O sarampo voltou ao centro das preocupações das autoridades sanitárias após o aumento expressivo de casos nas Américas e a confirmação de infecções importadas ou relacionadas a viagens internacionais no Brasil. Apesar do alerta, o país ainda mantém a certificação de território livre da circulação endêmica do vírus.
Isso significa que o sarampo não voltou a circular de forma contínua em todo o território brasileiro. No entanto, a entrada do vírus por meio de viajantes e a existência de grupos com baixa cobertura vacinal criam condições para o surgimento de novos surtos.
Até 27 de junho de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde contabilizava 22.974 casos confirmados em 17 países e territórios das Américas, além de 39 mortes. O número representa um crescimento de 181% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo informações divulgadas na reportagem do Correio24Horas.
Casos importados colocam o Brasil em alerta
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo. O reconhecimento, porém, não impede a confirmação de casos importados nem elimina o risco de o vírus voltar a circular.
Em 2026, casos confirmados em São Paulo levaram o Ministério da Saúde a ampliar temporariamente a vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Entre 2 de junho e 17 de julho, a capital paulista havia confirmado oito casos, todos importados ou relacionados à importação do vírus.
A medida incluiu a recomendação de vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos nessas cidades durante a Campanha de Multivacinação. A estratégia busca criar uma barreira de proteção e impedir que os casos isolados provoquem uma transmissão sustentada.
O cenário não representa, por enquanto, uma epidemia nacional. Entretanto, mostra que a doença pode retornar quando encontra pessoas sem imunização ou com o esquema vacinal incompleto.
Por que o sarampo preocupa tanto?
O sarampo é uma infecção viral extremamente contagiosa. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas e partículas respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.
O vírus pode permanecer suspenso no ambiente por algum tempo, facilitando a contaminação principalmente em locais fechados e com grande circulação de pessoas. Um único paciente pode transmitir a doença para várias pessoas não imunizadas.
Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta;
- Tosse persistente;
- Coriza;
- Conjuntivite;
- Mal-estar intenso;
- Manchas vermelhas que geralmente começam no rosto e avançam pelo corpo;
- Pequenos pontos esbranquiçados na parte interna da boca, conhecidos como manchas de Koplik.
Os sinais iniciais podem ser confundidos com gripe ou outras infecções respiratórias. Por isso, pessoas com febre e manchas vermelhas, principalmente após viagem ou contato com alguém que apresentou sintomas semelhantes, devem procurar atendimento médico e evitar circular em locais públicos.
Doença pode provocar complicações graves
O sarampo não deve ser tratado como uma doença infantil simples. A infecção pode provocar pneumonia, otite, diarreia intensa, desidratação, comprometimento neurológico e encefalite.
Crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pacientes imunossuprimidos apresentam maior risco de complicações. Em situações graves, a doença pode levar à internação e à morte.
Não existe medicamento específico capaz de eliminar o vírus. O tratamento é direcionado ao controle dos sintomas, à hidratação e ao acompanhamento das possíveis complicações. Por esse motivo, a vacinação permanece como a forma mais eficaz de prevenção.
Quem precisa tomar a vacina contra o sarampo?
A proteção é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde por meio das vacinas tríplice viral — contra sarampo, caxumba e rubéola — e tetraviral, que também protege contra a varicela.
De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, o esquema de rotina considera:
| Público | Recomendação |
|---|---|
| Crianças aos 12 meses | Primeira dose da tríplice viral |
| Crianças aos 15 meses | Segunda dose da tríplice viral e dose contra varicela |
| Pessoas de 5 a 29 anos | Duas doses, caso não tenham comprovação do esquema completo |
| Adultos de 30 a 59 anos | Uma dose, se não houver registro de vacinação |
| Trabalhadores da saúde | Duas doses, independentemente da idade |
| Pessoas a partir de 60 anos | Vacinação conforme histórico, atividade profissional e avaliação do serviço de saúde |
Quem não sabe se foi vacinado deve procurar uma unidade de saúde com a caderneta, se disponível. A equipe poderá verificar o histórico e orientar a atualização do esquema.
Gestantes não devem receber a tríplice viral
A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação por ser produzida com vírus vivos atenuados. Mulheres grávidas sem comprovação de imunização devem receber orientação médica e atualizar a vacinação após o parto.
Pessoas com imunossupressão também precisam passar por avaliação individual antes de receber a dose. Já mulheres que planejam engravidar devem verificar antecipadamente se o esquema está completo.
Vacinação evita que casos isolados se transformem em surtos
O crescimento do sarampo em outros países aumenta o risco de importação do vírus, especialmente durante períodos de viagens internacionais e grandes eventos. Para quem pretende visitar uma área com circulação da doença, a orientação é conferir a situação vacinal com antecedência.
Manter altas coberturas é essencial porque a vacina protege não apenas quem recebe a dose, mas também crianças pequenas e pessoas que não podem ser imunizadas por motivos médicos.
Diante de um caso suspeito, a recomendação é procurar atendimento, informar viagens recentes e evitar contato com outras pessoas. A identificação rápida permite que as equipes de vigilância realizem exames, rastreiem contatos e promovam o bloqueio vacinal.
O sarampo, portanto, ainda não voltou à circulação endêmica no Brasil, mas o avanço dos casos nas Américas e as ocorrências importadas mostram que o risco é real. A principal resposta continua sendo verificar a caderneta e completar as doses recomendadas.
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