As propostas de Flávio Bolsonaro e Lula colocam em debate decisões que afetam o cotidiano dos brasileiros: jornada de trabalho, acesso à saúde, financiamento da casa própria e segurança pública. Os dois candidatos estão relacionados na página de planos de governo do segundo turno das eleições de 2026 disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na economia, Flávio Bolsonaro (PL) defende reduzir a estrutura administrativa federal, rever regras fiscais e retomar privatizações. Lula (PT) propõe dar continuidade ao arcabouço fiscal e ampliar investimentos em infraestrutura e desenvolvimento industrial. As diferenças aparecem também na forma de gerar empregos e organizar os serviços públicos.
Veja os principais pontos dos programas apresentados pelas candidaturas.
Economia: cortes na administração ou ampliação dos investimentos
Flávio Bolsonaro promete cortar pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas. Seu programa prevê reformular as regras fiscais, reduzir a dívida pública e revisar pontos da reforma tributária, com a intenção declarada de diminuir impostos sobre produção e consumo. Também propõe avaliar privatizações caso a caso.
Lula defende manter o arcabouço fiscal e combinar investimentos públicos e privados para ampliar infraestrutura, produtividade e indústria. O programa inclui continuidade do Novo PAC, incentivo ao crédito para pequenos negócios e consolidação da reforma tributária.
A diferença central está no papel atribuído ao Estado: Flávio prioriza enxugar a administração e estimular a atividade privada; Lula aposta na atuação pública como parte do impulso ao crescimento.
Trabalho: escala 6×1 e negociação da jornada
Lula inclui no programa o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial. Também promete manter a valorização do salário mínimo acima da inflação e desenvolver regras de proteção para trabalhadores de aplicativos.
Flávio Bolsonaro propõe jornadas flexíveis e maior espaço para negociação entre empregados e empregadores. O documento consultado pelo UOL não apresenta uma proposta de encerramento da escala 6×1.
Saúde: como os candidatos pretendem enfrentar as filas
Flávio Bolsonaro propõe corrigir a tabela de pagamentos do SUS, ampliar a Estratégia Saúde da Família e utilizar horários ociosos da rede privada para exames e atendimentos. O plano também prevê telessaúde, prontuário eletrônico único e entrega domiciliar de medicamentos para públicos específicos.
Lula pretende ampliar o atendimento especializado pelo Agora Tem Especialistas, fortalecer a Farmácia Popular e expandir a saúde digital. Seu programa também contempla vacinação nas escolas, cuidados domiciliares para idosos e investimentos na produção nacional de medicamentos e insumos.
Há convergência no uso de tecnologia e na ampliação do atendimento. Para o paciente, porém, o resultado dependerá de transformar essas diretrizes em consultas, exames e tratamentos disponíveis na rede.
Segurança pública: penas mais duras e combate ao financiamento das facções
Flávio Bolsonaro defende classificar facções como organizações narcoterroristas, reduzir a maioridade penal para 16 anos e construir cinco novos presídios federais de segurança máxima. O programa também inclui reconhecimento facial e proposta de castração química para condenados por crimes sexuais.
Lula enfatiza o bloqueio das fontes de financiamento do crime organizado, a integração entre forças de segurança e o controle de armas e munições. Prevê ainda criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta de emenda constitucional dedicada ao setor.
Educação: alfabetização, ensino técnico e permanência dos estudantes
Flávio Bolsonaro prioriza o método fônico de alfabetização, a ampliação das escolas cívico-militares e a gestão escolar orientada por resultados. Também propõe vouchers educacionais quando faltarem vagas públicas e expansão do ensino técnico.
Lula propõe ampliar a educação em tempo integral, recuperar aprendizagens e expandir institutos federais em regiões com pouca oferta de formação profissional. O plano inclui apoio à formação de professores e assistência estudantil para favorecer a conclusão dos cursos.
Moradia e programas sociais
Lula promete preservar o Bolsa Família e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, mantendo o combate à fome e às desigualdades entre as prioridades.
Flávio Bolsonaro afirma que manterá os programas sociais, com revisão da gestão, combate a fraudes e integração com qualificação profissional e acesso ao emprego. Na habitação, seu plano prevê o Casa Verde e Amarela.
O que observar ao comparar as promessas
Os programas apresentam compromissos eleitorais. Para avaliar sua execução, é necessário observar custos, fontes de financiamento, prazos e articulação política. O fim da escala 6×1, por exemplo, depende de aprovação no Congresso, enquanto mudanças no atendimento público exigem planejamento e recursos.
A leitura dos documentos completos permite conferir o alcance de cada proposta e distinguir metas gerais de medidas detalhadas. Os planos estão disponíveis para consulta no portal do TSE.
