O número de internações por herpes-zóster na Bahia registrou crescimento de quase 70% em um ano, segundo dados do Ministério da Saúde pelo Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS). A doença, conhecida popularmente como cobreiro, chama atenção porque pode permanecer silenciosa no organismo por décadas antes de voltar a se manifestar.
Apesar de muitas pessoas associarem o problema apenas às bolhas na pele, o herpes-zóster pode causar complicações importantes, principalmente quando o diagnóstico e o início do tratamento demoram.
A doença é provocada pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo responsável pela catapora. Após a primeira infecção, geralmente na infância, o vírus permanece alojado no organismo e pode ser reativado em momentos de queda da imunidade.
Quais são os primeiros sinais do herpes-zóster?
Um dos principais desafios para identificar o herpes-zóster é que os sintomas iniciais podem aparecer antes das lesões características.
Segundo especialistas, os primeiros sinais podem incluir:
- dor localizada em uma região específica do corpo;
- sensação de queimação;
- formigamento;
- sensibilidade ou incômodo na pele;
- coceira ou desconforto antes do surgimento das bolhas.
As lesões costumam aparecer entre dois e três dias após o início desses sintomas, seguindo geralmente o caminho de um nervo afetado. Por isso, dores sem causa aparente em uma determinada região podem ser um alerta para procurar avaliação médica.
Tratamento nas primeiras 72 horas reduz risco de complicações
O diagnóstico rápido é considerado fundamental porque os medicamentos antivirais apresentam maior eficácia quando iniciados nas primeiras 72 horas após o começo dos sintomas.
O tratamento precoce pode ajudar a reduzir a intensidade da doença e diminuir as chances de complicações, como a neuralgia pós-herpética, uma dor persistente que pode permanecer mesmo após o desaparecimento das lesões.
Além da dor prolongada, o vírus também pode atingir regiões específicas do corpo e provocar problemas mais graves, como:
- herpes-zóster oftálmico, quando afeta nervos ligados aos olhos;
- herpes-zóster no ouvido, podendo comprometer estruturas auditivas;
- inflamações neurológicas, como meningoencefalite herpética, em casos mais raros.
Quem tem maior risco de desenvolver herpes-zóster?
Embora qualquer pessoa que já teve catapora possa desenvolver a doença, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade.
Entre eles estão:
- pessoas acima dos 50 anos;
- indivíduos com baixa imunidade;
- pacientes em tratamento com medicamentos imunossupressores;
- pessoas com doenças que comprometem o sistema imunológico.
Com o envelhecimento, ocorre uma redução natural da capacidade de defesa do organismo, aumentando a possibilidade de reativação do vírus.
Vacina é uma das principais formas de prevenção
A vacinação é apontada como uma estratégia importante para reduzir o risco de herpes-zóster e suas complicações. Imunizantes mais recentes apresentam alta proteção contra a doença e podem ser indicados inclusive para alguns grupos com imunidade comprometida, conforme avaliação médica.
O acesso à vacina ainda é um desafio para parte da população devido ao custo, já que a disponibilidade e indicação dependem de critérios específicos.
Especialistas também reforçam a importância de manter hábitos que favoreçam o equilíbrio do sistema imunológico, como alimentação adequada, acompanhamento médico e cuidados gerais com a saúde.
Atendimento e orientação médica ajudam no diagnóstico
Na Bahia, pessoas com sintomas suspeitos ou dúvidas sobre a doença podem buscar atendimento em serviços de saúde para avaliação. O reconhecimento dos sinais iniciais é considerado uma das principais medidas para evitar que o quadro evolua para formas mais graves.
Com o aumento dos casos e internações, a recomendação é ficar atento a dores ou alterações na pele que surgem sem explicação, principalmente em pessoas com maior risco de reativação do vírus.
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