A doação de sangue no Brasil terá mudanças importantes a partir de outubro de 2026. O Ministério da Saúde atualizou o regulamento técnico da hemoterapia e reduziu períodos de impedimento para quem fez tatuagem, procedimentos estéticos, endoscopia ou esteve em áreas com risco de malária. Outra novidade é o fim da idade máxima fixa para pessoas que já são doadoras regulares.
As alterações estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho. Segundo o Ministério da Saúde, as novas regras entram em vigor 90 dias após a publicação, portanto em outubro, e procuram ampliar o acesso à doação sem reduzir a segurança das transfusões.
Tatuagem pode exigir apenas sete dias de espera
Uma das alterações de maior impacto envolve pessoas que fizeram tatuagens, maquiagem definitiva ou determinados procedimentos estéticos.
Pelas novas regras, quem fizer tatuagem, maquiagem definitiva, aplicação de botox, preenchimento ou microagulhamento poderá voltar a doar sangue depois de apenas sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em estabelecimento que cumpra as normas de segurança e seja possível avaliar essas condições.
Quando não for possível comprovar ou avaliar adequadamente as condições sanitárias do estabelecimento, o período de impedimento será de quatro meses.
No caso de piercing colocado na boca ou na região genital, a regra é diferente: a pessoa poderá doar quatro meses depois da retirada do acessório.
A redução dos prazos é uma das medidas que podem permitir o retorno mais rápido de milhares de potenciais doadores aos hemocentros.
Endoscopia e uso de anabolizantes também terão prazo menor
Outra flexibilização atinge quem realizou procedimentos endoscópicos ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica.
O período de inaptidão temporária, que era de seis meses nesses casos, será reduzido para quatro meses.
Mesmo após o cumprimento do prazo, porém, a liberação da doação continua dependendo da triagem realizada pelo serviço de hemoterapia.
Pessoas com mais de 70 anos poderão continuar doando
Uma das principais novidades diz respeito aos doadores idosos.
Com o novo regulamento, pessoas que já possuem histórico regular de doação poderão continuar doando mesmo depois dos 70 anos, desde que estejam saudáveis, sejam consideradas aptas na avaliação clínica e respeitem os intervalos e a frequência definidos para a faixa etária.
Até a entrada em vigor das novas regras, a orientação geral ainda estabelece a faixa de 16 a 69 anos. O próprio Ministério da Saúde informa atualmente que pessoas de 60 a 69 anos precisam ter realizado doação anteriormente, enquanto menores de 18 anos necessitam de consentimento formal do responsável.
Portanto, a mudança para quem ultrapassou os 70 anos só passa a valer com a vigência do novo regulamento em outubro de 2026.
Viagem para área de malária terá espera de 30 dias
Também haverá mudança para pessoas que estiveram em municípios de áreas endêmicas de malária ou tiveram exposição em mata, bosque ou floresta.
O prazo de impedimento será de 30 dias. Antes, dependendo da situação, a restrição poderia chegar a 12 meses.
A flexibilização está associada ao avanço da triagem laboratorial. O Brasil passou a utilizar o NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que, além de HIV e hepatites B e C, permite detectar o parasita causador da malária. Segundo o Ministério da Saúde, o país tornou obrigatória a testagem de malária em 100% dos exames de triagem.
Plaquetas poderão durar até sete dias
A atualização também poderá melhorar a gestão dos estoques dos hemocentros.
O concentrado de plaquetas, cujo prazo de validade tradicional é de cinco dias, poderá ser armazenado por até sete dias, desde que sejam cumpridas as medidas de controle de qualidade previstas no regulamento.
As plaquetas são especialmente importantes no tratamento de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia e pacientes com doenças hematológicas ou outras condições que necessitam de transfusões frequentes.
Outra mudança tecnológica é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas e amostras, ampliando a rastreabilidade desde a coleta até a transfusão.
Brasil registrou mais de 3,26 milhões de coletas em 2025
Os números reforçam a importância da atualização. Em 2025, o SUS registrou 3.264.138 coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações para cada mil habitantes, maior taxa registrada desde o período da pandemia.
Apesar da recuperação, os hemocentros dependem de doações contínuas porque sangue e hemocomponentes possuem prazos limitados de armazenamento e a demanda hospitalar ocorre durante todo o ano.
Quais são os requisitos básicos para doar sangue?
Além das mudanças que entram em vigor em outubro, alguns requisitos básicos permanecem essenciais. Atualmente, o Ministério da Saúde orienta que o candidato esteja em boas condições de saúde, pese pelo menos 50 kg, apresente documento oficial com foto, esteja alimentado e tenha dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas.
Adolescentes de 16 e 17 anos podem se candidatar com autorização formal do responsável. A avaliação definitiva, porém, é feita individualmente durante a triagem no hemocentro.
A orientação é consultar previamente o serviço de hemoterapia da cidade, já que condições de saúde, medicamentos, cirurgias, infecções recentes e outras situações podem gerar impedimento temporário ou definitivo.
