A inauguração da Nova Policlínica de Camaçari deverá provocar mudanças importantes no atendimento especializado oferecido aos moradores de Simões Filho e de outros municípios da Região Metropolitana de Salvador.
Com a saída de Camaçari do Consórcio Público Interfederativo de Saúde responsável pela Policlínica Regional de Simões Filho, as vagas anteriormente reservadas aos pacientes camaçarienses poderão ser redistribuídas entre Simões Filho, Dias d’Ávila, Mata de São João, Conde e Lauro de Freitas.
Na prática, a alteração poderá ampliar a quantidade de consultas com especialistas, exames de imagem e procedimentos disponibilizados aos moradores desses cinco municípios.
A mudança acontece após a inauguração da unidade de Camaçari, realizada na terça-feira, 30 de junho. Construído com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o equipamento recebeu investimento próximo de R$ 50 milhões e deverá iniciar os atendimentos gradualmente.
Simões Filho poderá receber mais vagas
Até a abertura da nova unidade, Camaçari integrava o consórcio da Policlínica Regional de Simões Filho e utilizava parte da capacidade mensal de atendimento do equipamento.
Com a implantação de uma estrutura própria, essa demanda deixará de ocupar parte das vagas da unidade instalada em Simões Filho.
Segundo informações apuradas pelo portal Mais Região, as vagas liberadas serão divididas entre os municípios que permanecerem no consórcio. Ainda não foi divulgada publicamente a quantidade exata destinada a cada cidade.
A expectativa é que a redistribuição alcance serviços como consultas especializadas, exames laboratoriais, ultrassonografias, tomografias, ressonâncias magnéticas, endoscopias e outros procedimentos de média complexidade.
O impacto efetivo para os moradores dependerá da organização feita pelas secretarias municipais de Saúde, responsáveis por encaminhar os pacientes à policlínica por meio da regulação do Sistema Único de Saúde.
Governo deverá cobrir diferença financeira do consórcio
A saída de Camaçari também poderia alterar o rateio financeiro do consórcio, aumentando a participação dos municípios que permanecem vinculados à unidade de Simões Filho.
De acordo com a apuração divulgada pelo Mais Região, o Governo da Bahia adotou uma medida para assumir a diferença financeira provocada pela mudança. Dessa forma, as prefeituras não precisariam aumentar imediatamente suas contribuições para manter os serviços.
A iniciativa busca evitar que a redistribuição das vagas venha acompanhada de aumento de despesas para Simões Filho, Dias d’Ávila, Mata de São João, Conde e Lauro de Freitas.
O novo modelo, entretanto, ainda deverá passar por ajustes administrativos e operacionais, principalmente durante os primeiros meses de funcionamento da policlínica de Camaçari.
Unidade atenderá inicialmente moradores de Camaçari
Embora tenha sido apresentada como um equipamento de alcance regional, a nova policlínica deverá atender, inicialmente, apenas pacientes residentes em Camaçari.
A previsão apurada pelo Mais Região é que esse modelo permaneça até novembro ou dezembro de 2026. Depois desse período, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia poderá reorganizar a distribuição regional de pacientes entre as unidades de Camaçari e Simões Filho.
Essa futura reorganização poderá incluir a divisão de especialidades entre as duas policlínicas. Uma unidade poderá, por exemplo, concentrar determinados exames ou serviços enquanto a outra assume procedimentos diferentes.
Até que essa definição seja concluída, os moradores dos cinco municípios que continuam no consórcio deverão permanecer utilizando prioritariamente a Policlínica Regional de Simões Filho.
Nova estrutura terá 25 consultórios
Localizada na Avenida Concêntrica, no bairro Camaçari de Dentro, a nova unidade foi construída para concentrar consultas, exames, reabilitação e pequenos procedimentos em um mesmo espaço.
A policlínica conta com 25 consultórios e deverá oferecer atendimento em aproximadamente 28 áreas de atuação médica e assistencial.
Entre os serviços anunciados estão:
- Oftalmologia;
- Ortopedia;
- Otorrinolaringologia;
- Saúde da mulher;
- Saúde do homem;
- Fisioterapia;
- Reabilitação pediátrica;
- Terapia ocupacional;
- Atendimento a pacientes com feridas complexas;
- Acompanhamento de pessoas com pé diabético.
A estrutura também dispõe de setores de apoio diagnóstico, ambulatório de estomias, centro para pequenas cirurgias e uma Sala Lilás destinada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência.
Capacidade supera 54 mil atendimentos por mês
Quando estiver operando plenamente, a Policlínica de Camaçari terá capacidade estimada para realizar mais de 54 mil atendimentos mensais.
A equipe poderá reunir cerca de 300 profissionais, incluindo aproximadamente 130 médicos especialistas. Entre os exames previstos estão tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia, endoscopia e colonoscopia.
O Governo da Bahia afirma que a concentração desses serviços em uma única estrutura deverá reduzir os deslocamentos de pacientes até Salvador e diminuir o tempo de espera por diagnósticos e consultas especializadas.
A unidade é apontada pelo Estado como a primeira policlínica do país construída dentro do novo modelo do PAC Saúde.
Como conseguir atendimento na policlínica
O acesso às policlínicas regionais não ocorre, normalmente, por procura direta do paciente.
O morador deve procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde ou outro serviço da rede municipal. Após avaliação médica, o pedido de consulta ou exame é inserido no sistema de regulação.
A Secretaria Municipal de Saúde analisa a solicitação e realiza o agendamento conforme a disponibilidade de vagas, a prioridade clínica e a especialidade necessária.
Mesmo com a ampliação prevista para Simões Filho, a liberação dos atendimentos continuará dependendo desse fluxo regulatório. Por isso, o aumento da capacidade não significa atendimento imediato ou sem encaminhamento.
Mudança pode reduzir filas regionais
A retirada da demanda de Camaçari da Policlínica de Simões Filho abre espaço para reduzir filas acumuladas nos municípios que permanecem no consórcio.
Simões Filho poderá ser um dos principais beneficiados por sediar o equipamento e possuir uma demanda significativa por consultas e exames especializados.
Entretanto, o efeito real da mudança dependerá da quantidade de vagas destinada a cada município, dos critérios de regulação e da capacidade das secretarias municipais de organizar os encaminhamentos.
Nos próximos meses, Estado e municípios deverão acompanhar a procura pelos serviços e definir como as duas policlínicas funcionarão de maneira integrada na Região Metropolitana.
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