polícia Civil, os automóveis eram então desmontados, adulterados ou preparados para comercialização ilegal de peças e eventual revenda.

A estratégia poderia ampliar o intervalo de tempo entre o desaparecimento verdadeiro do carro e a percepção da irregularidade pela empresa responsável pelo veículo.

Foi durante uma dessas situações que investigadores localizaram um homem desmontando um dos automóveis investigados.

Ele foi conduzido para uma unidade policial e permaneceu à disposição do Poder Judiciário após os procedimentos legais.

Falso boletim de ocorrência completava o esquema

As investigações apontam ainda para outra etapa importante da fraude.

Depois que o automóvel já estava sob controle do grupo, o responsável pela locação procurava uma unidade policial para registrar um boletim de ocorrência informando que teria ocorrido um furto ou roubo.

Segundo a investigação, porém, o crime relatado à polícia não teria acontecido da maneira registrada.

O delegado José Marcos Lima, responsável pela investigação, explicou que o boletim seria utilizado como parte da tentativa de dar aparência de legitimidade ao desaparecimento do carro.

Após essa etapa, o rastreador e a bateria utilizados para simular a circulação eram descartados.

De acordo com a polícia, os equipamentos poderiam ser abandonados em áreas de difícil acesso, incluindo regiões de mata fechada.

Com isso, o grupo buscaria dificultar tanto a recuperação do equipamento quanto a reconstrução dos passos realizados durante a fraude.

Casos semelhantes chamaram atenção dos investigadores

A investigação começou a avançar após policiais perceberem semelhanças entre diferentes ocorrências envolvendo veículos alugados.

Alguns episódios apresentavam características consideradas incomuns e repetiam etapas semelhantes.

A análise dessas ocorrências levou os investigadores a identificar o possível padrão utilizado pelo grupo.

Até agora, as apurações apontam para pelo menos quatro veículos envolvidos no esquema nos últimos três meses.

Segundo as informações policiais, os automóveis haviam sido alugados em diferentes pontos da Bahia.

Entre eles estavam:

  • um veículo locado em Porto Seguro;
  • um automóvel retirado no Aeroporto Internacional de Salvador;
  • dois veículos alugados em Feira de Santana.

A existência de ocorrências em diferentes cidades também passou a ser considerada pelos investigadores durante a tentativa de identificar todas as pessoas relacionadas ao esquema.

Operação Reconecta terminou com suspeito preso

A Operação Reconecta foi realizada pela Polícia Civil no bairro Calumbi, em Feira de Santana.

Durante as diligências, os investigadores localizaram um dos veículos relacionados à apuração e encontraram um suspeito realizando o desmonte do automóvel.

O homem acabou preso por suspeita de receptação.

A Polícia Civil agora busca estabelecer qual teria sido exatamente sua participação no esquema e identificar outros possíveis integrantes envolvidos nas diferentes etapas da operação criminosa.

A investigação também tenta determinar o destino de outros veículos e peças eventualmente negociados pelo grupo.

Polícia investiga participação de outras pessoas

Embora uma prisão já tenha ocorrido, o caso continua sendo investigado.

Entre os objetivos estão identificar e responsabilizar todos os integrantes envolvidos, recuperar outros veículos que possam ter sido desviados e localizar estruturas utilizadas para desmontagem ou adulteração.

A polícia também deve analisar registros de locação, deslocamentos, rastreamentos e outras evidências obtidas durante as diligências.

Outro ponto considerado relevante é verificar se existem ocorrências semelhantes ainda não relacionadas formalmente ao mesmo grupo.

Como o método envolvia o registro posterior de um suposto furto ou roubo, casos anteriormente tratados de maneira independente poderão ser novamente analisados caso apresentem características compatíveis com o esquema investigado.

Tecnologia usada para proteger veículos virou parte da fraude

Um dos aspectos que mais chamam atenção no caso é justamente o uso do próprio sistema de rastreamento como ferramenta para tentar esconder a verdadeira localização dos carros.

Rastreadores são utilizados por locadoras e empresas de gestão de frotas justamente para permitir o acompanhamento dos veículos.

No esquema investigado em Feira de Santana, entretanto, a polícia afirma que os suspeitos teriam explorado essa tecnologia ao retirar o equipamento e fazê-lo circular separadamente.

A movimentação do rastreador poderia criar uma falsa indicação de normalidade enquanto o carro verdadeiro já estivesse sendo desmontado.

A descoberta do método também pode levar empresas do setor a revisar mecanismos de segurança capazes de identificar situações em que o equipamento de localização tenha sido separado fisicamente do veículo.

As investigações da Operação Reconecta continuam para identificar outros envolvidos, localizar veículos desviados e esclarecer a extensão do esquema.

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Nathália Santos é consultora de carreiras especializada no setor de petróleo, gás e energia. Com mais de 10 anos de experiência, Nathália tem ajudado profissionais a navegar nas complexidades do mercado de trabalho energético.

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