Uma situação que começou com uma mordida de gato se transformou em dias de angústia para uma família em Salvador. Taiane Vitória, de 19 anos, está internada há aproximadamente 14 dias no Hospital Teresa de Lisieux, após apresentar complicações de saúde que, segundo relato de sua mãe, Elane, surgiram depois do ataque do animal.
A família afirma que a jovem desenvolveu uma infecção na perna, sentiu fortes dores e precisou passar por procedimentos para retirada de tecido necrosado. Elane diz ainda que a filha chegou a permanecer em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de ser transferida para uma enfermaria.
Nesta sexta-feira (7), conforme o relato da mãe, Taiane precisou ser submetida a mais um procedimento médico.
Além de cobrar informações sobre a evolução do tratamento da jovem, a família faz um pedido de ajuda diante do sofrimento enfrentado durante as últimas duas semanas.
Mãe relata que atendimento começou logo após mordida
Segundo Elane, após ser mordida pelo gato, Taiane foi inicialmente levada ao Hospital Teresa de Lisieux, onde recebeu atendimento e medicação antes de ser orientada a retornar para casa.
No dia seguinte, no entanto, o quadro teria apresentado mudanças e a jovem procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
De acordo com a mãe, após avaliações e exames realizados na unidade, teria sido constatada a necessidade de transferência hospitalar através do sistema de regulação.
Taiane foi posteriormente encaminhada novamente ao Hospital Teresa de Lisieux, onde permanece internada.
O Hospital e Maternidade Teresa de Lisieux fica na Avenida Antônio Carlos Magalhães, em Salvador, e integra atualmente a rede própria do Hapvida, segundo informações disponibilizadas pela própria operadora.
Infecção na perna preocupa família
O ponto de maior preocupação para os familiares é a evolução da lesão na perna.
Elane afirma que a filha apresentou uma infecção e que os médicos precisaram realizar procedimentos para retirada de tecido necrosado, expressão usada para descrever tecido que perdeu sua vitalidade.
Segundo a mãe, dois procedimentos já haviam sido realizados anteriormente e um novo procedimento ocorreu nesta sexta-feira.
Ela também relata que Taiane continua sentindo dores intensas mesmo após os dias de internação.
As informações sobre o diagnóstico exato, o agente causador da infecção e os detalhes dos procedimentos, entretanto, ainda dependem de confirmação oficial da equipe médica ou da unidade hospitalar.
Alterações no fígado e na vesícula também são relatadas
A mãe afirma ainda que, durante a internação, exames teriam identificado alterações relacionadas ao fígado e à vesícula da jovem.
Outro ponto mencionado pela família seria a necessidade de uma transfusão de sangue.
Elane diz que aguarda a realização do procedimento e demonstra preocupação com a evolução clínica da filha.
Sem acesso ao prontuário médico e sem posicionamento detalhado da unidade hospitalar até a publicação desta matéria, não é possível estabelecer se essas alterações possuem relação direta com a mordida, com a infecção relatada pela família ou com outros fatores clínicos.
“Minha filha só está sentindo dor”
Em meio aos 14 dias de internação, a mãe fez um desabafo sobre a situação enfrentada pela família.
“Minha filha só está sentindo dor e eu não posso fazer nada”, afirmou Elane em relato divulgado pelo Alô Juca.
A declaração evidencia a aflição dos familiares enquanto aguardam novas informações sobre o tratamento e a recuperação da jovem.
Por que mordidas de gato precisam de atenção?
Apesar de uma mordida de gato poder parecer pequena externamente, esse tipo de ferimento não deve ser ignorado.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alerta que mordidas e arranhões de gatos podem transmitir microrganismos mesmo quando a lesão parece superficial. Dados compilados pela instituição indicam que uma parcela relevante das mordidas e arranhões relatados pode desenvolver algum tipo de infecção.
A boca de cães e gatos abriga diferentes bactérias. Algumas podem causar infecções após entrarem no organismo através de uma mordida ou de uma ferida aberta. Entre os microrganismos associados a esse tipo de ocorrência estão bactérias dos gêneros Pasteurella e Capnocytophaga.
Isso não significa que qualquer mordida resulte em um quadro grave, nem permite afirmar qual teria sido a causa das complicações apresentadas por Taiane. Somente exames e avaliação médica podem determinar o diagnóstico.
Ministério da Saúde orienta lavar ferimentos imediatamente
Orientações oficiais reforçam a importância de procurar avaliação após acidentes envolvendo animais.
O Ministério da Saúde recomenda que, em situações de mordedura ou arranhadura envolvendo animais suspeitos, o ferimento seja lavado cuidadosamente com água e sabão. Dependendo das circunstâncias, o atendimento também deve avaliar riscos como infecções e exposição ao vírus da raiva.
A necessidade de vacina, soro, antibióticos ou outros tratamentos deve ser definida por profissionais de saúde de acordo com cada caso.
Família pede recolhimento e avaliação do gato
A preocupação de Elane não se limita à situação da filha.
A mãe afirma que o gato envolvido no episódio permanece circulando pela região onde a família mora. Segundo ela, há crianças no local e existe receio de que um novo ataque possa acontecer.
Por esse motivo, a família pede que o órgão responsável faça o recolhimento ou avaliação do animal, tanto para verificar suas condições de saúde quanto para reduzir o risco de novos episódios.
Em ocorrências envolvendo gatos desconhecidos ou animais sem histórico vacinal conhecido, autoridades sanitárias recomendam que o caso seja comunicado e avaliado adequadamente, especialmente em razão da necessidade de análise sobre eventual exposição à raiva.
Hospital ainda deve esclarecer quadro clínico
Até o momento das informações fornecidas para esta matéria, a família aguardava esclarecimentos sobre a evolução do quadro e as próximas etapas do tratamento de Taiane.
Também são aguardadas informações oficiais sobre o diagnóstico da jovem, os procedimentos já realizados, a eventual necessidade de transfusão e a previsão para continuidade do tratamento.
O espaço permanece aberto para manifestação do Hospital Teresa de Lisieux e demais órgãos envolvidos.
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