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Início » Golpes contra MEI usam falso DAS e ameaças ao CNPJ; veja como se proteger
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Golpes contra MEI usam falso DAS e ameaças ao CNPJ; veja como se proteger

Criminosos imitam canais oficiais, enviam cobranças por WhatsApp e criam falsas pendências para induzir microempreendedores a pagar boletos ou Pix.
Por Nathália Santos26 de agosto de 20269 Minutos de Leitura
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Microempreendedores individuais precisam redobrar a atenção com mensagens sobre pagamento do DAS, supostas dívidas, taxas obrigatórias e ameaças de suspensão ou cancelamento do CNPJ. Criminosos aproveitam justamente obrigações reais da rotina do MEI para criar cobranças falsas com aparência legítima.

Os golpes contra MEI podem chegar por WhatsApp, SMS e e-mail ou aparecer em páginas falsas que imitam portais do governo. Em alguns casos, a vítima é direcionada a um boleto adulterado ou a um código Pix controlado pelos criminosos.

O risco aumenta porque expressões como “DAS vencido”, “irregularidade fiscal”, “CNPJ suspenso” e “regularização urgente” fazem parte de um universo conhecido pelo pequeno empresário. Quando o empreendedor não acompanha regularmente suas obrigações, fica mais difícil perceber rapidamente quando uma cobrança não é verdadeira.

A Receita Federal já alertou que não envia SMS nem mensagens pelo WhatsApp para cobrar débitos de MEIs. Por isso, qualquer mensagem recebida nesses canais exigindo pagamento imediato deve ser tratada com desconfiança.

Falso DAS é uma das principais armadilhas contra o MEI

O Documento de Arrecadação do Simples Nacional, o DAS, está entre os principais instrumentos utilizados nas tentativas de fraude porque é uma obrigação verdadeira e recorrente do microempreendedor.

Em 2026, considerando os MEIs convencionais, a contribuição mensal oficial é de R$ 82,05 para comércio e indústria, R$ 86,05 para serviços e R$ 87,05 para quem exerce simultaneamente atividades de comércio e serviços. O vencimento, em regra, ocorre no dia 20 de cada mês.

O problema começa quando criminosos criam páginas visualmente semelhantes ao Portal do Empreendedor ou ao sistema utilizado para geração da guia. O usuário acredita estar emitindo o DAS verdadeiro, mas recebe um documento ou QR Code cujo dinheiro será enviado para terceiros.

A recomendação oficial é gerar o DAS diretamente pelo Portal do Empreendedor, Portal do Simples Nacional ou pelos aplicativos oficiais disponibilizados pelo governo. O App MEI, por exemplo, permite emitir a guia e acessar outros serviços relacionados ao microempreendedor.

Antes de pagar, também é importante conferir os dados apresentados pelo banco na confirmação da operação. Nome e identificação do favorecido incompatíveis com a cobrança são sinais suficientes para interromper o pagamento e verificar novamente a origem da guia.

Busca no Google também exige atenção

Nem sempre o golpe começa com uma mensagem enviada diretamente ao empreendedor. Páginas fraudulentas podem ser encontradas por quem pesquisa na internet expressões como “emitir DAS MEI”, “consultar débito MEI”, “regularizar CNPJ” ou “baixar MEI”.

O cuidado deve ser ainda maior quando o endereço eletrônico tenta reproduzir a aparência de uma página oficial.

Para serviços públicos relacionados ao microempreendedor, o mais seguro é entrar diretamente no Portal do Empreendedor dentro do domínio gov.br ou utilizar o aplicativo oficial indicado pelo governo.

Digitar o endereço conhecido no navegador, em vez de acessar links enviados por terceiros, reduz o risco de cair em páginas clonadas.

Mensagens ameaçam suspender ou cancelar o CNPJ

Outra estratégia recorrente é explorar o medo de perder a empresa.

A mensagem afirma que existe uma dívida, irregularidade ou obrigação não cumprida e alerta que o CNPJ poderá ser bloqueado, suspenso ou cancelado caso determinado pagamento não seja efetuado rapidamente.

