O candidato ao Senado Rui Costa (PT) transformou uma agenda eleitoral em Jequié, no sudoeste da Bahia, em uma demonstração de força política nesta sexta-feira (11). Ao lado do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) e do senador Jaques Wagner (PT), Rui discursou para um público que os organizadores estimaram em mais de 30 mil pessoas. A estimativa de público também foi divulgada por veículos que acompanharam o ato.
No discurso, o ex-governador buscou associar sua trajetória administrativa à relação construída com Jequié e usou o evento para reforçar uma das principais estratégias eleitorais do grupo petista na Bahia: manter Lula, Jerônimo, Wagner e Rui apresentados ao eleitor como integrantes de um mesmo projeto político.
A movimentação acontece em um momento particularmente competitivo da eleição baiana. Pesquisa RealTime Big Data realizada entre 4 e 8 de setembro mostra Jerônimo com 45% e ACM Neto com 44% das intenções de voto, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em eventual segundo turno, o petista aparece com 46%, contra 45% do adversário.
Rui Costa usa relação com Jequié como argumento eleitoral
Durante o ato, Rui afirmou ter uma ligação pessoal e política com Jequié e agradeceu o apoio recebido pelo grupo ao longo dos últimos anos.
“Eu sou apaixonado por essa cidade”, declarou o candidato, antes de reafirmar o compromisso de sua chapa com o município e com a região.
O discurso recuperou investimentos realizados durante os oito anos em que Rui governou a Bahia, entre 2015 e 2022. Entre os equipamentos destacados pelo grupo estão intervenções na área de saúde, como o Hospital Geral Prado Valadares e a Policlínica Regional.
A estratégia é transformar entregas de governos anteriores em um argumento para conquistar votos também em 2026, sobretudo nos municípios do interior onde o PT historicamente alcança resultados eleitorais relevantes.
Aliança entre Lula e Jerônimo vira ponto central do discurso
Rui também direcionou parte de sua fala para a relação entre os governos federal e estadual. O candidato ao Senado defendeu a continuidade da parceria entre Lula e Jerônimo a partir de 2027.
Na prática, a campanha petista tenta nacionalizar parte da disputa pelo governo da Bahia, vinculando Jerônimo ao presidente Lula e apresentando uma eventual vitória do governador como necessária para manter a interlocução entre Salvador e Brasília.
Essa estratégia já aparece em outros movimentos da campanha. Jerônimo e os candidatos petistas ao Senado têm usado Lula de forma recorrente nos atos eleitorais, enquanto ACM Neto procura conduzir uma campanha mais centrada na administração estadual.
A disputa nacional também está apertada. Levantamentos publicados nesta semana mostram Lula entre os líderes da corrida presidencial, mas com cenários de segundo turno tecnicamente equilibrados contra Flávio Bolsonaro.
Investimentos entram na disputa pelo voto em Jequié
Além do discurso político, o grupo governista tem utilizado obras de infraestrutura, habitação e saneamento como vitrines eleitorais.
No ato, foram mencionados projetos que somariam R$ 361,3 milhões para Jequié, incluindo recursos para abastecimento de água, contenção de encostas, urbanização e habitação. Os números foram apresentados pela campanha e, por isso, devem ser entendidos como valores anunciados ou previstos, não necessariamente como recursos já integralmente executados.
O Minha Casa, Minha Vida também ganhou espaço no discurso. O programa federal permanece em expansão: somente em setembro, o Conselho Curador do FGTS aprovou mais R$ 500 milhões para subsídios habitacionais, elevando para R$ 13 bilhões o orçamento destinado às faixas 1 e 2 em 2026.
Jequié ganha peso em uma eleição que segue aberta

Mais do que celebrar a presença de apoiadores, o evento mostrou a importância eleitoral atribuída pelo PT ao interior baiano.
Com Jerônimo e ACM Neto praticamente empatados nas pesquisas, grandes atos regionais passam a funcionar como tentativa de mobilizar bases, conquistar eleitores ainda indecisos e aumentar o engajamento das campanhas.
No encerramento, Rui pediu votos para uma chapa formada por Lula na Presidência, Jerônimo no governo da Bahia e Rui Costa e Jaques Wagner nas duas vagas para o Senado.
A menos de um mês da votação, o tamanho da mobilização em cidades como Jequié pode se tornar decisivo em uma disputa pelo governo estadual que, até agora, permanece sem favorito isolado.
