O policial militar suspeito de atirar contra o entregador Cirilo Carvalho, de 27 anos, após uma ocorrência de trânsito em Salvador, foi identificado como Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim, integrante da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar (31ª CIPM).
O caso aconteceu na manhã de segunda-feira, 24 de agosto, na Avenida São Rafael, nas proximidades da Avenida Paralela. Cirilo foi atingido em uma das pernas, recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE). Segundo informações divulgadas pela família, ele permanece internado, mas não corre risco de morte.
A identificação do policial representa uma nova etapa da apuração de um caso que ganhou repercussão após imagens registradas pela própria vítima mostrarem parte da discussão momentos antes do disparo.
Vídeo registrou momentos antes do disparo
Cirilo utilizou o próprio celular para filmar o desentendimento. Nas imagens divulgadas após o caso, o homem posteriormente identificado como policial aparece próximo ao veículo da vítima.
De acordo com o relato apresentado pelo entregador, o desentendimento teria começado depois que seu carro se envolveu em uma colisão com o veículo do policial.
O PM estaria de folga no momento da ocorrência. Conforme informações divulgadas sobre o episódio, ele aparece nas imagens com um distintivo pendurado no pescoço e teria se aproximado de forma exaltada do veículo de Cirilo.
A gravação mostra ainda o suspeito abrindo a porta do lado do passageiro do carro. O vídeo termina antes do disparo. Segundo o relato da vítima, o tiro aconteceu logo depois.
Outras informações divulgadas pela família indicam que Cirilo afirmou que o policial teria apontado uma arma e exigido que ele saísse do veículo antes de o disparo ocorrer. Esses relatos integram os elementos que deverão ser confrontados pela investigação com depoimentos, imagens e eventual perícia.
Entregador foi baleado na perna e levado para o HGE
Após ser atingido, Cirilo recebeu os primeiros atendimentos de uma equipe do Samu ainda na região onde ocorreu o episódio.
Ele foi levado posteriormente ao Hospital Geral do Estado, uma das principais unidades de referência em trauma da Bahia.
As informações mais recentes divulgadas pela família apontam que o entregador permanece hospitalizado, mas está fora de perigo e não apresenta risco de morte neste momento.
O estado de saúde da vítima tornou-se um dos principais pontos acompanhados desde a ocorrência, especialmente porque o disparo atingiu uma de suas pernas.
Família relata possível cápsula encontrada dentro do carro
Outro ponto que deverá fazer parte da apuração envolve o veículo utilizado pelo entregador.
Segundo familiares, uma possível cápsula de munição teria sido encontrada dentro do automóvel. A família afirma que o material foi recolhido e colocado em um saco plástico para que pudesse ser posteriormente apresentado às autoridades.
Ainda conforme o relato divulgado, o automóvel não teria passado por perícia até aquele momento.
A análise técnica de eventuais vestígios poderá ser importante para esclarecer a dinâmica do disparo, incluindo posição dos envolvidos e outros elementos relacionados à ocorrência. A confirmação sobre o material encontrado, contudo, depende de avaliação oficial.
Caso é investigado pela Polícia Civil
A ocorrência foi registrada na 10ª Delegacia Territorial (DT) de Pau da Lima, e a Polícia Civil é responsável pela investigação criminal.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, depoimentos começaram a ser colhidos após o episódio.
A Polícia Militar informou que o agente apontado como envolvido já foi identificado e que, até o momento relatado pela corporação, o policial e a esposa da vítima haviam sido ouvidos.
Uma apuração paralela poderá ocorrer na esfera administrativa dentro da própria corporação.
Policial será encaminhado à Corregedoria da PM
A Polícia Militar informou ainda que o policial será encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar da Bahia, responsável por apurar eventuais irregularidades e infrações disciplinares cometidas por integrantes da corporação.
O procedimento administrativo ocorre independentemente da investigação conduzida pela Polícia Civil.
A Corregedoria deverá avaliar a conduta do agente e adotar as medidas consideradas cabíveis conforme o andamento da apuração.
Até a conclusão das investigações, é necessário tratar o PM como suspeito, já que a responsabilidade criminal pelo disparo deverá ser definida a partir das provas reunidas e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.
O que ainda precisa ser esclarecido
A investigação deverá buscar respostas para pontos centrais do episódio, entre eles a sequência exata dos acontecimentos após a colisão dos veículos, as circunstâncias em que a arma foi utilizada e a dinâmica do disparo.
Também deverão ser considerados os vídeos disponíveis, depoimentos da vítima, do policial e de eventuais testemunhas, além de possíveis vestígios relacionados ao veículo e à munição.
O episódio aconteceu em uma região de intenso fluxo de veículos de Salvador e ganhou repercussão justamente porque parte da abordagem foi registrada em vídeo.
O caso segue sob investigação, e novas medidas poderão ser adotadas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar conforme o avanço das apurações.
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