Os três instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, não conseguiram explicar aos investigadores quem tinha a responsabilidade de instalar e realizar a conferência final do equipamento de segurança antes do salto.
Trechos dos depoimentos prestados à Polícia Civil foram divulgados pelo Fantástico neste domingo, 14 de junho. As declarações indicam que a equipe não mantinha uma divisão fixa das tarefas realizadas durante os eventos de rope jump.
Maria Eduarda morreu no sábado, 13 de junho, durante uma atividade promovida na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. Segundo a investigação, ela foi lançada da estrutura sem que estivesse conectada à corda necessária para a realização segura da modalidade.
O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, hipótese jurídica aplicada quando uma pessoa não pretende diretamente causar a morte, mas pode ter assumido o risco ao agir sem os cuidados necessários.
Funcionário disse que equipe cobrava R$ 180 por salto
Em depoimento, Luis Felipe Feliciano Egoroff afirmou que eram cobrados R$ 180 por salto. Ele também relatou que as responsabilidades pela instalação e pela checagem dos equipamentos eram compartilhadas entre os integrantes da equipe.
De acordo com a declaração apresentada pela reportagem, uma pessoa poderia instalar determinado equipamento enquanto outro funcionário realizava a conferência. Não haveria, porém, uma função fixa atribuída a cada integrante em todos os saltos.
Ao ser questionado sobre quem havia instalado o equipamento de Maria Eduarda e quem deveria realizar a fiscalização final, Luis Felipe respondeu que não se lembrava.
Maicon Fernandes Cintra também declarou que participava da verificação dos equipamentos utilizados nos saltos. Entretanto, afirmou não recordar se fez a checagem antes do lançamento da jovem.
As respostas passaram a ocupar um ponto central da investigação, que tenta identificar em qual etapa ocorreu a falha e quem tinha a obrigação de impedir o salto sem a conexão completa do sistema de segurança.
Prisões foram convertidas em preventivas
Seis pessoas ligadas à organização foram inicialmente conduzidas pelas autoridades. Três permaneceram presas: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves.
Eles são apontados como os funcionários diretamente envolvidos na preparação e no lançamento da participante. Durante uma audiência de custódia realizada no domingo, a Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas.
Com a decisão, os três permanecerão detidos enquanto o inquérito avança. A investigação ainda deverá reunir depoimentos, registros do evento, imagens feitas por testemunhas e análises dos equipamentos usados no local.
A responsabilidade criminal de cada investigado ainda será definida durante o processo. A prisão preventiva não representa uma condenação antecipada.
Defesa afirma que instrutores estão em choque
O advogado Rafael Gomes dos Santos, responsável pela defesa dos três investigados, declarou que os clientes estão abalados e ainda não conseguem explicar como a falha aconteceu.
Segundo o defensor, os instrutores trabalhavam havia anos com esse tipo de atividade e nunca haviam enfrentado uma ocorrência semelhante. A defesa deverá acompanhar as perícias e os demais procedimentos conduzidos pela Polícia Civil.
Apesar da alegação de choque emocional, os investigadores buscam estabelecer objetivamente quais protocolos eram usados, quem comandava a operação e se existia uma checagem final obrigatória antes de cada salto.
A inexistência de tarefas claramente definidas poderá ser considerada na apuração das circunstâncias do caso, especialmente porque atividades de risco exigem procedimentos de segurança capazes de impedir que uma única falha resulte em consequências irreversíveis.
Polícia procura câmera que pode ajudar na investigação
Outro ponto investigado é o desaparecimento de uma câmera que estaria com Maria Eduarda no momento da atividade. O equipamento não foi localizado após a ocorrência.
A Polícia Civil avalia se as imagens eventualmente registradas pela câmera podem ajudar na reconstrução dos momentos anteriores ao salto, incluindo a preparação do equipamento e a atuação dos funcionários.
Testemunhas também devem ser ouvidas para esclarecer como o evento era organizado, quais orientações eram apresentadas aos participantes e se os responsáveis seguiam uma sequência padronizada de verificações.
Maria Eduarda foi sepultada no domingo, 14 de junho, no Cemitério Municipal de Jandira, na Grande São Paulo. Familiares e amigos acompanharam a despedida.
As investigações continuam, e novas medidas poderão ser adotadas após a conclusão das perícias e da análise dos depoimentos.
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