Considerada uma das obras de infraestrutura mais aguardadas da Bahia, a Ponte Salvador-Itaparica entrou em uma nova etapa e começa a transformar um projeto discutido há décadas em uma intervenção concreta na Baía de Todos-os-Santos.
A estrutura será o principal elemento do Sistema Viário Oeste, complexo que pretende criar uma nova ligação entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo, o Baixo Sul e outras regiões do estado.
A ponte terá aproximadamente 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, tornando-se o maior eixo contínuo desse tipo na América Latina. A conexão partirá da região do Terminal Marítimo de São Joaquim, em Salvador, e chegará à localidade de Gameleira, no município de Vera Cruz.
Projeto inclui ponte estaiada, túneis e novas rodovias
O empreendimento não será formado apenas pela travessia marítima. O projeto contempla acessos viários em Salvador, túneis, viadutos, uma nova via expressa em Vera Cruz e intervenções na BA-001.
Também está prevista a duplicação de trechos da rodovia estadual, ampliando a capacidade de circulação na Ilha de Itaparica e melhorando a conexão com municípios do Recôncavo e do Baixo Sul.
No trecho central, destinado à passagem de grandes embarcações, a ponte contará com uma estrutura estaiada de aproximadamente 682 metros de extensão e altura livre de 85 metros.
A configuração permitirá manter a navegação na Baía de Todos-os-Santos e atender às exigências técnicas relacionadas ao tráfego marítimo, ao vento, às marés e à profundidade do local.
Investimento bilionário reúne recursos públicos e privados
O complexo integra uma parceria público-privada entre o Governo da Bahia e a concessionária responsável pelo Sistema Viário Salvador-Itaparica.
O investimento total estimado supera R$ 11 bilhões, considerando a ponte, os acessos, os túneis, os viadutos e as intervenções rodoviárias previstas no contrato.
O Novo Programa de Aceleração do Crescimento reservou R$ 3 bilhões para o empreendimento. O Governo da Bahia também participa da estrutura financeira, enquanto o restante será aportado pela concessionária ao longo da execução e da operação do sistema.
O modelo de concessão prevê que a iniciativa privada construa, opere e realize a manutenção do complexo durante o período estabelecido contratualmente.
Obra pode reduzir viagem em cerca de duas horas
Um dos principais benefícios esperados é a redução do tempo de viagem entre Salvador e diferentes municípios do Recôncavo e do Baixo Sul.
Atualmente, motoristas que seguem para essas regiões precisam utilizar o sistema ferry-boat ou contornar a Baía de Todos-os-Santos por rodovias, passando pela região de Feira de Santana.
Com a ponte e os novos acessos, o trajeto poderá ser reduzido em aproximadamente duas horas, dependendo da origem e do destino. O projeto também deverá diminuir em até 250 quilômetros determinadas viagens entre Salvador e localidades atendidas pelo novo sistema viário.
A estimativa oficial indica uma redução superior a 40% no tempo de deslocamento em alguns trajetos.
Além de facilitar as viagens, a nova ligação deverá aliviar parte do fluxo existente nas rodovias BR-101, BR-116 e BR-324, criando uma rota alternativa para o transporte de passageiros, produtos agrícolas e mercadorias.
Cerca de 10 milhões de baianos poderão ser beneficiados
O impacto da ponte deve ultrapassar os limites de Salvador e da Ilha de Itaparica. A previsão é que aproximadamente 250 municípios e cerca de 10 milhões de pessoas sejam alcançados direta ou indiretamente pelas mudanças na mobilidade e na logística.
A nova conexão poderá facilitar o acesso ao Recôncavo, ao Baixo Sul e ao sul da Bahia, além de aproximar a capital de cidades turísticas como Valença, Cairu, Nazaré, Santo Antônio de Jesus e municípios da Costa do Dendê.
Produtores rurais e empresas também poderão ser beneficiados pela redução das distâncias até Salvador, o Porto de Aratu, o Centro Industrial de Aratu e outros centros consumidores.
Construção deverá gerar milhares de empregos
A fase inicial já mobiliza mais de 300 profissionais e dezenas de empresas brasileiras responsáveis pelo fornecimento de equipamentos, materiais e serviços especializados.
Durante o período de maior atividade, a expectativa é de criação de aproximadamente 7 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A estratégia anunciada pelo Governo da Bahia prevê prioridade para trabalhadores locais e para a aquisição de materiais produzidos no Brasil.
As oportunidades devem envolver áreas como engenharia, construção civil, logística, transporte, segurança do trabalho, montagem industrial, alimentação, hospedagem e serviços administrativos.
Programas de capacitação profissional também deverão preparar moradores dos municípios próximos para concorrer às vagas abertas pelo empreendimento.
Turismo pode entrar em uma nova fase
A redução do tempo de viagem tende a ampliar o fluxo de visitantes para a Ilha de Itaparica, o Recôncavo e a Costa do Dendê.
Destinos turísticos que atualmente exigem viagens mais longas poderão ficar mais próximos de Salvador, favorecendo hotéis, pousadas, restaurantes, operadores turísticos e pequenos comerciantes.
A obra poderá ainda estimular novos investimentos imobiliários, empresariais e logísticos nos municípios localizados ao longo do Sistema Viário Oeste.
Esse crescimento, porém, deverá ser acompanhado por planejamento urbano, ampliação do saneamento básico e proteção ambiental para evitar ocupações desordenadas e pressão sobre áreas sensíveis da ilha.
Está prevista para 2031
O cronograma apresentado pelo Governo da Bahia prevê a execução da obra ao longo de aproximadamente cinco anos, com conclusão estimada para 2031.
Antes da construção dos grandes pilares e dos segmentos sobre o mar, o projeto passa por etapas como detalhamento de engenharia, licenciamento ambiental, instalação dos canteiros, sondagens e mobilização de equipamentos.
A complexidade da intervenção exige estruturas resistentes à maresia, às correntes marítimas, ao vento e ao tráfego de veículos pesados. Por isso, parte dos componentes e equipamentos especializados será produzida ou preparada antes de chegar à Bahia.
Mais do que uma nova travessia, a Ponte Salvador-Itaparica representa uma mudança no mapa econômico e rodoviário do estado. A promessa é reduzir distâncias, gerar empregos e criar um novo corredor de desenvolvimento para milhões de baianos.
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