Quem pretende aproveitar a orla de Salvador deve ficar atento antes de entrar no mar. Um novo boletim de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aponta 11 praias impróprias para banho na capital baiana, incluindo pontos bastante conhecidos e frequentados por moradores e turistas.
A relação inclui trechos localizados tanto na região da Baía de Todos-os-Santos quanto na orla atlântica de Salvador. Entre os locais que aparecem no alerta estão São Tomé de Paripe, Periperi, Penha, Bonfim, Rio Vermelho, Amaralina, Armação, Boca do Rio e Patamares.
O acompanhamento realizado pelo Inema busca avaliar se a qualidade microbiológica da água oferece condições adequadas para atividades que envolvem contato direto e prolongado com o mar, como natação, mergulho e banho recreativo.
O Inema mantém uma rede de monitoramento da qualidade das praias no litoral da Bahia, com coletas sistemáticas de amostras e classificação dos pontos avaliados como próprios ou impróprios para recreação de contato primário.
Veja as 11 praias impróprias para banho em Salvador
De acordo com o boletim divulgado, o banho de mar não é recomendado nos seguintes pontos:
- São Tomé de Paripe – em frente à Casa Vila Maria, ao lado da rampa de acesso à praia;
- Periperi – na saída de acesso à praia, após a travessia da via férrea;
- Penha – em frente à Barraca do Valença;
- Bogari – em frente ao Colégio da Polícia Militar, antigo Colégio João Florêncio Gomes;
- Bonfim – ao lado da quadra de esportes, em frente à rampa de acesso à praia;
- Boa Viagem;
- Rio Vermelho;
- Amaralina;
- Armação;
- Boca do Rio;
- Patamares.
A classificação se refere aos pontos monitorados pelo órgão ambiental. Por isso, é importante observar exatamente o trecho indicado no boletim, principalmente em praias extensas que possuem mais de um ponto de coleta.
O que significa uma praia estar imprópria?
A classificação de uma praia como imprópria está relacionada à qualidade da água para atividades que provoquem contato direto do banhista com o mar.
O monitoramento realizado pelo Inema segue parâmetros previstos na Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Entre os indicadores analisados está a concentração da bactéria Escherichia coli (E. coli), amplamente utilizada para identificar possível contaminação de origem fecal na água.
Pelas regras do Conama, a classificação leva em consideração uma sequência de amostras coletadas no mesmo ponto. A água também pode ser considerada imprópria quando a análise mais recente registra concentração de E. coli acima dos limites estabelecidos pela legislação.
A presença elevada desses microrganismos funciona como um sinal de que aquela área pode estar recebendo influência de esgoto, águas contaminadas ou outros materiais que chegam ao mar por rios, canais e sistemas de drenagem.
Isso não significa necessariamente que toda a extensão de uma praia esteja contaminada da mesma maneira, razão pela qual os órgãos ambientais trabalham com pontos específicos de monitoramento.
Chuva aumenta atenção sobre a qualidade da água
Um dos principais cuidados recomendados aos banhistas ocorre depois de períodos de chuva.
Quando chove com maior intensidade, a água que percorre ruas e áreas urbanizadas pode carregar lixo, resíduos, material orgânico e outros contaminantes até canais, rios, galerias pluviais e, posteriormente, o mar.
O próprio Inema alerta que praias podem apresentar condições desfavoráveis mesmo quando análises anteriores estavam dentro dos parâmetros considerados adequados, principalmente diante da influência de chuvas, drenagens e cursos d’água urbanos.
Por esse motivo, além de verificar o boletim de balneabilidade, a orientação é redobrar a atenção em praias localizadas próximas a saídas de canais, rios, córregos, galerias de drenagem e pontos onde haja indícios de lançamento de esgoto.
Quais são os riscos de entrar em água contaminada?
A classificação de balneabilidade funciona como uma medida preventiva de proteção à saúde pública.
Águas com contaminação microbiológica podem aumentar a exposição dos banhistas a agentes capazes de provocar problemas gastrointestinais e outras infecções, especialmente quando ocorre ingestão acidental da água.
O risco pode ser maior para crianças, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade imunológica.
Além dos indicadores microbiológicos, a legislação permite que determinado trecho seja considerado impróprio em situações como presença de esgoto, resíduos, óleos, proliferação potencialmente prejudicial de algas ou outros fatores capazes de representar risco à saúde dos frequentadores.
Por isso, a aparência aparentemente limpa ou transparente da água não é suficiente para determinar se uma praia está adequada para banho. Muitos contaminantes microbiológicos não são perceptíveis visualmente.
Como o Inema monitora as praias da Bahia?
O Inema realiza o monitoramento de balneabilidade através de sua estrutura de acompanhamento da qualidade ambiental.
Segundo o órgão, as amostras são coletadas sistematicamente, normalmente pela manhã e em locais de maior concentração de banhistas. A rede estadual reúne pontos distribuídos ao longo da costa baiana.
Depois da coleta, as amostras passam por análises que permitem verificar a concentração dos microrganismos utilizados como indicadores da qualidade da água.
A partir dos resultados, cada ponto recebe a classificação correspondente.
Como as condições ambientais podem mudar em pouco tempo — especialmente após chuvas, alterações de maré, ocorrências envolvendo esgoto ou modificações na drenagem urbana — um trecho classificado como próprio em determinado boletim pode apresentar situação diferente na atualização seguinte.
Cuidados antes de escolher onde tomar banho de mar
Antes de entrar na água, o banhista deve verificar a atualização mais recente da balneabilidade e evitar locais que estejam classificados como impróprios.
Também é recomendável não entrar no mar próximo a canais, desembocaduras de rios, córregos ou pontos onde seja possível perceber despejo de água com coloração ou odor diferentes.
Mesmo uma praia classificada como própria merece atenção quando houver sinais visíveis de contaminação ou após chuvas intensas.
A balneabilidade é justamente um indicador desenvolvido para avaliar a qualidade da água destinada à chamada recreação de contato primário, situação na qual há contato direto e prolongado com a água e possibilidade de ingestão acidental.
Para quem pretende aproveitar as praias de Salvador, portanto, consultar o boletim atualizado pode evitar riscos desnecessários e ajudar na escolha de um trecho mais adequado para o lazer.
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