O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira, 14 de agosto, que a disputa eleitoral de 2026 deverá ser a última de sua carreira. Aos 75 anos, o ex-governador da Bahia pretende tentar permanecer por mais oito anos no Senado Federal e, caso seja reeleito, encerrar posteriormente sua participação na política eleitoral e institucional.
A declaração foi feita durante sabatina promovida pelo Grupo A TARDE, em Salvador. Questionado sobre o que ainda pretende entregar à Bahia em um eventual segundo mandato como senador, Wagner respondeu que considera ter chegado o momento de fazer sua última campanha.
“Essa é seguramente a minha última eleição”, afirmou Wagner durante a entrevista. Ele acrescentou que pretende cumprir os mandatos concedidos pelos eleitores antes de reduzir sua participação institucional, embora tenha indicado que não pretende se afastar completamente do debate político.
A decisão acrescenta um elemento importante à disputa pelo Senado na Bahia em 2026. Neste ano, os baianos escolherão dois senadores, já que chegam ao fim os mandatos iniciados em 2019.
Wagner pode permanecer no Senado até 2035
Caso consiga a reeleição em outubro, Jaques Wagner iniciará um novo mandato de oito anos em 1º de fevereiro de 2027, permanecendo no Senado até o início de 2035.
Há um ponto importante em relação à trajetória parlamentar do senador: Wagner não está no Senado desde 2015, como aparece em parte do material originalmente publicado sobre a sabatina. Ele foi eleito senador pela Bahia nas eleições de 7 de outubro de 2018 e iniciou o mandato em 2019. A própria Agência Senado registra sua eleição naquele pleito.
O perfil oficial do Senado confirma ainda que Jaques Wagner nasceu em 16 de março de 1951, portanto tem atualmente 75 anos.
Se completar um eventual segundo mandato, o petista estará com 83 anos em 2034 e terá 83 anos quando deixar o cargo no início de 2035.
Experiência e relação com Lula entram no discurso
Ao explicar por que pretende disputar mais um mandato, Wagner destacou principalmente sua experiência política acumulada durante décadas e sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador argumentou que essas relações poderiam ser utilizadas para ampliar a interlocução entre o governo federal e a Bahia e ajudar na busca por investimentos, programas e projetos destinados ao estado.
Wagner também voltou a apresentar como uma de suas características políticas a capacidade de diálogo e conciliação.
A proximidade com o Palácio do Planalto ocupa posição relevante na atual atuação parlamentar do petista. Wagner exerce papel de destaque na articulação política do governo no Congresso. A indicação para a liderança do governo no Senado foi oficializada no início do terceiro mandato de Lula.
Disputa pelo Senado ganha peso na Bahia
A declaração ocorre em plena corrida eleitoral de 2026, quando duas das três cadeiras da Bahia no Senado estão em disputa.
Além de Wagner, o cenário eleitoral baiano reúne outros nomes de peso e coloca o Senado entre as principais batalhas políticas do estado neste ano.
Pesquisas recentes indicam Wagner entre os candidatos competitivos. Levantamento Real Time Big Data divulgado em 11 de agosto de 2026, por exemplo, colocou Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) à frente na disputa pelas duas vagas baianas. No cenário consolidado divulgado pela pesquisa, Rui apareceu com 25% e Wagner com 20%.
Outro levantamento divulgado no início de agosto também apontou os dois petistas na liderança da disputa. A pesquisa ouviu 1.400 pessoas em 60 municípios entre 31 de julho e 2 de agosto e informou margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Pesquisas eleitorais representam o cenário existente no período em que as entrevistas são realizadas e não funcionam como previsão do resultado das urnas.
De deputado federal a governador da Bahia
A possível despedida eleitoral anunciada por Wagner chama atenção principalmente pela extensão de sua trajetória política.
Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, ele consolidou praticamente toda a carreira eleitoral na Bahia.
A primeira eleição para um cargo parlamentar ocorreu em 1990, quando conquistou uma cadeira de deputado federal pelo estado. Depois disso, foi reeleito para a Câmara dos Deputados em 1994 e 1998. A Câmara registra os diferentes períodos da atuação de Wagner como deputado federal.
Sua trajetória também passou por diferentes funções no Executivo federal.
Durante o primeiro governo Lula, Wagner assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego, cargo que exerceu entre 2003 e 2004. Posteriormente, passou pela estrutura responsável pela articulação institucional da Presidência.
A carreira política ganhou uma nova dimensão em 2006, quando venceu a eleição para o governo da Bahia.
Wagner governou a Bahia por oito anos
Jaques Wagner comandou o governo baiano durante dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014.
A vitória de 2006 representou um momento importante na reorganização política do estado e iniciou o período de governos estaduais liderados pelo PT na Bahia.
Depois de deixar o Palácio de Ondina, Wagner retornou ao governo federal durante a administração da então presidente Dilma Rousseff. Entre as funções que exerceu estiveram o Ministério da Defesa e posteriormente a Casa Civil.
Sua experiência em diferentes cargos ajuda a explicar por que Wagner permanece como uma das principais figuras do PT na Bahia e na articulação nacional da legenda.
Eleição para o Senado aconteceu em 2018
Depois de passar pelo governo estadual e por ministérios, Wagner retornou às urnas em 2018 para disputar uma das vagas da Bahia no Senado.
Ele foi eleito naquele ano com aproximadamente 4,25 milhões de votos, garantindo mandato de oito anos. A Agência Brasil registrou sua vitória na eleição de 2018, enquanto o próprio PT informa votação superior a 4,25 milhões de votos naquela disputa.
O mandato começou em 2019 e termina no início de 2027.
Agora, Wagner tenta conquistar a renovação da cadeira justamente na eleição que, segundo ele próprio, deverá representar sua despedida das urnas.
Última eleição não significa abandono completo da política
Apesar de falar em encerramento da trajetória eleitoral e institucional após um eventual novo mandato, Wagner fez uma distinção importante.
O senador indicou que deixar as eleições não significa necessariamente abandonar completamente a política.
A sinalização permite interpretar sua declaração como uma despedida da disputa por cargos públicos — e não obrigatoriamente da participação em debates, articulações partidárias ou atividades políticas depois do Senado.
Se o planejamento apresentado por Wagner for mantido, sua última eleição acontecerá mais de três décadas depois da primeira vitória para deputado federal, conquistada em 1990.
Eleição de 2026 pode fechar ciclo iniciado há mais de três décadas
A fala de Jaques Wagner transforma a campanha de 2026 em uma disputa com significado adicional para sua própria trajetória.
Desde a primeira eleição para deputado federal, Wagner acumulou passagens pela Câmara dos Deputados, ministérios, governo da Bahia e Senado Federal.
Foram dois mandatos consecutivos como governador, três eleições para deputado federal, atuação em diferentes áreas do Executivo federal e uma eleição para senador.
Agora, aos 75 anos, pretende buscar mais oito anos no Congresso.
Caso seja reeleito e mantenha a decisão anunciada nesta sexta-feira, a eleição de 2026 será efetivamente a última vez em que Jaques Wagner colocará seu nome à disposição dos eleitores para um cargo público.
O resultado das urnas determinará se essa despedida das campanhas será acompanhada por um último mandato no Senado, com término previsto para 2035.
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