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Início » ONG denuncia 1.093 contas do Telegram e acende alerta sobre proteção de crianças
Notícias

ONG denuncia 1.093 contas do Telegram e acende alerta sobre proteção de crianças

Levantamento feito entre 2017 e 2026 identificou 1.093 endereços ativos com indícios de violência sexual contra crianças e adolescentes; dados foram encaminhados à ANPD.
Por Nathália Santos14 de agosto de 20264 Minutos de Leitura
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ONG denuncia 1.093 contas do Telegram e acende alerta sobre proteção de crianças

A SaferNet Brasil encaminhou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento que aponta 1.093 endereços ativos no Telegram com indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os dados fazem parte de uma análise que reúne denúncias registradas ao longo de nove anos, entre 2017 e 2026.

O documento apresentado pela organização amplia o alerta sobre a circulação de conteúdos ilícitos em aplicativos de mensagens. Ao todo, foram identificados 14.969 endereços únicos ligados ao Telegram no banco de denúncias analisado pela entidade.

Segundo a SaferNet, 8.160 desses endereços já estavam inexistentes ou haviam sido removidos no momento da verificação, enquanto outros 4.851 correspondiam a convites que já tinham sido revogados. Ainda assim, 1.958 endereços permaneciam ativos e acessíveis, dos quais 1.093 apresentavam indícios relacionados à violência sexual contra menores de idade.

Perfis, canais e grupos aparecem no levantamento

Entre os endereços apontados pela organização estão perfis de usuários, robôs automatizados, convites, canais e grupos. A preocupação da SaferNet é que a estrutura dessas comunidades facilite não apenas a circulação, mas também a descoberta de novas redes relacionadas ao mesmo tipo de conteúdo.

A análise dos endereços que continuavam ativos levou, segundo a entidade, à identificação de 468 novos canais que ainda não faziam parte de sua base histórica de denúncias, o que sugere uma capacidade de expansão e recriação dessas redes.

A SaferNet informou ainda que a verificação foi realizada utilizando exclusivamente recursos públicos disponíveis na plataforma, sem entrada nos grupos privados e sem acesso às mensagens, arquivos ou dados pessoais dos participantes.

Denúncias atingiram pico em julho de 2026

Outro dado que chamou a atenção da organização foi a evolução das denúncias nos últimos anos. Segundo o levantamento, houve uma aceleração a partir de 2022, com o maior volume da série histórica registrado em julho de 2026, quando foram contabilizadas 587 denúncias relacionadas ao Telegram.

Para a SaferNet, o cenário exige medidas mais efetivas das plataformas digitais para identificar, interromper e impedir a reincidência de redes que distribuam conteúdos envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes.

A organização apresentou uma representação à ANPD cobrando apuração e eventual responsabilização da plataforma diante dos casos relatados. Até a divulgação do levantamento, o Telegram ainda não havia apresentado resposta pública às acusações relatadas pela imprensa.

Brasil registra aumento de casos envolvendo material de abuso infantil

O problema não está restrito ao Telegram. Dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram crescimento dos registros envolvendo produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil no país.

Em 2025, foram contabilizados 4.063 registros, crescimento de 25,3% em relação ao ano anterior, segundo análise divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento reforça a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades, especialmente diante da facilidade de criação de grupos, compartilhamento instantâneo de arquivos e uso de ferramentas destinadas a esconder a identidade de usuários.

Congresso aprovou penas mais duras para crimes digitais contra menores

Em 7 de julho de 2026, o Senado aprovou o PL 3.066/2025, que endurece as punições para crimes de violência sexual digital contra crianças e adolescentes e prevê agravantes relacionados ao uso de inteligência artificial, deepfakes, perfis falsos, anonimização, aplicativos de mensagens, redes sociais e jogos on-line. O texto foi encaminhado para sanção após a votação.

A proposta também prevê aumento das penas relacionadas à produção, divulgação, comercialização e armazenamento de material de violência sexual envolvendo menores, além de incluir diferentes condutas desse tipo no rol dos crimes hediondos.

Outra previsão é o aumento da pena quando forem utilizados mecanismos de mascaramento ou ocultação de endereço IP e outros identificadores digitais com o objetivo de dificultar a identificação do responsável.

O Brasil também possui desde 2025 o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que estabelece deveres de proteção para produtos e serviços digitais acessíveis a crianças e adolescentes. A legislação foi posteriormente regulamentada em março de 2026.

Como denunciar conteúdos suspeitos

A orientação é que usuários que encontrem conteúdos envolvendo possível exploração ou violência sexual contra crianças e adolescentes não baixem, armazenem ou compartilhem o material.

A SaferNet mantém um canal para recebimento de denúncias anônimas sobre crimes e violações de direitos humanos na internet. As informações encaminhadas podem posteriormente subsidiar análises e comunicações às autoridades responsáveis.

O novo levantamento coloca novamente em discussão a responsabilidade das plataformas na identificação e retirada de conteúdos ilícitos, principalmente quando grupos e canais conseguem permanecer ativos ou reaparecer após denúncias.

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Nathália Santos
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Nathália Santos é consultora de carreiras especializada no setor de petróleo, gás e energia. Com mais de 10 anos de experiência, Nathália tem ajudado profissionais a navegar nas complexidades do mercado de trabalho energético.

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