O conteúdo normalmente vem acompanhado de um prazo extremamente curto e de um botão ou link para “regularização imediata”.

Esse senso de urgência deve ser visto como um sinal de alerta.

Uma eventual pendência real deve ser confirmada diretamente nos sistemas oficiais. O empreendedor não deve clicar no endereço fornecido pela própria mensagem suspeita para verificar se a cobrança é verdadeira.

A orientação é abrir separadamente o canal oficial e consultar a situação do negócio.

Receita Federal não cobra dívida de MEI por WhatsApp

Uma informação é especialmente importante: a Receita Federal afirma que não envia SMS nem mensagens por WhatsApp para realizar cobranças de débitos de MEIs.

Assim, uma mensagem nesses canais que se apresente como cobrança oficial da Receita e exija pagamento imediato representa um forte sinal de fraude.

Isso não significa que o MEI possa ignorar suas obrigações fiscais. O DAS continua sendo uma obrigação mensal, e o microempreendedor também precisa observar outras exigências, como a declaração anual de faturamento.

A diferença está na forma de conferir essas obrigações: a situação deve ser consultada diretamente pelos canais oficiais, e não pelo link enviado por um contato desconhecido.

Cobranças de associações e sindicatos também podem confundir

Outro tipo de abordagem envolve boletos ou mensagens em nome de associações empresariais, entidades comerciais ou sindicatos.

A cobrança muitas vezes é apresentada de maneira que transmite a impressão de ser uma obrigação automática decorrente da abertura ou manutenção do CNPJ.

Essa interpretação pode estar errada.

Segundo orientação disponível no Portal do Empreendedor, cobranças de associações empresariais, comerciais ou sindicatos somente podem decorrer da filiação ou adesão do próprio MEI. A mesma atenção vale para ofertas privadas relacionadas a abertura, alteração, baixa do MEI, emissão de documentos, DAS ou declaração anual.

Portanto, receber um boleto de uma entidade privada não significa, por si só, que exista uma nova obrigação tributária.

Antes de pagar, é necessário verificar se houve contratação, adesão ou filiação.

Golpistas também oferecem empréstimos para MEI

As fraudes não se limitam ao pagamento de impostos.

Empreendedores também podem receber ofertas de empréstimos supostamente aprovados, inclusive com condições muito vantajosas. O problema aparece quando a liberação do crédito é condicionada ao pagamento antecipado de uma “taxa de cadastro”, “seguro”, “tarifa de liberação” ou depósito prévio.

O uso da urgência novamente é comum: a vítima é informada de que perderá o crédito se não pagar rapidamente.

Promessas de dinheiro acompanhadas de exigência de transferência antecipada devem ser verificadas cuidadosamente antes de qualquer operação.

Os principais sinais de um possível golpe contra MEI

Alguns comportamentos aparecem repetidamente nas fraudes:

  • cobrança inesperada enviada por WhatsApp, SMS ou e-mail;
  • ameaça de suspensão ou cancelamento imediato do CNPJ;
  • prazo muito curto para realizar o pagamento;
  • pedido de pagamento por Pix para pessoa ou empresa desconhecida;
  • endereço de site diferente dos canais oficiais;
  • erros de português ou informações inconsistentes;
  • oferta de regularização instantânea mediante pagamento;
  • cobrança de associação ou sindicato sem adesão conhecida;
  • solicitação de senha, código de autenticação ou dados bancários;
  • empréstimo condicionado a depósito antecipado.

Nenhum desses elementos isoladamente confirma necessariamente uma fraude, mas a presença de um ou vários deles exige verificação antes de qualquer pagamento.

Como consultar o DAS de forma segura

O governo informa que o DAS pode ser gerado pelo Portal do Empreendedor, pelo Portal do Simples Nacional e pelo aplicativo oficial destinado ao MEI.

O App MEI permite emitir DAS e acessar outros serviços, enquanto o governo também disponibiliza ferramentas digitais específicas para consulta e gestão do cadastro.

