A preservação dos casarões históricos de Salvador ganhou uma iniciativa que também pode abrir novas oportunidades profissionais. A capital baiana passou a contar com a Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador, criada para oferecer capacitação gratuita a trabalhadores interessados em atuar na recuperação, conservação e restauração de imóveis históricos.
A unidade funciona na histórica Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Centro Histórico, e foi inaugurada pela Prefeitura de Salvador no dia 9 de setembro. A proposta combina preservação do patrimônio arquitetônico, formação profissional e geração de emprego e renda.
Primeira turma começa em setembro
A primeira formação oferecida pela escola será o curso de Pintura Tradicional com Pigmentos Naturais, com 30 alunos.
As aulas estão programadas para ocorrer entre 15 de setembro e 17 de dezembro de 2026, nas tardes de terça e quinta-feira. A capacitação busca ensinar técnicas tradicionais utilizadas principalmente na conservação e recuperação de construções históricas.
Um dos principais diferenciais é que não é necessário possuir experiência profissional anterior na área.
O projeto pretende justamente preparar novos trabalhadores para um segmento que exige conhecimentos específicos e enfrenta necessidade crescente de mão de obra especializada.
A preferência para participação é de moradores do Centro Histórico, embora candidatos de outras regiões de Salvador também possam concorrer às oportunidades.
As inscrições da primeira turma já foram encerradas, mas a expectativa é de abertura de novas formações à medida que o projeto seja ampliado.
Escola pode criar oportunidades de trabalho no Centro Histórico
Além da qualificação gratuita, a Escola de Ofícios Tradicionais foi criada em um momento de crescimento das intervenções de recuperação e retrofit de imóveis históricos de Salvador.
A própria administração municipal indicou que profissionais formados poderão encontrar oportunidades em obras de recuperação realizadas na cidade. Parte dos primeiros alunos poderá, inclusive, ser aproveitada em intervenções já desenvolvidas pela Prefeitura.
A formação especializada é particularmente importante porque técnicas utilizadas em construções históricas podem ser diferentes das empregadas na construção civil convencional.
Intervenções inadequadas podem comprometer fachadas, revestimentos, estruturas e elementos arquitetônicos protegidos.
Por isso, a proposta da escola envolve não apenas ensinar um novo ofício, mas também preservar conhecimentos transmitidos historicamente entre profissionais especializados.
Novos cursos devem ampliar formação profissional
A pintura tradicional será apenas o início do programa.
A expectativa é incorporar gradualmente outras áreas importantes para a recuperação do patrimônio histórico, incluindo alvenaria, carpintaria, ferragem, cantaria e técnicas tradicionais de acabamento.
Também estão entre as possibilidades futuras atividades relacionadas a argamassas, forjaria e outros ofícios necessários à restauração de imóveis antigos.
A ampliação deverá ocorrer conforme as demandas de conservação da cidade e do próprio mercado de trabalho.
O projeto tem caráter permanente, o que pode transformar a escola em um ponto contínuo de formação de trabalhadores especializados.
Modelo tem referência em experiência de Minas Gerais
A implantação da escola conta ainda com consultoria técnica do Instituto Pedra, organização especializada em patrimônio cultural.
A experiência da Escola de Ofícios de Mariana, em Minas Gerais, criada em 2019, serve como uma das referências para a iniciativa de Salvador.
O objetivo é criar uma rede capaz de manter vivos conhecimentos tradicionais e, simultaneamente, preparar trabalhadores para um mercado ligado à recuperação do patrimônio histórico.
Em Salvador, a demanda ganha relevância diante da quantidade de imóveis antigos existentes principalmente no Centro Histórico e no Comércio.
Casa das Sete Mortes ganha nova função
A escolha da sede também possui importância histórica.
A Casa das Sete Mortes é um imóvel do século XVII e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1943.
Localizado na região do Pelourinho, o casarão passa agora a funcionar como espaço dedicado justamente à preservação das técnicas necessárias para recuperar construções históricas.
Com a instalação da escola, um patrimônio histórico passa a contribuir diretamente para a formação de profissionais responsáveis pela conservação de outros imóveis da cidade.
Como acompanhar as próximas vagas
Quem não conseguiu participar da primeira turma deverá acompanhar a abertura das próximas formações pelos canais oficiais da Prefeitura de Salvador e da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), responsável pela coordenação da iniciativa.
A escola está localizada na Casa das Sete Mortes, Rua do Passo, nº 24, Centro Histórico de Salvador. Informações sobre novas turmas e cursos também deverão ser divulgadas conforme o programa avançar.
Com novos cursos previstos, a iniciativa pode se tornar uma alternativa de qualificação profissional gratuita para quem busca entrar em um segmento especializado da construção e da preservação patrimonial.