Ao acessar qualquer serviço, o empreendedor deve observar atentamente o endereço da página e evitar entrar pelos links enviados em mensagens suspeitas.

Quando houver dúvida, o melhor procedimento é fechar a página e iniciar uma nova consulta diretamente pelo gov.br.

O que o MEI realmente precisa manter em dia

Parte da eficácia dos golpes vem da existência de obrigações reais que o empreendedor pode esquecer.

Entre os deveres do MEI estão o pagamento mensal do DAS, emissão de nota fiscal nas situações previstas, preenchimento do relatório mensal, armazenamento de notas fiscais e envio da declaração anual de faturamento.

Manter essas informações organizadas facilita identificar mensagens falsas.

Se o empreendedor sabe que o DAS do mês já foi pago, por exemplo, uma cobrança inesperada alegando atraso pode despertar suspeita imediatamente.

Cinco cuidados antes de realizar qualquer pagamento

Antes de pagar uma cobrança supostamente relacionada ao MEI, algumas verificações podem evitar prejuízos:

1. Não clicar imediatamente no link recebido.
Acesse o serviço por outro caminho e confira a existência da pendência.

2. Observar o endereço do site.
Serviços oficiais do governo devem ser acessados pelos canais indicados no gov.br.

3. Conferir os dados do beneficiário.
Antes de confirmar boleto ou Pix, verifique quem realmente receberá o dinheiro.

4. Desconfiar de pressão por pagamento imediato.
Ameaças e prazos extremamente curtos são usados para impedir que a vítima tenha tempo de verificar a informação.

5. Nunca fornecer senha ou código de segurança.
Dados de acesso e autenticação não devem ser repassados após abordagem inesperada.

Caiu no golpe por Pix? Rapidez pode fazer diferença

Caso o pagamento fraudulento tenha sido realizado por Pix, a recomendação do Banco Central é entrar em contato com a instituição financeira o mais rapidamente possível e solicitar a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução, o MED. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência.

O Banco Central informa que, diante do relato, a instituição da vítima registra a ocorrência e o banco que recebeu os recursos pode bloquear valores disponíveis enquanto o caso é analisado.

Se a fraude for confirmada e houver recursos disponíveis, pode ocorrer devolução. O MED aumenta as possibilidades de recuperação, mas não representa garantia de ressarcimento integral.

Por isso, a velocidade para comunicar o banco é relevante.

Comprovantes da transferência, prints das mensagens, números utilizados pelos criminosos, endereços de páginas falsas e outros registros também devem ser preservados.

Pagamento por boleto falso também deve ser comunicado ao banco

Quem perceber que pagou um boleto fraudulento também deve procurar imediatamente sua instituição financeira e relatar o ocorrido.

O Banco Central recomenda ainda o registro do boletim de ocorrência e, caso o problema não seja solucionado, a vítima pode buscar órgãos de defesa do consumidor ou outras vias cabíveis.

Um detalhe merece atenção: documentos que exibem QR Code para pagamento podem, na prática, utilizar Pix. Nessa situação, o dinheiro é transferido instantaneamente para o destinatário, diferentemente da compensação tradicional de um boleto.

Informação é uma das principais defesas do microempreendedor

As fraudes contra MEIs funcionam porque misturam informações verdadeiras com uma cobrança falsa.

O DAS existe. O MEI realmente possui obrigações fiscais. Pendências podem ocorrer. O CNPJ precisa estar regular. É justamente essa combinação de fatos reais que torna algumas mensagens convincentes.

A regra mais segura é simples: uma cobrança inesperada nunca deve ser paga diretamente pelo link que chegou na mensagem.

Primeiro, a existência da dívida deve ser confirmada de maneira independente nos canais oficiais.

Em um ambiente em que criminosos conseguem reproduzir páginas, logotipos, boletos e comunicações com grande semelhança visual, conferir a origem da informação passou a ser tão importante quanto conferir o valor cobrado.

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